1.4.26

Diário de Bordos - Vilarelho, Caminha, Alto Minho, Portugal, 01-04-2026

O termómetro do carro diz que estão sete graus centígrados; para a página da meteorologia, estão doze; para mim, está frio. demasiado frio. Desta vez não tive a sorte de principiante da outra e tenho uma dúzia de pessoas à minha frente na fila para o centro de saúde. Cá fora, claro, que isto de esperar num sítio aquecido não é para tesos.

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Na Riviera testo as canetas. Um parágrafo cada. Só uma está vazia.

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O meu próximo livro, que em breve será publicado (dependendo do que cada um entende por breve) chama-se Não Sei e «é dedicado a todas as mulheres que me deixaram». Acrescento: «não liguem ao título. Eu sei porquê». É fácil: não sou miscível. Não sou compatível, por assim dizer. Nem eu nem a minha vida, se fossem duas coisas diferentes. Não são.

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Estou cansado, com frio, com sono, com ou sem não sei o quê. O almoço foi horrível. Quase duas horas de espera para comer uns mexilhões que só não estavam uma merda porque eram poucos. Duas porções faziam metade de uma deles na Flandres. Felizmente estavam maus e não sentimos a frugalidade da dose.

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A noite foi curta devido à conjunção de uma entrevista para a Rádio Voz de Alenquer, de madrugada e da necessidade de ir cedo para conseguir uma consulta médica. Depois do almoço fui deitar-me, acordei à hora de jantar e vim ao Diner, o único sítio de Caminha que se coaduna com o meu estado de espírito. Faz-me sentir que acabo de sair do Paris Texas. E com a minha vontade de não-jantar, depois do não-almoço.

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Como um arquitecto que desenhasse os planos da casa depois de esta construída... 

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A seguir à ponte de Cerveira para Espanha, já do lado espanhol, há uma placa a dizer «Bajo Miño». O chão de um homem é o tecto do outro. Até na geografia.

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