15.5.26

Olissipo in perpetuum

Fui deixar os chapéus de Inverno (e um de Verão, mas isso é outra história) à chapelaria, a roupa à lavandaria, fui à apresentação do último livro do António Cabrita na Linha de Sombra, a livraria com o melhor nome da história da literatura e agora bebo um café na Confeitaria Nacional. Daqui vou à Ler Devagar fazer horas para o almoço com o A. G. Penso na Alejandra Pizarnik e na sua Extracción de la piedra de locura e transcrevo para Extracção da Pedra de Lisboa. Pesquiso o título e vejo que o primeiro livro dela se chama La tierra más ajena e parafraseio de novo: A terra mais perto. Perto? Não. Dentro. Não há maneira de me extrair esta pedra, por muito bem que me sinta em Caminha, em Palma, em Genebra ou no mar, que não é bem uma cidade nem uma terra mas é um lugar, com muitos bairros e às vezes becos escuros e ruas luminosas e tudo o que uma cidade tem, sobretudo se for uma das cidades do nosso coração.

Ontem entrei um táxi, não muito longe da lavandaria mas tão pouco muito perto e comecei:
- Bom dia (sou um rapazinho educado, é desnecessário frisá-lo. Digo isto por uma questão de fidelidade ao original). Primeiro vamos ali à Morais Soares... - Aqui o senhor interrompe-me. 
- Vai ser uma volta muito grande?
- Sim, vai.
- Então eu deixo-o ali e o senhor não paga nada. Tenho um serviço a seguir e não posso dar afastar-me muito.

Insisti um pouco mas o homem manteve-se firme. 
- Não fiz o serviço portanto não tem nada a pagar.

(Cont.)

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