10.1.26

Diário de Bordos - Le Marin, Martinique, DOM-TOM França, 10-01-2025

É uma tarde de sábado melancólica, cheia de opções pelas quais não me apetece optar. Ia para o Liv trabalhar mas está fechado; o Sucré Salé idem. Abençoado resultado: acabo no Cayali a ver a malta dos ioles aparelhar e largar enquanto bebo um rum velho e deixo os alísios afagar as opções. Do outro lado da baía a azáfama é vertiginosa: sábado é dia de charters e há malas por todo o lado, pessoas a correr, companhias speedadas para terem os barcos prontos. Deste lado é o contrário: ningém se mexe. A única actividade é a dos ioles mas essa está longe de ser frenética. É calma, comedida, precisa. Cada um sabe o que tem de fazer e fá-lo, sem hesitações nem delongas.

Já eu hesito e delongo, mas isso é outra história.

O que não é outra história: que bem fiz em vir aqui. Esta mania de estar sempre fechado entre quatro paredes devia prescrever de vez em quando. Não digo sempre, notem. Digo de vez em quando.

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ADENDA

O jantar foi menos feliz. Vim ao koko, abreviatura de Kokoarum. Não sei bem porquê. A comida é má e cara, o serviço péssimo, deixo dois terços no prato porque as doses são demasiado grandes e saio a perguntar-me por que raio de carga de água não fui ao Marin Mouillage, que aparentemente está aberto.

A resposta é simples: porque o Mango está fechado e o Marin sem o Mango é um Marin amputado, meio Marin, Marin sem passado nem futuro. O koko é um ersatz de Mango, corpo sem alma, ciclista sem pedais, bicicleta sem rodas, choro sem lágrimas.

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O meu eterno dilema Martinique vs. St. Martin está definitivamente resolvido: St. Martin, apesar do aumento de preços demencial do Arhawak, apesar de... Apesar de nada. Se o Arhawak está caro tens outros aonde ir. O pequeno almoço na Émilie não tem igual, as meias porções no Ben, os jantares no L'Authentique, o goonies, meu Deus, o goonies.

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Á espera de uma confirmação de um transporte México - Brasil. Há quem diga que podia esperar pior e eu concordo. Não vai demorar muito tempo a chegar.

Enfim, espero.

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Não espero nada. Sei. As semanas que passei com aquela louca têem ser compensadas, é tudo. Quanto mais não seja, com um trabalho decente. A mulher é BPD, OCD e está descompensada. Foi demasiado para um ser frágil como eu. Não sou psiquiatra nem enfermeiro em psiquiatria nem psicólogo. Sou vítima de um trauma que me vai perseguir algum tempo (pouco, que o mar tratará de o lavar).

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Hoje o espectaculo dos ioles a aparelharem na praia foi magnífico. Sábado que vem trago a máquina, ver se traslado o que tenho na retina para o sensor megapixel.

Não conseguirei, claro. O sensor não sente nada, apesar do nome.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.