1.1.18

Nem nem

A noite avança pelo ano novo dentro como um bêbedo pela garrafeira de um bar no qual foi deixado sozinho: com determinação, sem olhar para trás, sabendo que nada o pode parar.

A festa acabou. Estou em casa, deixo-me levar docemente pelo tempo, como se escorregasse num plano pouco inclinado, o tempo abrandou agora anda mais devagar, desliza e eu com ele.

Todos os dias começa um ano novo; só não muda de nome e pouco ligo a nomes e descendências. 2018 descende em linha recta de 2017 mas no que me toca até podia ser o ano zero ou três mil. Desde que venha devagar, nada de brusquidões, como um barco de pesca que sai do mar carregado de peixe e arrastado por uma junta de bois enquanto  as mulheres olham e avaliam a parte da carga que lhes vai tocar.

Estas dançavam, relembro-lhes a beleza e os trapos.

Nem morto a boiar no mar Morto, nem vivo a nadar no tempo.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.