30.11.09

Climategate

Espero que isto tenha o eco que merece.

Explicações, debates et al.

Porque é que explicações como esta, que fazem sentido - o que não significa que sejam as melhores opções, claro - e podiam alimentar um debate, só aparecem depois do facto consumado?

"Passagem do tempo"

Esta série seria bem mais animada se o jardim fotografado fosse o Princípe Real.

Poupança

O Governo queixa-se de que com o adiamento da entrada em vigor do novo código contributivo perde 700 milhões de euros. Eu espero que desse montante se possam deduzir os 500 milhões que a ampliação do Terminal de Contentores ia custar.

E com um bocadinho de sorte e de bom senso da parte da oposição o Governo vai ver que ainda acaba a poupar dinheiro.

29.11.09

Conversa de café - Choses qui font rêver

Para além da proibição de construção de minaretes na Suíça estavam em jogo mais votações: uma, cantonal (refiro-me ao cantão de Genève), para a extensão de uma linha férrea entre Genève e a "France voisine" - concretamente, a cidade de Annemasse (ganhou o "sim" à construção); outra, também cantonal, para a construção de um túnel para o tráfico rodoviário por baixo de uma aldeia (ganhou o "sim"); uma, federal, sobre a afectação do imposto sobre o querosene dos aviões (não sei do que se trata, mas na Suíça desde que se toca nos impostos o referendo é obrigatório); e, finalmente, uma iniciativa popular para proibir a Suíça de vender material de guerra ao exterior (ganhou o "não").

Como seria Portugal, se pudéssemos votar o TGV, o aeroporto de Lisboa, os impostos, a CRIL, as árvores do Princípe Real (em Genève aconteceu: a Câmara quis cortar uma dúzia de árvores e houve um referendo local. A Câmara ganhou, mas teve que explicar muito bem, com relatórios de especialistas independentes porque é que era necessário abater as árvores)?

Uma pena

A ler e reler. Aqui.

O Napoleão dos Parques

Não sei se o Zé faz falta ou não, embora tenda mais a crer que não*. Mas lá que as árvores do Princípe Real fazem, disso não tenho dúvidas.

* - Enfim, faz falta à família e aos amigos, como todos nós. Mas à população de Lisboa que não se inscreve nesses dois grupos não faz de certeza.

Jeux de maux

Est-ce qu'un larmoire est une armoire à larmes?

Est-ce qu'une alarme sans larmes en reste une?

Que reste, d'une larme sans arme - elle?

Est-ce qu'une larme peut être désarmante?

Ilha

Às vezes pergunto-me "Será possível ter um bocadinho da tua presença no mar da tua ausência? Uma ilha de ti num oceano sem ti?"

Uma surpresa

Livraria Trama

A Trama celebrou ontem o seu segundo aniversário. Os meus parabéns. Que venham mais vinte.

Pleurer

J'ai envie de pleurer à grosses larmes. Histoire de feindre: que ça sert à quelque chose, qu'il m'en reste encore des larmes, que tu les vois.

Les mots faciles

Écrire n'est guère difficile: il suffit de siffler et les mots viennent, comme des cannards attirés par un leurre en bois. Il viennent, survolent, regardent, méfiants; et finissent toujours par se poser sur la flaque blanche da la page.

Mais ils sont comme les filles trop faciles, ces mots-là: tout le monde s'en sert et personne n'en veut.

Retratos imaginários

Vejo-o muitas vezes, nos cocktails das embaixadas: magro, pequeno, calado, solitário, sempre agarrado a um copo-de-salvação.

Adaptação

Antigamente as senhoras da burguesia que se aborreciam em casa abriam agências de viagem, ou galerias de arte. Os maridos financiavam "o desafio" (ou "a aventura") e não se importavam muito: assim pelo menos elas estavam entretidas e "o desafio" (ou "a aventura") sempre saía mais barato do que um par de cornos artística e sensivelmente colocado por um artista incompreendido, ou pelo homem do leite.

Hoje abrem "lojas gourmet", tascas de dermo-estética ou restaurantes vegetarianos. Apesar do preço de um par de cornos andar pelas ruas da amargura (não é o termo adequado, eu sei) os maridos continuam a não se importar, e a pagar. As mulheres adaptam-se mais depressa à realidade do que os homens.

Retratos imaginários

A pulsão para magoar era mais forte do que a inteligência, ou a fibra moral (ambas consideráveis). Depois apercebia-se da gratuidade da maldade que havia dito, mas como não tinha estrutura mental para o arrependimento - e muito menos, por maioria de razão, para o manifestar - não dizia nada. Aos poucos foi limitando o seu círculo às pessoas a quem não podia magoar - ricos, poderosos, políticos que não admirava (mas tão-pouco invejava: era demasiado arrogante para ser invejoso). As raras excepções serviam-lhe de fusível, ou de caução íntima. No fundo era infeliz, mas - provavelmente porque era uma grande injustiça - ou não o percebia ou se recusava a aceitá-lo.

Retratos imaginários

Era um homem honesto, por falta de imaginação.

28.11.09

Ambição

A ambição é simples - ou melhor, exprime-se simplesmente: "quero escalar o Everest"; "quero dar a volta ao mundo"; "quero ir ao pólo Sul, ou Norte", antes ou mais depressa do que os outros. É simples de explicar.

Deve ser por isso que em Portugal ela é tão mal vista. Nós preferimos as frases complexas: "gostaria de, se não fosse muita maçada, quando, e se, fosse possível - mas francamente, se não for um incómodo - ir a Almada comer caracóis. Se não estiver a chover, claro, e se achar bem. E gostar de caracóis, naturalmente. Mas se não gostar podemos ir a outro lado comer outra coisa".

27.11.09

As mulheres e o amor

As mulheres preferem amar a ser amadas. Enfim, si tant est que "mulheres" existe, claro.

Necrofilia

Deixa-me avisar-te: sou um morto andante. Não te deixes iludir. Amar-me é uma forma de necrofilia.