O almoço acabou? Não completamente. Os convidados já saíram mas agora começa a terceira parte de qualquer refeição que inclua hóspedes: lavar a loiça e arrumar a casa, recordar os momentos que acabam de passar e pensar nos que a]i virão, com os mesmos ou com outras visitas. Uma refeição doméstica, qualquer que ela seja, tem quatro componentes: a escolha do menu, a sua elaboração, degustação e arrumação. Qualquer delas é agradável, se bem de maneiras diferentes. Hoje a escolha do menu foi rápida e não exigiu grande pesquisa: ainda tinha chili da festa de inauguração da casa e a inauguração ainda não acabou. A escolha era óbvia. A companhia foi óptima, como de resto era de esperar. Lavar a loiça e arrumar a cozinha foi um piscar de olhos, em todos os sentidos: foi rápido e foi bom.
O segredo para lavar loiça com prazer é simples: consiste em organizar-se. Primeiro copos e loiça pouco suja, depois pratos, em seguida panelas e frigideiras. Ir limpando e arrumando a pedido - a natureza seca a loiça tão bem como qualquer de nós e portanto não lhe devemos desperdiçar o mérito. Não esquecer que a lavagem da loiça tem uma característica: nunca acaba. Quando pensamos que acabou aparece sempre mais qualquer coisa até que, finalmente, sim, acabou. Já só falta limpar o fogão, pôr a toalha na máquina e sentar-nos granquilamente com um copo de vinho na mão.
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Venho a Espanha comprar gás e no caminho de regresso paro numa cervejaria que há algum tempo tenho vontade de conhecer. É uma dessas casas de beira de estrada, feia por fora e por dentro (por dentro muito mais do que por fora). A tapa é generosa, a televisão tem o som demasiado alto, sobretudo se considerarmos que nenhum dos três clientes - para além de mim - a está a ver e penso que mais valia estar em Caminha.
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Aonde não tarda estarei.
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A empregada da cervejaria Bugus usa uma máscara daquelas que vai até meio do nariz. É preta (a máscara), provavelmente para acordar com os móveis e com o ambiente. Isto podia ser o princípio de um filme do Hitchcock, se o bom Alfred fizesse maus filmes.
A empregada da cervejaria Bugus usa uma máscara daquelas que vai até meio do nariz. É preta (a máscara), provavelmente para acordar com os móveis e com o ambiente. Isto podia ser o princípio de um filme do Hitchcock, se o bom Alfred fizesse maus filmes.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.