Não se pode dizer que a coisa aqui esteja preta. Não está. Mas tão pouco está branquinha. Ele é a dor nas costas, a vista que continua a chatear, a concentração que não se concentra. É como se estivesse no meio de uma batalha e não soubesse exactamente para que lado vou cair. Enfim, para que lado eu sei. Só não sei é quando. Estamos fundeados em cala Mitjiana, a outra. Esta é na costa norte de ilha. É uma baía enorme com uma praia pequenina ao fundo. Os clientes falam, eu tento ler, tratar das fotografias e agora escrever. Tudo com pouco êxito. Também tentei dormir uma sesta mas não estou muito à vontade: e se quiserem ir para outro lado? Acordam-me? Ná. Prefiro ir enganando a dor nas costas fazendo-lhe crer que logo vai ter direito à sua dose de comprimidos (vai, menor do que a habitual porque alguns acabaram e outros estão quase). Esta tarde não houve sol. Foi bom, um bocadinho de frescura. Agora está quase a reaparecer. A temperatura já subiu, a térmica foi-se e só temos um mar residual, mal se sente. Amanhã volto para Palma, pago a renda e vou comer ao 7 Machos. Ou seja: amanhã nada de opióides. Quero beber cerveja sem pensar nos efeitos aterradores da mistura daqueles com esta - pelo menos é o que dizem as bulas, consultadas em papel e na net. Verdade seja dita, já o fiz. Mas sou adepto daquele velho ditado segundo o qual púcaro que vai muitas vezes à fonte um dia deixa lá metade.
Enfim, isto é uma questão em aberto: esta rampa vai continuar a descer sem parar ou vai voltar a subir? Estatisticamente ainda tenho dez anos de vida e não vejo grande vantagem em vivê-los neste estado. Por outro lado, também não vejo grande benefício em não os viver. Não ver os meus netos crescer como não vi os meus filhos não me parece uma ideia atractiva por aí além.
Parece uma vida aos bocados, não parece? Puzzle ao qual faltam peças e agora é tarde para as procurar.
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Para a semana haverá pouco trabalho, com o tempo que aí vem a partir de quarta ou quinta-feiras. Pode ser que consiga dedicar-me às cantigas, que tanto quero fazer. Os gajos do totomilhões não ligam nenhuma aos meus planos, está visto. Bem podiam dar-me um adiantamentozito, eu prometo que voltarei a comprar aquilo quando chegar a Portugal. Se os meus impulsos altruístas se mantiverem, claro, qu'isto de ajudar os pobres tem limites. Sejam eles portugueses ou togoleses. Enfim, filantropia um pouco egoísta, desconfio. Não é porque as probabilidades de ganhar alguma coisa são infinitamente inferiores às de ajudar quem precisa que se deve deixar de jogar.
Para a semana haverá pouco trabalho, com o tempo que aí vem a partir de quarta ou quinta-feiras. Pode ser que consiga dedicar-me às cantigas, que tanto quero fazer. Os gajos do totomilhões não ligam nenhuma aos meus planos, está visto. Bem podiam dar-me um adiantamentozito, eu prometo que voltarei a comprar aquilo quando chegar a Portugal. Se os meus impulsos altruístas se mantiverem, claro, qu'isto de ajudar os pobres tem limites. Sejam eles portugueses ou togoleses. Enfim, filantropia um pouco egoísta, desconfio. Não é porque as probabilidades de ganhar alguma coisa são infinitamente inferiores às de ajudar quem precisa que se deve deixar de jogar.
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Voltámos para cala Guya. É porreira. Poucos barcos e muito espaço. Pouco vento e uma óptima atmosfera a bordo. É como digo: a coisa aqui não está preta.
Voltámos para cala Guya. É porreira. Poucos barcos e muito espaço. Pouco vento e uma óptima atmosfera a bordo. É como digo: a coisa aqui não está preta.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.