8.4.07

Doutores e engenheiros

Já por aqui a devo ter contado, não sei, mas agora o contexto exige-a. Passa-se no tempo em que na Doca de Belém não havia pontões; os barcos estavam amarrados longe dos paredões da doca; iamos para bordo numa chata tripulada por um senhor conhecido por Zé da Viola.

O Zé da Viola arrefinfava-lhe bem no tinto e/ou no whisky e/ou no que viesse; era grande, enorme. Cada braço dele parecia uma das minhas coxas e cada coxa duas das minhas; e era, como se vai ver, bruto como as casas.

Um dia o barco em que eu na altura navegava foi vendido e o proprietário, um engenheiro de esmerada educação, resolveu apresentar o novo dono ao Zé. Chamou-o e disse-lhe "Zé, apresento-lhe o novo dono do ..., o Senhor Fulano de Tal". "Boa tarde, senhor Fulano de Tal. É Doutor ou Engenheiro?"
- Boa tarde, Senhor Zé, pode tratar-me só por Senhor Fulano de Tal, eu não ...
- Senhor Fulano de Tal o caralho - interrompeu-o o Zé. - Eles aqui são todos doutores e engenheiros e você não há-de ser porquê?

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