1.5.26

Superlativos

Entrámos num tempo de superlativos. Já não basta gostar. Há que amar. Não gostar de transformou-se em odiar. Continuo a viver num mar sem marés,  numa planície sem altos e baixos. Gosto de ti porque não sei amar-te. Gosto de ti porque não sei ser amado. O meu horizonte está demasiado longe, bendito seja. Transforma elefantes em formigas, crocodilos em lagartixas, girafas em miúdos curiosos que se escondem atrás de uma árvore para espiar a vizinha. Quando se vão embora atiram pedras às janelas e tocam às campainhas. O mundo vinga-se: crescem. Superlativizam-se. Um dia morrerão. 

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.