A questão pode parecer complexa, interessante, metafísica e tudo o que se quiser. Revelar a nossa fragilidade, pequenez, impotência e sei lá que mais. Não é nada disso. A dor, sobretudo quando é tenaz, insuportável e nos deixa de mãos atadas é simplesmente um horror, uma merda, uma tortura. A miséria não merece discursos grandiloquentes.
Resisto à tentação de pensar que a médica parecida com um tractor russo avariado percebe tanto de receituário como de comunicação - isto é, nada. O corticóide, os analgésicos, o anti-inflamatório, o mio-relaxante que injectaram no centro de saúde e os comprimidos e os emplastros que ela me receitou deixaram-me exactamente como estava antes, se não um bocadinho pior. Agora já nem estando sentado a dor alivia.
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Pensamento extemporánea do dia: reduzir uma transacção comercial ao seu aspecto financeiro - ao preço - é como reduzir uma relação sexual ao sexo. Quem o faz perde mais de metade da coisa. Se calhar, a mais importante.
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Há uns anos um médico disse-me que eu tinha uma bos resistência à dor. As perguntas que eu me faço são: a) Terei perdido essa resistência ou parte dela? e b) Como farão as pessoas que não resistem tão bem à dor? O meu pensamento e a minha solidariedade estão com elas.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.