17.9.26

Cavaleiros do asfalto

Hoje vim de Caminha para Viana do Castelo de bicicleta. O passeio é agradável, sem grandes subidas nem descidas e permitiu-me verificar um fenómeno português extremamente interessante: nas nossas estradas, os sinais com números que em todo o lado se associam a limites de velocidade máxima indicam velocidades mínimas. Como em Portugal é obrigatório ter aulas de condução fornecidas por escolas autorizadas e certificadas para o efeito, depreendo que essas escolas já tenham integrado essa peculiaridade e a transmitam aos seus alunos com diligência.

Além disso, deduzi que deve haver um prémio para os condutores que circulem ao dobro da velocidade mínima indicada nos sinais. Parece-me bem. Esta coisa de um gajo gastar uma pipa de ordenados num automóvel e depois não ganhar nada por mostrar a outrém o poder que tem na ponta do pé direito é um abuso e, nestes tempos de combustível caro, uma injustiça. O Estado ou, no seu lugar, a associação nacional das vítimas de acidentes rodoviários deve compensar os nossos cavaleiros do asfalto e ajudar nos custos da gasolina (ou gasóleo. Os eléctricos não entram neste campeonato).

Por outro lado, os nossos condutores - que é pouco provável serem imigrantes e muito serem portugueses - merecem um prémio porque matando e morrendo nas estradas ajudam a compensar a entrada desses mesmos imigrantes. Mais um esforço, meus caros automobilistas. Ainda há uma enorme discrepância entre as entradas por avião ou lancha rápida e as mortes na estrada. Façam um esforço, bolas. Mostrem que as têm!

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