26.7.26

Diário de Bordos - Portopetro, Mallorca, Baleares, Espanha, 26-07-2026 / II

Almoço com F. A ideia de ir trabalhar para o México no Inverno precisa-se. Como sempre é uma ideia, um embrião de ideia, a sombra de um embrião de ideia. Mas bom: mais vale ter uma ideia, por ténue que seja, do que não ter nenhuma, que são sempre mais fortes. Do México só conheço dois ou três portos na costa do Pacífico e se esta pálida ideia deixar de o ser (pálida, não ideia) irei para Cancún. A ver vamos, como dizia o ceguinho à mulher (que era surda).

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Mais um dia miserável para V. e companhia. Tenho pena das miúdas e dela também. F. diz-me que ela é obsessiva-compulsiva. É possível. Não tenho a certeza. Mas que aquilo é da ordem do patológico é. Como será para adolescentes conviver com um casal daqueles? J. verga a espinha a tudo o que ela diz. Suponho que a massa pingue dali - o pai era armador, aparentemente riquíssimo. Não sei. Custa-me um bocadinho ver um tipo resistir à ditadura da mulher como ele o faz: para a forma e durante milisegundos e penso na minha coluna, que nunca foi muito de se vergar e agora me prega partidas como a deste mês de Junho.

Verdade seja dita: tão pouco gosto de ver mulheres vergarem-se a maridos que não entendem que a coisa mais bonita numa mulher é uma coluna vertebral sólida. Em qualquer pessoa, no fundo. E se essa coluna suportar um cérebro potente, rigoroso, eficaz, «com feitio» e vontade mais bonita é. O resto vem depois.

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Jantar no Can Martina, para variar do Rafa. Gazpacho entre o banal e o bom, serviço lento porque me sentei no «terraço» e estou sozinho. Agora vem um trempó mallorquín. É uma salada com cebola, pimentos e tomate e mesmo banal é boa. Veremos.

O trempó estava óptimo. Na verdade, a única dificuldade daquilo é equilibrar os três ingredientes, tendo estes, naturalmente, sido bem escolhidos. É o caso. A única coisa que me inquieta é ter jantado vegetariano e isso não me inquietar por aí além. Não tarda estou a beber cerveja sem glúten. (Piada privada. Havia um monte delas a bordo e bebi algumas. Agora acabaram, graças a Deus.)

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A noite está fresca e dou graças a Deus. Estamos sem gerador, ou seja: sem ar condicionado. Fui comprar uma bateria nova - as minhas L5 / S1 que me perdoem, mai-la miríade de médicos que me tratou - mas a) não a consegui instalar correctamente, graças à fabulosa imbecilidade (escolho o termo) dos arquitectos do Bali e b) de qualquer forma não creio que o problema viesse dali. Amanhã vem o Manuel, o mecânico cubano que se fosse santo seria o padroeiro dos mecânicos, resolver o problema. E dar à V. mais motivos para se queixar e chatear toda a gente. Coitada: ela está incluída no «toda a gente».

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Continuo sem perceber o que vêm as pessoas fazer para estas ilhas em Julho e Agosto e a não perceber as que não vêm nos outros meses.

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