19.2.26

Diário de Bordos - Porto, Portugal, 19-02-2026

Dois euros e cinquenta cêntimos um rissol de carne que era muito mais rissol do que carne; mais um por um pastel de bacalhau ("grande". Não experimentei. Grande era o preço); tartares de animais exóticos; não me fui aos portos. O Bolhão encontrou o seu destino e é um buraco para turistas. Estava escrito, a oeste nada de novo. Já o restaurante O Buraco continua um valor seguro, apesar de o arroz de pato não estar famoso. Culpa da minha Mãe, claro: quem provou o seu (dela, minha Mãe, tia Blá) arroz de pato tem uma enorme dificuldade em encontrar outro que lhe chegue aos calcanhares - isto para quem come com os pés, o que por sorte não é o meu caso mas poderia muito bem ser, se não tivesse braços. O senhor da mesa atrás de mim felicita o simpatiquíssimo empregado: "Parabéns. O Buraco continua a ser o Buraco." Volto-me para confirmar. É um casal de Lamego que vem aqui há "quarenta anos". Eu não venho há tanto tempo e pergunto-me se o Buraco aguentará outros tantos sem se transformar num buraco. Espero que não, mas se tiver de acontecer que seja daqui a outros muitos.

O senhor é advogado. Despediu-se de mim com um passou-bem. Resisti a dizer-lhe o meu nome. 

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Outro local do Porto: a Casa Chineza. Comprei cacau em pó e chá preto, um bocadinho de cada que a vida não está para chinezisses caras. Só baratas.

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Daqui vou beber um café e um comer um bolo à Império. Pobre sim, miserável não. 

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As ruas e estradas continuam cheias de cartazes das eleições.  Da primeira volta. O Marques Mendes promete umas coisas, o Gouveia e Melo outras, o comunista outras ainda, o ventríloquo diz que vai acabar com a corrupção. 

Já com a incivilidade todos convivem bem.

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Vilarelho

Regresso a casa, depois de uma paragem em Moledo para uma fotografia e uma cerveja em Espanha com a L. Nada a fazer: fui feito para viver na fronteira. Nas fronteiras.

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