12.1.26

Diário de Bordos - Fort-de-France, Martinique, DOM-TOM França, 12-01-2026

Turisto em Fort-de-France: almoço na Carole, gelado na cour Perrinon, rum na praça logo à frente, deambulo (em ziguezague) na retícula urbana, encontro uma loja com sabonetes mais baratos do que em St.-Martin (o que me faz pensar que os caminhos do mercado são insondáveis) e acabo, inútil é dizê-lo, aonde comecei: café L'Impératrice, o único sítio de Fort-de-France aonde não há um único branco e que é o mais bonito. (Não há relação de causalidade.) Não consigo decidir se gosto mais de Marigot se de Fort-de-France. Esta é mais bonita, mais complexa, maior - mas exala provincianismo, coisa à qual sou mais ou menos alérgico. O serviço é horrível, as lojas fecham à hora do almoço, a cidade inteira respira sono, tédio. Decido que o problema não o é, bebo o meu rum tranquilamente, deixo-me perspassar pela sonolência local e pergunto-me qual a receita do Impératrice para afastar os gringos.

O Pain de Sucre está fechado. Forçoso é reconhecer que é definitivo, o que lamento profundamente. Era um restaurante óptimo.

Fui comprar um cigarro ao Sun&Fly. Não consigo perceber porque não é permitido vender cigarros à unidade. Se as autoridades estivessem mais interessadas na saúde pública do que nos impostos tornariam obrigatória esta forma de vender tabaco. Não estão, claro. A ideia de que os políticos se interessam pelas pessoas é uma ingenuidade. Os políticos só se interessam pela nossa massa e pela forma de a transferir para os cofres do Estado. 

Toda a gente sabe. 

(Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte. Já viram algum político sem arte? Eu já, mas duram pouco.)

.........
ADENDA

Antigamente - isto é, até dois mil e dezoito - os transportes públicos na Martinica eram oprados por aquilo a que os ingleses chamam a man and a van. Chamavam-se taxico (abreviatura de táxis colectivos) e ligavam todos os pontos da ilha a todos os pontos da ilha, mesmo que por vezes fosse necessário apanhar dois ou três. O sistema funcionava perfeitamente, era barato e convivial.

Alguém nas esferas políticas decidiu que o sistema era demasiado «terceiro-mundista» e resolveu implantar autocarros, como nas grandes metrópoles. À boa maneira destas ilhas, a coisa levou anos e anos a ser posta em prática, mas lá foi inagurada, nesse ano.

Resultado: os autocarros andam vazios, não têm horários (se os têm não os cumprem) e as pessoas puseram-se a comprar automóveis (o objectivo «oficial» da medida era diminuir os engarrafamentos crónicos) e se alguém quiser vir de Fort-de-France para o Marin depois das sete da noite (mais coisa menos coisa) das três uma: ou vem de carro, ou paga cem euros por um táxi ou não vem. Os engarrafamentos aumentaram, a mobilidade ficou pior e como os políticos são políticos o sistema está mal concebido e funciona pessimamente. 

O fantástico nesta história é que há pessoas inteligentes que pensam que a solução para a maior parte dos problemas é o Estado. Não é. É um conjunto de homens e carrinhas ou o que quer que seja que faça o que estas fazem.

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