18.9.26

Diário de Bordos - Vilarelho, Alto Minho, Portugal, 18-09-2026

Ontem decidi ir ver o preço da Btwin nova. O dobro do que dei por ela. E eu este tempo todo a pensar que a paguei demasiado caro. 

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O meu chapéu Fernández y Roche suscita muitos piropos na rua. É coisa a que já me habituei. Vêm de homens e mulheres. Porém, recentemente tive um elogio inesperado. Um desses senegaleses que andam pelos bares e pelos restaurantes a vender bugigangas disse-me que gostava do chapéu e mo comprava. Respondi-lhe que não, obrigado. Ele insistiu, o diálogo prolongou-se um bocadinho (sempre em termos corteses). No dia seguinte, de manhã, cruzo-me com ele na baixa (de Palma) e hey, signore, a coisa recomeça. Não cedi, claro, mas apreciei a persistência do homem. O raio do chapéu é bonito, nada a fazer. Tenho suores frios, tremeliques e outras manifestações cada vez que imagino que um dia o perderei.

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Casa: reaproprio-me dela, reaprendo-a. Sou o nómada mais sedentário do mundo ou o sedentário mais nomádico. Mais provavelmente, os dois: um marinheiro é tudo e o seu contrário. 

Música, livros, papéis, loiças, roupas, fotografias nas paredes, móveis e respectivas peças decorativas, tapetes... Uma casa não é um vida mas é o que mais se lhe assemelha. 

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Domingo vou ao teatro ver uma sobrinha da L. Faz-me tanta falta (o teatro)... Ainda me lembro da primeira peça que vi: Fuenteovejuna, pelo TEC em Lourenço Marques. Fui com o meu Pai, que saiu de lá escandalizado e arrependido de me ter levado. Cito muito o início: "A cada minuto que passa o perigo aumenta." Os actores estavam espalhados pela sala e aquela frase começou como um murmúrio e foi aumentando de nível. Impressionou-me bastante. Regra geral acho o teatro português fraco. Com excepção do Teatro Meridional, aonde só tenho agradáveis surpresas - e da minha querida I. L., claro.


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