Se o ECMWF e o GFS estiverem certos, não saímos daqui antes de quinta-feira. Como estão os dois de acordo - na verdade três, porque fui confirmar com o ICON - é pouco provável que a coisa mude. E sonhava eu fazer a troca com o V. na Corunha. Chegar a Portimão já será uma sorte.
Entretanto o badanal faz das suas: frio e o T. J. que não pára de se queixar e vibra por todos os lados. Passo muito tempo a bordo, por questões ligadas à baixa altura da maré ou à falta de chuva. Mas também porque o casal não é desagradável e Luna, a mini-cadelita não chateia nada. Mal dou por ela. Não gosto de navegar com cães - se não é a primeira vez anda lá perto - mas enfim, desta não me queixo. Acho doentia a relação da M. com os animais - agora deu em dar de comida a uma colónia de gatos vadios que vive na marina, apesar dos avisos em contrário; falar em dar um tiro a uma orca à frente dela é como sugerir a um crente que talvez se devesse enviar a Virgem Maria para um prostíbulo. Enfim, é uma boa pessoa, O F. adora-a com razão e a vida a bordo é agradável.
Melhor seria se estivéssemos a navegar mas enfim, não se pode ter tudo.
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Passei uma hora e meia a calcorrear Barbate à procura de um sítio para beber uma cerveja que não fosse no paseo marítimo porque a ver o mar passo eu os dias e não preciso de o ver mais. Acresce que que olhar para ele é perceber porque não podemos sair daqui. Acabo no Europa, o meu bar favorito do supra-mencionado paseo. Favorito é um exagero: não conheço mais nenhum. Venho aqui por causa do episódio do rum Cacique que achei demasiado barato e porque é o menos armado ao pingarelho. A minha busca por uma cerveja produziu um resultado pouco habitual, numa espécie de roulotte de churros e bolerías aonde um grupo de senhores locais conversava animadamente e abriu um lugar para mim, na extremidade do grupo que estava ao sol mas a verdade é que apreciei bastante o gesto e a cerveja. Antes dessa tinha bebido uma no bar Matteo mas não aceitam cartões e lá tive de calcorrear a rua à procura de uma «máquina de spaghetti», agora rebatizada «máquina de imperiais». Depois caí na asneira de ir comer um gelado - deitei metade fora, os gelados do Claudio são horríveis, têm o monopólio dos gelados - e pronto, ecco, signori, bar Europa depois de umas ovas de atum, de uma mojama, de quase meio litro de mazagran e outro tanto de vinho branco, métodos infalíveis de acelerar o relógio. Ou pelo menos de o enganar. Verdade seja dita: o rapaz é crédulo, deixa-se influenciar por tudo e por nada. Umas vezes parece que anda às arrecuas, outras dispara como o cavalo louco do outro, Desta vez bastou dar-lhe uns copitos de vinho branco e umas tapas e lá foi ele, desarvorado e feliz, porque o tempo gosta de galopar.
O bar Europa esvaziou-se, o sol cai devagarinho, a luz alaranja-se, perde este branco irritante, ofuscante, abafador como nos jogos de berlinde do antigamente. Agora o que nos leva é energia e não bilas. Daqui a pouco terei frio, aposto.
O bar Europa esvaziou-se, o sol cai devagarinho, a luz alaranja-se, perde este branco irritante, ofuscante, abafador como nos jogos de berlinde do antigamente. Agora o que nos leva é energia e não bilas. Daqui a pouco terei frio, aposto.
(Cont.)
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.