4.3.26

Diário de Bordos - Vilarelho, Alto Minho, Portugal, 04-03-2026

O problema sendo que a vida em terra tem que-saberes e eu não os sei todos. Por exemplo: organizar os menus. Quero comer batatas Hasselback, favas, ervilhas com ovos escalfados e caldo verde. Que ordem dar a tudo isto? No mar é fácil: come-se primeiro o que tem de ser comido primeiro e depois o que pode esperar. Em terra não é só assim. Há mais parâmetros.

Deixo-os para depois e faço as ervilhas. Em terra há menos resistência à vontade do que no mar. No mar aquilo que se quer tem menos peso. Menos força. Sabe-se aonde se está e para onde se quer ir. O resto não é definido por nós, ou só por nós. Aqui sim. Por exemplo: vinho da Quinta dos Termos. Vinhas Velhas. No mar não há vinho. Não se mistura bem com água salgada ( doce tão pouco, mas isso é outra história). 

Na verdade, pouco me interessam as diferenças. Estou aqui agora. Aonde estarei amanhã, aonde estive ontem? Não sei. Ontem já foi, «amanhã não me pertence.» 

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As ervilhas não estavam grande coisa. O vinho está cada vez melhor. Uma mão lava a outra. A voz de Sandy Denny limpa tudo.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.