Aterro em Lisboa com menos de uma hora de sono mal dormido no avião. Saio do aeroporto num Bolt cujo chauffeur começa a reclamar contra os outros condutores ao fim de aproximadamente dois minutos e continua até se aperceber - tardiamente - que não estou muito interessado nas suas imprecações. Depois da gentileza dos taxistas e dos condutores de Palma - está quase nos níveis pré-pandemia - o choque é rude. Depois, uma hora e meia de espera num café à frente da farmácia aonde vou buscar as injecções, a única coisa que me trouxe aqui. A carcaça é uma ditadora. Depois, uma hora e meia até à camionete para Lagos. O voo levou pouco mais de hora e meia, a espera no aeroporto de Palma foi de duas horas e o trajecto para Lagos será de três horas e quarenta e cinco minutos, se não houver atrasos. É muita hora.
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No café a televisão está sintonizada na CM TV: as notícias repetem-se, sangue, droga, polícia, assaltantes, tortura, violação, crime. Há pessoas que são capazes de ver isto o dia todo? Já não digo o dia todo, mas todos os dias?
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Venho passar uns dias a Portugal. Palma sem trabalho é demasiado stressante e perde grande parte do encanto.
Verdade seja dita: não conheço lado nenhum que sem trabalho não o seja. É uma questão de grau, apenas.
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A carcaça é uma amante cara e caprichosa. Está sempre a pedir-me dinheiro e a queixar-se. Recusa dormir quando sabe que é preciso, aparece-me constantemente com desculpas novas. É uma chata ditatorial que abusa do facto singelo e iniludível de ser a única.
(Cont.)
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.