Ando para aqui a dar voltas ao penico e isto não me sai. Uma das razões é o Paco Ibañez que oiço: nada do que escreverei será melhor. Mas esta não é a única e eu pergunto-me se não é melhor contar a história em linha recta. Começa porque uma senhora que muito aprecio ler me recomendou um músico de rap / hip hop. Comecei a ouvi-lo de vez em quando e gosto bastante - pelo menos do que ouvi até agora. Falta-me contudo perceber o que o homem canta (ou declama). O artista chama-se Kendrick Lamar e parece muito mais sofisticado e complexo do que aquilo que normalmente (não) oiço com etiqueta rap ou hip hop. A ouvir vamos, como dizia o surdo.
Isto dito, o post não arranca porque este desafio - é o termo correcto - me fez pensar em todos os a priori musicais que o tempo, pela voz de várias pessoas, me levou a transformar em novos a priori, exercício ao qual me dedico com deleite e não só na área musical, longe disso.
"Não gosto de jazz", dizia até o M. R. me fazer ouvir jazz. "Não consigo perceber o raio da música electrónica. Podes dar-me um nome que seja uma boa porta de entrada?" pergunto já não sei a quem. "Ouve o Swayzak. Vais gostar". Gosto, muito. Já o amor pela música de Hildegarde von Bingen não precisou de nenhuma pirueta mas isso são contas de outros rosários. Ou as Vésperas de Rachmaninoff, ainda de outros.
Derivo. Depois de amanhã vou poder ouvir o dito Lamar e acompanhar as letras. De uma coisa já estou certo: aquilo é uma fusão de música e poesia como não oiço desde o Leonard Cohen (se bem lhe fique a anos-luz. Isso não é critério. Todos lhe ficam a anos-luz).
O meu ziguezague musical parece mais um labirinto no qual de vez em quando se abre um novo caminho, uma nova bifurcação. É preciso trocar de preconceitos como a lagosta muda de carapaça: para crescer.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.