6.10.20

Goliarda e os neo-vitorianos

Goliarda Sapienza caiu-me em cima por causa de um podcast que ouvi, completamente ao acaso, durante o confinamento. O mínimo que se pode dizer é que era atraente e fiquei com o título atravessado. Agora comprei finalmente L'Art de la Joie, comecei a lê-lo e vejo que o podcast, por muito panegírico que fosse, ficava aquém do texto.

Interesso-me pela biografia da autora - isto é uma novidade, mas que se lixe - e vou procurar mais informação sobre ela. Um programa - por sinal também da France Culture - apresenta-a como «Anarquista, bissexual, rebelde» (creio que a ordem é esta.) Mas que raio importa que a senhora fosse bissexual, alguém me explica? Anarquista? Mas isso faz de alguém um escritor? Fala-se de Gabriel Garcia Marquez dizendo que era comunista ou de Marguerite Yourcenar que era lésbica? Rebelde? Por amor de Deus! Tenho sorte, no fundo: comecei pelo podcast correcto. Se tivesse começado por este, é pouco provável que me tivesse interessado. 

O nosso tempo está mais obcecado pelo sexo e respectivas actividades do que a época vitoriana.

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