Penso no medo e de como é importante para a sobrevivência. Sem ele não não se vive. Com ele tão pouco: o medo paralisa. Daqui passo para alguns dos arraiais de porrada que apanhei no mar: não é durante a tempestade que temos medo. É depois. Durante o temporal está-se demasiado ocupado, não há tempo para receios - estratégia de sobrevivência, claro. A natureza conhece o poder incapacitante do medo.
A associação de ideias prossegue e continua para a quantidade daquilo a que hoje chamo idiotices que fiz no mar: os passeios na retranca para rizar, as vezes em que voltei para bordo agarrado à escota da grande, os trabalhos no bico da proa - tudo sem arnês. Hoje continuaria a não o pôr (o medo aguça o engenho, não gosto de me sentir preso e sobretudo execro a ideia de ser arrastado pelo barco e não conseguir subir) mas penso que essas asneiras me ensinaram a ter medo de mim próprio, talvez o mais útil de todos os medos.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.