14.4.19

Diário de Bordos - Sneek, Friesland, Países Baixos, 14-04-2019

Neste país as mulheres ou são muito bonitas ou muito feias; não há meio-termo. Os homens são teimosos como mulas e altos. Parecem máquinas, eles e elas, mas desenhadas por deuses diferentes.

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Países Baixos é mais bonito do que Holanda e igualmente impreciso. Devia ser Países Flutuantes: há água por todo o lado. Por vezes pergunto-me se não será a única coisa flexível que têm, mas depois apercebo-me de que não os conheço o suficiente para fazer este tipo de julgamentos.

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Vamos todos embora, repatriados. O estaleiro só fez merda, a mulher do armador está doente e ele quer ficar aqui sozinho a lidar com o estaleiro. Há poucas asneiras que aprecio mais do que esta: preciso de uns dias em Genebra e esta é uma ocasião que não podia vir mais a calhar.

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Está frio, mas as esplanadas estão cheias: as pessoas preferem o sol ao calor. Compreendo-as, mas pouco tempo depois de me sentar ao "sol" (aspas porque é um manifesto exagero) venho para um café beber copos e escrever. Não sei se a ordem é esta, se a inversa, ou se há sequer uma ordem. Acontecem simultaneamente.

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Uma amizade que nasceu epistolar (não nasceu, mas pelo menos cresceu) ressuscita pela mesma via. Não se deve subestimar o poder da palavra escrita, mesmo que o universo de leitores seja uma pessoa: há leitores que valem um planeta, uma vida.

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O clima de Portugal é o pior inimigo dos portugueses: por causa dele aceitamos os políticos que temos.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.