Comecemos portanto pelo commencement, comme il faut: o dia começou tarde. Quando me levantei já passava das sete. Depois houve alguns incidentes: apercebi-me de que deixei o material de toilette algures (provável e estatisticamente a bordo mas prefiro comprar outro a ver a M.) ; o carro estava com as baterias em baixo porque deixei uma luz qualquer acesa - não apita quando não ponho o cinto mas tão pouco o faz para as outras coisas; um dos cães da crew house meteu-se debaixo da minha cama e só de lá saiu à vassourada - pela mão da dona, apresso-me a esclarecer; quando cheguei à So Benedict, o meu santuário do pequeno-almoço, já passava muito das oito. Mas a verdade é que estou calmo; ou quase, já é bastante bom. Vou cortar o cabelo, pus o chapéu bonito no sapateiro para ver se consigo apertá-lo um pouco, amanhã vou buscar roupa, hoje tenho de ler o livro do A., que atravessou comigo em dois mil e vinte e dois e me pediu para escrever meia dúzia de palavras para a badana. Não se pode dizer que seja uma agenda sobrecarregada. Tenho, isso sim, um problema premente: troco o carro por um desses que me obriga a andar de cinto e em contrapartida me avisa se deixo as luzes - um dos últimos até as apagava sozinho - e é mais confortável, ou continuo com este? Tenho cerca de três horas para resolver este terrível e avassalador dilema.
Agora vou comprar um adaptador - o Shrimpy's só tem fichas americanas, deitar-me, dormir uma sesta intramatinal, ler umas páginas do texto do A. (li recentemente que os escritores não escrevem livros. Escrevem textos. Quem faz os livros são os editores. Sábias palavras).
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ADENDA
Salto uma série de coisas que saltaram do post por erro meu. Pouco importa: aplica-se a famosa máxima de Olivier de Kersauson: um tripulante que cai à água é porque não tem nada que fazer a bordo. Se o blogger me apaga meia dúzia de parágrafos é porque não tinham nada a fazer no post. De resto, o erro foi meu.
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Venho almoçar à minha querida Paula & marido, Jean-Baptiste. Não me apetece nada gastar a gorja dos americanos em alimentação e dormida.
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O chapéu ficou porreiro e resolvi trocar de carro. Uma alugadora normal no lado holandês cobra em dólares, o que significa imediatamente um desconto de quinze por cento, desconto esse que aplico em seguros. São uma aldrabice mas são melhor do que nada.
[O carro da Dream Car Rental está avariado. Estas ilhas não são para quem não gosta de surpresas.]
As crew houses têm duas vantagens: a primeira é o preço. São hostels baratos, com preços fixos; a segunda é que estamos entre colegas. No Shrimpy's este último aspecto é mais ou menos irrelevante porque nunca lá estou e quando estou é no quarto, mas quando se permanece numa delas durante algum tempo é importante. É claro que tudo isto tem que se lhe diga. Uma vez aqui em Sint Maarten dormi numa durante dois meses, partilhando o quarto com um gajo que depois me roubou quase três mil euros. Ter confiança nas pessoas por vezes paga e por vezes paga-se. Graças a Deus, as primeiras são mais frequentes do que as segundas.
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Resultado das corridas: voltei a alugar o carro ao Shrimpy's. As coisas são o que são.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.