S. Luís continua a amar-me, a surpreender-me, a acolher-me nas suas ruas sujas como braços de uma mulher transpirada depois de uma noite de orgia.
E eu deixo-me ir, entrego-me, dou-me sem pensar demasiado que em breve partirei. Não "durmo numa rede com uma bela maranhense", como me dizia alguém ontem; mas é por falta de vontade, que belas maranhenses e redes há aqui muitas. Ou de paciência, mais provavelmente.
Que bem fiz em vir passar estes dias aqui. Durante muito tempo pensei que amamos quem nos ama; um recente e violento desgosto fez-me ver que nem sempre é verdade; agora estou-me nas tintas: limito-me a viver, sem mais, o amor que a cidade tem por mim e a retribuir-lho o melhor que posso. Sem compromissos, mas com sentimentos.
9.4.15
Exercício
Acabei por ir ao Baptista, que estava fechado, claro. É assim que se pagam as hesitações. Mas felizmente preciso de fazer exercício e resolvi fazê-lo. Fui à Tia Dica, ao Bar do Porto, ao Chicodiscos e a uma tascazinha informal na Fonte do Ribeirão onde estavam a tocar os miúdos Hijos de Mari.
Imagino que o açúcar no meu sangue ande aos saltos, coitado. Ele que espere, como eu. Temos dois meses de mar pela frente e no mar só bebo água, café e chá de gengibre.
Imagino que o açúcar no meu sangue ande aos saltos, coitado. Ele que espere, como eu. Temos dois meses de mar pela frente e no mar só bebo água, café e chá de gengibre.
Diário de Bordos - S. Luís, Maranhão, Brasil, 08-04-2015 / II
Um dia tranquilo que acaba tranquilamente tem vários méritos. Um deles, e não o menor, é ser harmonioso. Mérito iniludível, simpático, sedutor e anestesiante.
Não fiz tudo o que queria fazer: a lista era, reconheçamos, extenuante. Falta-me ir ao Baptista beber uma cachaça. Não vou. Está a chover, teria de mudar de roupa, há montes de cachaça gratuita no Frank (se bem de longe não tão boas como as dele. E o preço não é um argumento: não vou aqui revelá-los porque se não amanhã vai vir charters do mundo inteiro, mas não é por eles que um viajante teso não pode degustar uma excelente cachaça) e, de qualquer forma, a vontade de chatear a diabetes é fraca. Consequência sem dúvida da harmonia do dia. Nada de violências.
........
Quando me fui embora ofereci a minha bicicleta ao M. o jovem empregado da Poeme-se. Agradeceu-me comovido. Quando lá fui na segunda-feira o Ribas perguntou-me o que havia de fazer com a burra. Fiquei surpreendido. Pensava que o jovem a tinha.
Hoje explicou-me que não: quer uma de estrada. Mais uma coisa para a lista: vender a bicicleta. E eu que vinha aqui para descansar e ver os amigos.
Coisas que fiz, forçoso é reconhecer. E continuo a fazer.
........
A tripulação para a travessia está composta, se todos comparecerem: dois franceses, um polaco, um americano, eu e - assim deus e os poderes que são queiram - um português que há muito tento ter ao meu lado numa viagem destas.
........
V ouao Baptista. Prefiro arrepender-me do que faço, sobretudo quando não há razões nenhumas para me arrepender.
Não fiz tudo o que queria fazer: a lista era, reconheçamos, extenuante. Falta-me ir ao Baptista beber uma cachaça. Não vou. Está a chover, teria de mudar de roupa, há montes de cachaça gratuita no Frank (se bem de longe não tão boas como as dele. E o preço não é um argumento: não vou aqui revelá-los porque se não amanhã vai vir charters do mundo inteiro, mas não é por eles que um viajante teso não pode degustar uma excelente cachaça) e, de qualquer forma, a vontade de chatear a diabetes é fraca. Consequência sem dúvida da harmonia do dia. Nada de violências.
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Quando me fui embora ofereci a minha bicicleta ao M. o jovem empregado da Poeme-se. Agradeceu-me comovido. Quando lá fui na segunda-feira o Ribas perguntou-me o que havia de fazer com a burra. Fiquei surpreendido. Pensava que o jovem a tinha.
Hoje explicou-me que não: quer uma de estrada. Mais uma coisa para a lista: vender a bicicleta. E eu que vinha aqui para descansar e ver os amigos.
Coisas que fiz, forçoso é reconhecer. E continuo a fazer.
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A tripulação para a travessia está composta, se todos comparecerem: dois franceses, um polaco, um americano, eu e - assim deus e os poderes que são queiram - um português que há muito tento ter ao meu lado numa viagem destas.
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V ouao Baptista. Prefiro arrepender-me do que faço, sobretudo quando não há razões nenhumas para me arrepender.
8.4.15
Diário de Bordos - S. Luís, Maranhão, Brasil, 08-04-2015
Não lavei a loiça do jantar. A Frankie's House tem uma senhora da limpeza chamada Josimara - ou, mais correctamente, Santa Josimara - e deixei-lhe a tarefa. Mai-la frigideira do pequeno-almoço, de resto.
O Brasil está cheio de pessoas assim: Josimara, Maciel... Pessoas por quem tenho um infinito respeito e que mereceriam muito mais do que o que têm.
O Maciel, por exemplo. Uma história brasileira: segundo de três filhos "educados sem pai". A mãe veio para S. Luis com eles quando Maciel tinha doze ou treze anos e ele interrompeu os estudos para ajudar a sustentar a família.
Maciel é curioso, só vê programas educativos na televisão: documentários, progaramas de viagens, etc. No dia seguinte comenta-os comigo, faz perguntas boas, inteligentes, de quem quer saber mais.
É honesto ao cêntimo. Emprestei-lhe dinheiro para tirar um curso de condutor de máquinas - que acabou por não fazer por causa daquele conjunto de coisas a que se chama Brasil - e quando voltei perguntei-lhe como estavam as contas (o dinheiro era pago com as viagens que ele fazia comigo para o estaleiro e depois começou a fazer com o Frank - ou seja, não era um empréstimo. Era um pagamento adiantado). "Devo-te cento e trinta e cinco reais".
Na segunda-feira veio buscar-me ao aeroporto - é de uma pontualidade absolutamente notável em qualquer parte do mundo. No Brasil parece simplesmente um extra-terrestre - . Na véspera tinha passado um programa sobre Cuba e a conversa foi, naturalmente, sobre os médicos cubanos que o Brasil importou, a pobreza dos cubanos, etc.
Acabou a dizer-me "ainda há quem se quer ir embora do Brasil. Podem ir todos. eu fico"
........
Eu não fico, Maciel, mas tenho pena.
Oiço Jeanne Lee acompanhada por Mal Waldron neste casarão lindo, bebo o excelente café da santa e planeio o dia - seleccionar roupa a levar para o Panamá, arrumar o resto das coisas, ir à Poeme-se buscar dois livros, dormir a sesta, beber uma cachaça no Baptista, enviar dois ou três mails de trabalho, escrever meia dúzia palermices, não necessariamente por esta ordem -.
E penso na sorte que tenho.
O Brasil está cheio de pessoas assim: Josimara, Maciel... Pessoas por quem tenho um infinito respeito e que mereceriam muito mais do que o que têm.
O Maciel, por exemplo. Uma história brasileira: segundo de três filhos "educados sem pai". A mãe veio para S. Luis com eles quando Maciel tinha doze ou treze anos e ele interrompeu os estudos para ajudar a sustentar a família.
Maciel é curioso, só vê programas educativos na televisão: documentários, progaramas de viagens, etc. No dia seguinte comenta-os comigo, faz perguntas boas, inteligentes, de quem quer saber mais.
É honesto ao cêntimo. Emprestei-lhe dinheiro para tirar um curso de condutor de máquinas - que acabou por não fazer por causa daquele conjunto de coisas a que se chama Brasil - e quando voltei perguntei-lhe como estavam as contas (o dinheiro era pago com as viagens que ele fazia comigo para o estaleiro e depois começou a fazer com o Frank - ou seja, não era um empréstimo. Era um pagamento adiantado). "Devo-te cento e trinta e cinco reais".
Na segunda-feira veio buscar-me ao aeroporto - é de uma pontualidade absolutamente notável em qualquer parte do mundo. No Brasil parece simplesmente um extra-terrestre - . Na véspera tinha passado um programa sobre Cuba e a conversa foi, naturalmente, sobre os médicos cubanos que o Brasil importou, a pobreza dos cubanos, etc.
Acabou a dizer-me "ainda há quem se quer ir embora do Brasil. Podem ir todos. eu fico"
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Eu não fico, Maciel, mas tenho pena.
Oiço Jeanne Lee acompanhada por Mal Waldron neste casarão lindo, bebo o excelente café da santa e planeio o dia - seleccionar roupa a levar para o Panamá, arrumar o resto das coisas, ir à Poeme-se buscar dois livros, dormir a sesta, beber uma cachaça no Baptista, enviar dois ou três mails de trabalho, escrever meia dúzia palermices, não necessariamente por esta ordem -.
E penso na sorte que tenho.
Be thyself
Deixar de ser quem somos para agradar a quem amamos ou nos ama é uma garantia de fracasso. Ou melhor, fracassos:
- Nunca conseguinos realmente deixar de ser o que somos;
- Quem amamos (ou nos ama, são frequentemente a mesma pessoa) vai rapidamente detectar a fraude;
- Vamos detestar-nos porque a)tentámos uma coisa que não devíamos ter tentado, b) falhámos e c) não serviu para nada.
Melhor ler Peer Gynt e beber uma boa caipirinha.
- Nunca conseguinos realmente deixar de ser o que somos;
- Quem amamos (ou nos ama, são frequentemente a mesma pessoa) vai rapidamente detectar a fraude;
- Vamos detestar-nos porque a)tentámos uma coisa que não devíamos ter tentado, b) falhámos e c) não serviu para nada.
Melhor ler Peer Gynt e beber uma boa caipirinha.
S. Luis, casa
S. Luis é um bordel que em vez de putas tem amigos.
(Substitua-se amigos por familiares e tem-se a definição de casa).
(Substitua-se amigos por familiares e tem-se a definição de casa).
Fatalidades
As coisas são o que são, não o que queremos que sejam ou pensamos que deviam ser.
Felizmente: há muito tempo que não me passa pela cabeça que um dia estaria como estou hoje.
........
Franco & The OK Jazz band.
Felizmente: há muito tempo que não me passa pela cabeça que um dia estaria como estou hoje.
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Franco & The OK Jazz band.
Neguentropia
A felicidade é um sistema caótico que se auto-alimenta. Um gajo começa não sabe bem onde e acaba a fazer o melhor chilli con carne que jamais fez.
Cidades, casas
Uma cidade é uma casa: aqui a sala de jantar, ali o quarto, ao lado a sala de estar e ao fundo do corredor a cozinha.
A diferença é que em vez de irmos a pé de uma divisão para a outra vamos de metro.
A diferença é que em vez de irmos a pé de uma divisão para a outra vamos de metro.
Diário de Bordos - S. Luís, Maranhão, Brasil, 07-04-2015
Passo a vida a dizer que não tenho uma casa, tenho muitas. E depois volto a S. Luis e penso "voltei para casa" e não sei como explicar(-me) que isto não é uma contradição.
Uma vez dizia a uma namorada que o Peter's é a minha segunda casa e ela perguntou-me "qual é a primeira"? Não soube o que dizer-lhe, claro, excepto gabar-lhe a inteligência e as mamas, duas coisas (ou três, para os preciosistas) que ela tinha extremamente bonitas.
Agora estou em casa e não sei se é a primeira, juro, ou a segunda. Na verdade é a minha casa agora, ponto.
É preciso um esforço de imaginação: um casarão no centro histórico de S. Luis, recuperado com gosto e com dinheiro (por esta ordem); um jantar ao qual faltou a maioria dos convidados e que acabou por ser comido na cozinha, tigela e colher (e foi um dos melhores chillies que jamais fiz, "juro palavra de honra sinceramente vou morrer assim"); e no fim da noite um arquitecto dinamarquês de setenta e um anos fala-me em Sam Mangwana.
É por estas e por outras que eu acho que não preciso de fumar ou injectar drogas. A vida chega.
Acabámos a ouvir o Sam, o Lars foi deitar-se e eu oiço Franco, Mbilia Bel, Tabu Ley Rochereau, Papa Wemba e pergunto-me como, quando e quanto vou pagar isto.
Porque a felicidade não é de borla. Paga-se e paga-se caro. Mas porra!, que a factura venha o mais tarde possível é tudo o que eu peço. Estou-me nas tintas para o montante.
Vou ficar aqui até Domingo. Parece uma vida, não é?
........
Ceci n'explicant que très partiellement cela: tudo indica que tenho as primeiras inscrições firmes para a travessia.
........
Estou quase a encontrar a resposta a uma pergunta célebre: "um animal que come merda e fode uma vez por ano ri de quê?" Quando souber conto. Está quase.
........
Uma vez dizia a uma namorada que o Peter's é a minha segunda casa e ela perguntou-me "qual é a primeira"? Não soube o que dizer-lhe, claro, excepto gabar-lhe a inteligência e as mamas, duas coisas (ou três, para os preciosistas) que ela tinha extremamente bonitas.
Agora estou em casa e não sei se é a primeira, juro, ou a segunda. Na verdade é a minha casa agora, ponto.
É preciso um esforço de imaginação: um casarão no centro histórico de S. Luis, recuperado com gosto e com dinheiro (por esta ordem); um jantar ao qual faltou a maioria dos convidados e que acabou por ser comido na cozinha, tigela e colher (e foi um dos melhores chillies que jamais fiz, "juro palavra de honra sinceramente vou morrer assim"); e no fim da noite um arquitecto dinamarquês de setenta e um anos fala-me em Sam Mangwana.
É por estas e por outras que eu acho que não preciso de fumar ou injectar drogas. A vida chega.
Acabámos a ouvir o Sam, o Lars foi deitar-se e eu oiço Franco, Mbilia Bel, Tabu Ley Rochereau, Papa Wemba e pergunto-me como, quando e quanto vou pagar isto.
Porque a felicidade não é de borla. Paga-se e paga-se caro. Mas porra!, que a factura venha o mais tarde possível é tudo o que eu peço. Estou-me nas tintas para o montante.
Vou ficar aqui até Domingo. Parece uma vida, não é?
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Ceci n'explicant que très partiellement cela: tudo indica que tenho as primeiras inscrições firmes para a travessia.
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Estou quase a encontrar a resposta a uma pergunta célebre: "um animal que come merda e fode uma vez por ano ri de quê?" Quando souber conto. Está quase.
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7.4.15
6.4.15
Sentidos, corpos
Imagens e sons, porque o que sentes é feito tanto pelo que vês como pelo que ouves.
Faltam o cheiro e o tacto. E o gosto. É para isso que temos corpos.
Faltam o cheiro e o tacto. E o gosto. É para isso que temos corpos.
"BRIO"
"meu avô quando perdeu as terras
ficou rodando com um bando de jagunços
por dois anos o interior do Pará
em busca dos culpados
acabou sozinho e doente
nos fundos de um posto de gasolina
no norte do Mato Grosso
do Sul
dormia numa rede emprestada
pelo dono do restaurante
e passava os dias bebendo
numa mesa do canto
uma vez
espancou um sujeito que
sugeriu que alguém tão calado
devia ter muito que esconder
enquanto batia sua cabeça
contra a quina do balcão
meu avô gritava
"EU TENHO BRIO"
cresci ouvindo essa história
da boca do meu pai
que foi buscá-lo assim que
descobriu seu paradeiro
alguns poemas
simplesmente me chegam por herança"
Fabrício Corsaletti, in Revista Piauí, 102, Março 2015
ficou rodando com um bando de jagunços
por dois anos o interior do Pará
em busca dos culpados
acabou sozinho e doente
nos fundos de um posto de gasolina
no norte do Mato Grosso
do Sul
dormia numa rede emprestada
pelo dono do restaurante
e passava os dias bebendo
numa mesa do canto
uma vez
espancou um sujeito que
sugeriu que alguém tão calado
devia ter muito que esconder
enquanto batia sua cabeça
contra a quina do balcão
meu avô gritava
"EU TENHO BRIO"
cresci ouvindo essa história
da boca do meu pai
que foi buscá-lo assim que
descobriu seu paradeiro
alguns poemas
simplesmente me chegam por herança"
Fabrício Corsaletti, in Revista Piauí, 102, Março 2015
Em louvor das viagens e do amor
A linguagem babeliana do amor é a viagem. Não há "Amo-te" que valha "Estou aqui por e para ti".
A menos que
"Uma das coisas entre mim e Lisete é que não havia o menor resquício de amor, e isso estava longe de ser ruim, pelo contrário, concedia ao sexo uma objectividade implacável; a menos que se chame de amor um desejo e um tesão sem nenhuma tolice romântica para atrapalhar."
Sérgio Sant'Anna, in Lencinhos, O Homem-Mulher, ed. Companhia das Letras
Sérgio Sant'Anna, in Lencinhos, O Homem-Mulher, ed. Companhia das Letras
Beleza, inquietude
"A thing of beauty is a joy for ever:
its loveliness increases, it will never pass
Into nothingness..."
Keats, in Endymion.
Por pouco que se goste do romantismo há que reconhecer-lhe uma clarividência única na história da arte. Fatal, trágica, mas única.
Prefiro o optimismo da Renascença; ou, na música, a profundidade do medieval. Uma profundidade cheia de surpresa, espanto. Inquietude, sem a qual não existe beleza.
its loveliness increases, it will never pass
Into nothingness..."
Keats, in Endymion.
Por pouco que se goste do romantismo há que reconhecer-lhe uma clarividência única na história da arte. Fatal, trágica, mas única.
Prefiro o optimismo da Renascença; ou, na música, a profundidade do medieval. Uma profundidade cheia de surpresa, espanto. Inquietude, sem a qual não existe beleza.
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