6.1.26

Diário de Bordos - Simpson Bay & Colebay, Sint Maarten, 06-01-2026

Deixei a "trousse de toilette" a bordo (provavelmente) e venho ao lado holandês para comprar a Gilette Fusion 5, mais barata deste lado. De caminho aproveito e vou ao Lagoonies beber um rhum punch, particularmente acessível a esta hora, a hora feliz (traduzindo à letra). Isto é, se lá conseguir chegar. Às cinco da tarde a ponte de Simpson Bay abre pela última vez do dia e o engarrafamento chega ao aeroporto. O programa inicial era supermercado, cortar o cabelo e goonies. Vai ter de ser amputado.

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O programa foi amputado e continuo a escrever no Lagoonies: no supermercado - que não tinha as lâminas de barbear - o carro recusou-se a arrancar. Baterias em baixo. Vou ter de apanhar um taxi para Marigot e Michael, também conhecido por Shrimpy's, de me devolver os cinquenta paus que lhe paguei adiantado.

Em meu favor é preciso dizer que tentei alugar um carro na Dream Car Rental. Em meu desfavor: não tentei na Reliable, por exemplo, ou numa das outras do terminal de ferries de Marigot.

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Quando vinha para este lado mas ainda no lado francês fui interceptado por um polícia. Vinha ao telefone e sem cinto. Levei uma pequena mas firme reprimenda. A punição ficou agendada para a «próxima vez», aspas porque cito. Como não voltarei a alugar o carro ao camarão e os outros não me deixam andar sem cinto e além disso têm sistemas para ligar o telefone ao automóvel a probabilidade de haver uma próxima vez é bastante baixa.

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Hoje no goonies a música é boa - Doors, Neil Young, Eric Clapton - razoavelmente interpretada pelo duo de artistas e não muito alto. Será isto um caso isolado ou o prenúncio de uma nova  época? A simpática (e belíssima) jovem empregada diz-me que é assim todas as quintas-feiras. Isso não me fará vir aqui menos vezes mas far-me-á decerto vir às quintas. Se ainda por cá estiver, claro, que esta coisa de prever o futuro é um exercício vão e fútil.

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A trousse de toilette está quase reposta, graças ao supermercado chinês do outro lado da rua. Acresce que a senhora se lembrava de que a semana passada lhe paguei duas cervejas e só levei uma, pelo que descontou esse valor das compras de hoje.

Amanhã é outro dia. E hoje também. 

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ADENDA

Venho comer ao Chef-Chef, uma pizzaria que tinha para mim a única vantagem de ser ao lado do Shrimpy's. Agora tem mais: a simpatia, o facto de não terem só pizze. O lugar transporta-me àquele restaurante em West Palm Beach que me cobrou o piri-piri, por causa da proximidade da água. Mas a semelhança acaba aqui.

Volto a pensar na vida, feita de dias e não de meses, semanas e muito menos anos.

«Há que mudar de evida de quinze em quinze anos», dizia-me uma senhora em Genebra. Há quantos anos? Há quantas vidas? Mudei para dez anso cada vida e hoje sei que muito. Cada dia é uma vida e a cada meia-noite muda.

Mudar de vida é mais inteligente do que mudar a vida, note-se. Ela  nunca muda porque queremos. Muda porque sim. Já mudar de vida depende de nós, do mar, do vento, do rum que bebemos, da mulher que escolhemos amar. De nós, em suma.

Daqui a três meses terei uma nova neta. Uma nova vida.

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