21.2.26

Diversos dispersos, 21-02-2026

Fotografo. Escrevo com a luz. Estou aqui, não estou noutro lado qualquer. Estou aqui mas não sei se estou de passagem: a fotografia é aqui e agora. Só amanhã saberás se ontem estavas de passagem ou se estavas para ficar. Tu sabes: estás aqui. A luz sabe: agora. De toda a sucessão de agoras de que os dias são feitos a fotografia escolhe um, que tu dás a ver. Escreves-te. Dás a ver. Dizes: estou aqui. Sou aqui. Como sou me dou. De onde sou me dou. Vejo. Vejam-me.

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As Mandé Variations de Toumani Diabaté estão muito próximas dos Cânticos do Êxtase de Hildegarde von Bingen. Mais próximas do que a geografia e o tempo levariam a supor. Deve ser a isso que se chama música. Não: é isso que a música chama. Confluência. Ponto de encontro. Hildegarde, Toumani, eternidade. Luz, no fundo. Vers la lumière. «Rumo àquele ponto, exterior ao mundo, para onde tendem as catedrais.»

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Não gosto de receber ordens e ainda menos de as dar (salvo raras excepções, para o caso irrelevantes). Às vezes as consequências são nefastas. O meu pedido de perdão é do tamanho do abismo que a Hildegarde, o Toumani e meia dúzia de outros tentam preencher.

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