16.3.10

Consternante

Isto é consternante.

Redifusão - 3

Outra redifusão muito a propósito. Esta de 23 de Março de 2005. Haveria uma coisa a mudar: desta vez já tive 4 dias de sol. Quatro dias de sol em Genève nesta altura do ano é raro; já o frio nem tanto. De qualquer forma parece que a temperatura vai subir. Espero que sim...

"Hoje houve sol, pela primeira vez em meia dúzia de dias. Durou pouco: o cinzento - ou melhor, os cinzentos - destes últimos dias voltaram. Houve-os de todas as gradações possíveis, do quase branco ao quase preto. Podia ser belo - mas hoje é apenas deprimente.

Esta cidade fascina-me: como é que um sítio com tantos ingredientes tão bons - o sistema político (para mim o melhor do mundo), a quantidade de mulheres bonitas (Genève deve ser uma das raras cidades do mundo em que o ratio mulheres feias / mulheres bonitas é inferior a 1), a organização, a oferta cultural, as lojas de discos e as livrarias que esta tem, os mercados, consegue ser tão invivável? Não é só o clima: é esta impressão de que nada se move (e pur si muove), este aspecto refastelado, esta ausência de sensualidade (das ruas, dos prédios, dos cafés, dos bares), esta impressão que tudo, e não só o céu, é cinzento...

Há, porém, momentos fantásticos - e um deles deve estar quase a chegar: é o primeiro dia de calor, o primeiro dia em que as raparigas saiem para a rua despidas as roupas de inverno, e de repente apercebemo-nos que o frio acabou, ou está quase para acabar. As esplanadas enchem-se, as caras sorriem, tudo se torna mais leve, mais claro, parece uma sala à qual se limpou o pó de anos. Hoje foi quase esse dia, quase. No domingo a temperatura vai subir bastante, mas não estarei cá e estará a chover, de qualquer forma.

No Outono acontece o contrário: as raparigas vestem-se e as janelas fecham-se, na cozinha os guizados, os ragoûts e os tintos pesados substituem as saladas e os brancos alegres, e tudo o que durante alguns meses cintilou volta ao normal, cinzento. É como se a luz, a festa, os sentidos, fossem uma interrupção, uma aberração."

Genéve

Em Genève os semáforos não são usados apenas para regular o tráfego; a sua função principal é tornar desagradável e irritante a experiência de conduzir na cidade. Há alguns anos andou uma equipa da Câmara Municipal a ver quais os semáforos que deviam ser dessincronizados - dois semáforos seguidos que à velocidade normal estivessem verdes: pretendia-se que os automóveis parassem a cada sinal que encontrassem no caminho (o que ajuda também a baixar a velocidade média, que é elevada. Conduz-se depressa, porque as ruas estão em óptimo estado de manutenção, bem sinalizadas e convidam a isso).

O objectivo foi plenamente atingido: é praticamente impossível fazer um trajecto de automóvel na cidade sem parar em 90% dos sinais. Ultimamente tenho beneficiado da contrapartida: para os peões a percentagem é quase a oposta, e quando se chega a uma passadeira o sinal ou está verde ou a espera é muito breve.

Subtracções

Cada vez me irrita mais este uso de "adição". Cada adição destas é uma subtracção à nossa língua.

Informação

Num post ali em baixo falo da iniciativa de um cidadão suíço a propósito das remunerações dos administradores de empresas. Nos vinte anos que aqui passei houve votações estranhas, incompreensíveis (para um jovem português), aberrantes. Mas todas têm um mérito: é que o debate público traz uma informação sobre os temas que de outro modo não teríamos, ou seria de difícil acesso. Só por isso a democracia directa seria a melhor opção para Portugal também.

Ao contrário do que muitas vezes se diz, não há nenhuma diferença entre um português e um suíço (excepto a impunidade). De qualquer forma errar é um direito; e é menos provável se for assumido colectivamente.

Redifusão - 2

E outro, de 21 Março de 2005:

"Não sei o que é o amor; sei contudo o que é amar: é querer-te aqui agora, é querer-te ao meu lado a ouvir esta música, é querer-te ao meu lado no regresso a casa, é pensar em ti quando o que me rodeia é bom e bonito e incompleto, sem ti."



16 de Março de 2006:

"É quando viajamos, ou fazemos amor, que vemos que a evolução não fez bem o seu trabalho - precisamos de mais braços, mais mãos.



Há coisas que não mudam. (Enfim, os posts mudaram, mas muito pouco).

Redifusão

Às vezes apetece-me repescar posts antigos. Aqui vai um, de 13 de Março de 2004, ligeiramente editado:

"Chove a rodos. São as primeiras chuvas. Esperemos que desta vez não haja inundações. No Burundi, quando chovia, podia ver-se o capim a crescer. Enfim, quase: saía-se de casa de manhã e à tarde quando voltávamos a erva tinha crescido uns bons centímetros. Era mágico.

Eu continuo à espera da chuva, a outra, que faz crescer o negócio e prosperar quem nele trabalha. A situação é grave. Enfim, desculpem-me chatear-vos com estas histórias e com a chuva metafórica que se faz esperar. Às vezes a vontade de dizer o que me vai no coração é grande, enquanto oiço os Madrigais do Monteverdi e a chuva não-metafórica continua a cair.

Não serve de nada ir trabalhar: está um tempo para ficar em casa com um bom livro e uma má companhia, e enchermo-nos de cultura, de whisky e de seios.

A chuva cai; violenta, cinzenta, aborrecida, chuva. Em breve as ruas estarão inundadas. A Câmara Municipal  refê-las, recentemente, mas utilizou um cascalho demasiado grande, que entope os escoamentos. É preciso dizer que há vinte e cinco anos que as ruas se enchem de água a cada chuvada - mas dantes eram necessárias três ou quatro horas de chuva, e agora uma chega. Ninguém consegue parar o progresso.


A chuva abrandou. Os Madrigais são esplêndidos. Oiço agora um cujo título é apropriado: "Omni amante é guerrier". Lamento não perceber o texto: o título faz crescer água na boca.


"C'était du sang, c'était
ce que tu as répandu, Seigneur.


Ca brillait."


" Nos yeux et notre bouche sont si vides, Seigneur.
Nous avons bu, Seigneur,
Le sang et l'image qui était dans le sang, Seigneur."

Termino com Celan, chave de ouro para um sábado lamuriento e pluvioso.



Maputo, 1999"

Remunerações

Um empresário e investidor suíço acha que os accionistas não têm suficiente controle sobre as remunerações do administradores das empresas e lançou uma iniciativa popular (um referendo) propondo um limite às remunerações. A coisa provocou alguns remoinhos no Parlamento e no Governo; mas vai ser votada - provavelmente com uma contra-iniciativa (um contra-projecto feito pelo Governo).

Não sei porquê lembrei-me disto hoje, ao ler este post.

PS que não tem nada a ver - apresso-me a esclarecer que sou absolutamente contra uma limitação legal das remunerações, não vá o diabo tecê-las.

Publicidade desinteressada

De um leitor regular e de há muito recebi isto, que divulgo com o maior dos prazeres, e votos de sucesso:

"O Rui e a Goreti estão a promover um evento de degustação de vinho em Tavira - Tavira Wine Experience -  numa parceria com o café Arcada, ao fim da tarde das quintas-feiras.

O primeiro evento, que se espera que seja o primeiro de muitos, a decorrer nesse espaço será no dia 1 de abril a partir das 18:00.

Parece-me interessante. E é bom que existam pelo menos algumas iniciativas que quebrem as rotinas estabebelecidas nestas terras do Sul.

Espreitem aqui o conceito: http://tavirawineexperience.blogspot.com/ Se vos agradar, apoiem, diivulguem e apareçam.

Se bem os conheço, vai valer a pena."


Acredito que sim.

Uma má notícia

Afinal, o TC acha que o contrato está bem feito. Parece uma brincadeira de mau gosto - se aquilo é um bom contrato, eu não sei o que é um mau.

Mas o ponto principal pelo qual nos devemos bater é que se deve fazer um estudo comparativo e abrangente sobre a utilização a dar àquela área. O contrato era um aspecto secundário. Se bem ainda esteja sem ar e sem palavras.

Dinheiro, erros

O dinheiro faz-me viver, mas não me faz correr.

Bom senso, justiça, eficiência et al.

É uma pena viver-se num país em que coisas tão óbvias como esta têm de ser escritas. Há muitos, eu sei; mas com mal dos outros posso eu bem.

"O Estado deve despedir funcionários"

Gingas

Um site para amantes de gingas: Péclot 13.

15.3.10

PSDesgraça

Tudo isto para não falar nesta desgraçada norma feita pelo Pedro para o Pedro (e aprovado por 2/3 dos congressistas, verdade seja dita, por muito que custe).

Idade

Genève, 18 anos da H. Nunca fui tão velho como hoje.

Ruas

Genève: ruas tão bem alcatroadas e tão limpas que dão vontade de nos deitarmos nelas, e dormir uma boa sesta.

14.3.10

Luxo

Genève: o sol é um luxo, como a água ou a amizade.

13.3.10

Luz fria

Genève: luz fria, leitosa, branca. Uma luz que às vezes é inquietante e outras insípida; depende do nosso estado de espírito. O velho sentimento: é bom chegar a Genève; mas não poderia ficar (je ne saurais y rester, na bela e tão exacta formulação antiga).

É quando chego - sobretudo após uma tão longa ausência - que me apercebo quão bem conheço esta cidade, quanto aqui vivi.

12.3.10

Comme un enfant devant le feu

"Je suis devant ce paysage féminin
Comme un enfant devant le feu
".

Estes versos de Éluard descrevem provavelmente aquilo que as pessoas pensam quando me vêem perante um balcão de queijos num supermercado suíço.

Medeiros

Eu pensava que estava vacinado contra as aberrações dos nossos políticos, a sua arrogância, a sua indiferença para com as pessoas que os elegeram e - sobretudo - lhes pagam, mesmo não os tendo elegido. Mas este video demonstrou-me que não, ainda não estou.