13.2.26

Diário de Bordos - Vilarelho, Alto Minho, Portugal, 13-02-2026

O DV tem andado mais calado que vivo, coitado. A razão é simples: ando muito ocupado e igualmente preocupado. Mudar de vida é fácil. Difícil é ter a certeza de que a nova vida me permitirá ter uma vida, coisa que está longe de ser segura. A pergunta que mais me ocorre nestes dias é: quanto tempo leva uma cobra a mudar de pele? Ou uma lagosta? Ou uma crisálida a transformar-se em borboleta? (Esta analogia não é muito boa, mas não faz mal. Por agora fica.) Quanto tempo leva um nómada a sedentarizar-se, esse verbo que tanto usei e depois saiu do meu horizonte e do meu vocabulário? Luto em duas frentes: a casa e o trabalho. Duas frentes diferentes: uma sei que a ganho, na outra sei que até agora perdi cada vez que tentei regressar a Portugal. Mais vale acreditar nas infinitas capacidades da aprendizagem, na qualidade inexpugável do trial and error, empirismo no seu melhor, no velho compincha que dizia «êxito é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo». Sem perder a classe, acrescentaria eu se pudesse. Não posso acrescentar nada a nada: tenho os livros arrumados, a casa composta, o futuro em construção, o passado em recomposição, o presente esquivo e no leitor um disco de música sefardita pelo Hespèrion XXI.

Chama-se Diáspora Sefardí e a mente foge-me para a vertente fácil da «diáspora interior» e outras tretas do mesmo calibre. Nuno Júdice  (?): «Comecei a fugir para dentro. É cada vez mais difícil deixar de fugir para dentro".

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