Dizem que temos de aumentar as exportações. A verdade é que nós já exportamos o que temos de melhor: pessoas. Às centenas de milhar.
30.9.10
Selvajaria injusta.
Só não percebo porque é que a lei dos mercados só é selvagem com certos países e não com outros.
"Com o travo amargo da injustiça de, apesar de fundamentais reformas feitas ainda antes de todos os outros países e da crise eclodir, nos acharmos hoje neste “estado de necessidade” pela selvajaria da lei dos mercados, que esta UE dominada pela direita neo-liberal não tem querido controlar."
(Via O Insurgente)
"Com o travo amargo da injustiça de, apesar de fundamentais reformas feitas ainda antes de todos os outros países e da crise eclodir, nos acharmos hoje neste “estado de necessidade” pela selvajaria da lei dos mercados, que esta UE dominada pela direita neo-liberal não tem querido controlar."
(Via O Insurgente)
Jornal de Notícias
O Jornal de Notícias de hoje tem quatro excelentes artigos: os de Pedro Lains; Marina Costa Lobo; Nuno Garoupa e (como sempre) Camilo Lourenço.
Eu renuncio
Neste momento de aflição em que todos temos de dar as mãos e deixar de olhar só para o nosso umbigo, correspondo ao apelo de quem nos governa e de quem apoia quem nos governa, faço pública parte da lista do que o Estado criou e mantém para minha felicidade, e de que de estou disposto a patrioticamente prescindir.
Assim:
Seria fastidioso alongar-me nas coisas que o Estado criou para o meu bem estar e que me disponho a não mais poder contar. E lanço um desafio aos leitores do 4R : renunciem também! Apoiemos todos, patrioticamente, o governo a ajudar o País nesta hora de aflição. Portugal merece.
Assim:
- Renuncio a boa parte dos institutos públicos criados com o propósito de me servir;
- Renuncio à maior parte das fundações públicas, privadas e áquelas que não se sabe se são públicas se privadas, mas generosamente alimentadas para meu proveito, com dinheiros públicos;
- Renuncio a ter um sector empresarial público com a dimensão própria de uma grande potência, dispensando-me dos benefícios sociais e económicos correspondentes;
- Renuncio ao bem que me faz ver o meu semelhante deslocar-se no máximo conforto de um automóvel de topo de gama pago com as minhas contribuições para o Orçamento do Estado, e nessa medida estou disposto a que se decrete que administradores das empresas públicas, directores e dirigentes dos mais variados níveis de administração, passem a utilizar os meios de transporte que o seu vencimento lhes permite adquirir;
- Renuncio à defesa dos direitos adquiridos e à satisfação que me dá constatar a felicidade daqueles que, trabalhando metade do tempo que eu trabalhei, garantiram há anos uma pensão correspondente a 5 vezes mais do que aquela que eu auferirei quando estiver a cair da tripeça;
- Renuncio ao PRACE e contento-me com uma Administração mais singela, compacta e por isso mais económica, começando por me resignar a que o governo seja composto por metade dos ministros e secretários de estado;
- Renuncio ao direito de saber o que propõem os partidos políticos nas campanhas pagas com milhões e milhões de euros que o Estado transfere para os partidos políticos, conformando-me com a falta de propaganda e satisfazendo-me com a frugalidade da mensagem política honesta, clara e simples;
- Renuncio ao financiamento público dos partidos políticos nos actuais níveis, ainda que isso tenha o custo do empobrecimento desta democracia, na mesma mesmísisma medida do corte nas transferências;
- Renuncio ao serviço público de televisão e aceito, contrariado, assistir às mesmas sessões de publicidade na RTP, agora nas mãos de um qualquer grupo privado;
- Renuncio a mais submarinos, a mais carros blindados, a mais missões no estrangeiro dos nossos militares, bem sabendo que assim se põe em perigo a solidez granítica da nossa independência nacional e o prestígio de Portugal no mundo;
- Renuncio ao sossego que me inspira a produtividade assegurada por mais de 230 deputados na Assembleia da República, estando disposto a sacrificar-me apoiando - com tristeza - a redução para metade dos nossos representantes.
- Renuncio, com enorme relutância, a fazer o percurso Lisboa-Madrid em 3h e 30m, dispondo-me - mesmo que contrariado mas ciente do que sacrificio que faço pela Pátria - a fazer pelo ar por metade do custo o mesmo percurso em 1 h e picos, ainda que não em Alta Velocidade.
- Renuncio ao conforto de uma deslocação de 50 km desde minha casa até ao futuro aeroporto de Lisboa para apanhar o avião para Madrid em vez do TGV, apesar da contrariedade que significa ter de levantar voo e aterrar pertinho da minha casa.
- Renuncio a mais auto-estradas, conformando-me, com muito pena, com a reabilitação da rede nacional de estradas ao abandono e lastimando perder a hipótese de mudar de paisagem escolhendo ir para o mesmo destino entre três vias rápidas todas pagas com o meu dinheiro, para além de correr o triste risco de assistir à liquidação da empresa Estradas de Portugal.
Seria fastidioso alongar-me nas coisas que o Estado criou para o meu bem estar e que me disponho a não mais poder contar. E lanço um desafio aos leitores do 4R : renunciem também! Apoiemos todos, patrioticamente, o governo a ajudar o País nesta hora de aflição. Portugal merece.
Talkie talkie
Em Portugal andamos há anos a falar do hipercluster do mar (que é uma grande ideia, de resto). Na Polónia falam menos, muito menos.
Se por acaso
Desmitos.
A Douta Ignorância.
A Douta Ignorância.
Eu não sou economista e foi a primeira coisa que pensei. É bom ver um achismo confirmado.
Imprecisão
“O povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre”. Almeida Santos devia ter acrescentado "e os seus amigos". Ficaria assim: "O povo tem que sofrer a crise como o Governo e os seus amigos a sofrem".
Mas forçoso é reconhecer que já é um grande passo em frente, o que o senhor disse.
Mas forçoso é reconhecer que já é um grande passo em frente, o que o senhor disse.
29.9.10
Náuseas
Vi o homem na televisão e fiquei um bocadinho nauseado. Citando um post no FB (não sei linkar): "Afinal de contas ainda descobriu uns quantos milhões do lado da despesa. Não se percebe é porque andou este tempo todo em estado de negação e agora aparece com o semblante grave como se carregasse o mundo às costas para nos salvar do abismo. Carrega a sua arrogância e as suas asneiras, o que só por si não é nada leve. Onde é que andarão as políticas de investimento público que tanto jogou à cara da MFL."
Pergunto-me como é que os Jugulares, Abrantes et al. vão reagir.
Pergunto-me como é que os Jugulares, Abrantes et al. vão reagir.
Desilusão
Espero, sinceramente, que Passos Coelho me desiluda uma vez mais e mantenha o que diz. Far-me-ia mudar a fraca opinião que tenho dele - para melhor, claro. É sempre bom descobrir que estamos enganados.
Mas acredito pouco, infelizmente.
Mas acredito pouco, infelizmente.
Hoje na rua
Hoje na rua vi bandos de estudantes com latas aos pés a pedir dinheiro para penicos de plástico. Eram caloiros e aquilo faz, aparentemente, parte da praxe. Eu não percebo como é que jovens adultos aceitam participar em práticas degradantes, humilhantes, rídiculas e confrangedoras; e em rebanho, ainda por cima. É inquietante.
Hoje na rua vi um senhor dos seus 60 anos com uma saia de jeans e saltos altos. Vinha acompanhado pela mulher, creio; pelo menos parecia. Pensei "é a primeira vez que vejo um homem de saias", e ocorreu-me imediatamente que não é: há uns anos em Genève e em Zürich apareciam ocasionalmente. A diferença é que eram jovens. Ou seja: hoje vi pela primeira vez um homem de 60 anos com saias e saltos altos. Não foi fácil. A relação do liberalismo com o hábito é muito mais tensa do que pensamos.
Hoje na rua vi prédios num estado de degradação inacreditável. Mas isto vejo todos os dias; estranho é que ainda os veja, e ainda me revolte.
Hoje na rua vi um senhor dos seus 60 anos com uma saia de jeans e saltos altos. Vinha acompanhado pela mulher, creio; pelo menos parecia. Pensei "é a primeira vez que vejo um homem de saias", e ocorreu-me imediatamente que não é: há uns anos em Genève e em Zürich apareciam ocasionalmente. A diferença é que eram jovens. Ou seja: hoje vi pela primeira vez um homem de 60 anos com saias e saltos altos. Não foi fácil. A relação do liberalismo com o hábito é muito mais tensa do que pensamos.
Hoje na rua vi prédios num estado de degradação inacreditável. Mas isto vejo todos os dias; estranho é que ainda os veja, e ainda me revolte.
O governo fedorento dos gatos
Há dias vi, creio que no Facebook, alguém a perguntar "onde andam os Gatos Fedorentos?". A resposta é: estão no governo.
"Documentação exigida aos pastores transumantes e a entregar quase exclusivamente pela net:«Para a instrução do licenciamento da área de pasto, cada produtor tem de entregar um formulário com descrição exaustiva da actividade e da exploração pecuária, a caracterização da Parcela Valorização Agrícola (gestão dos efluentes pecuários), uma Declaração de Responsabilidade Sanitária, uma Declaração de Responsabilidade pelos Animais e uma Declaração do Produtor (do proprietário da exploração onde se localizam os pastos). (…) Além destes documentos, cada o pastor está também obrigado a manter um registo de existências e deslocações, actualizado semanalmente, e onde devem constar, entre outros elementos, uma planta em escala não inferior a 1:25.000, indicando a localização das instalações da actividade pecuária e abrangendo um raio de um quilómetro, com a indicação da zona de protecção e da localização de outras edificações envolventes.»"
"Documentação exigida aos pastores transumantes e a entregar quase exclusivamente pela net:«Para a instrução do licenciamento da área de pasto, cada produtor tem de entregar um formulário com descrição exaustiva da actividade e da exploração pecuária, a caracterização da Parcela Valorização Agrícola (gestão dos efluentes pecuários), uma Declaração de Responsabilidade Sanitária, uma Declaração de Responsabilidade pelos Animais e uma Declaração do Produtor (do proprietário da exploração onde se localizam os pastos). (…) Além destes documentos, cada o pastor está também obrigado a manter um registo de existências e deslocações, actualizado semanalmente, e onde devem constar, entre outros elementos, uma planta em escala não inferior a 1:25.000, indicando a localização das instalações da actividade pecuária e abrangendo um raio de um quilómetro, com a indicação da zona de protecção e da localização de outras edificações envolventes.»"
28.9.10
Discutir, opinião, gosto
De qualquer forma, se não discutirmos opinões e gostos, o que discutimos? O que comparamos, quando não comparamos opiniões?
Raban
Prometi que escrevia um texto sobre Passage to Juneau, de Raban. Ainda não o fiz: não é por preguiça, é por realismo.
Negação
Há pessoas que não gostam de lavar a loiça; não posso deixar de as admirar (e lamentar, de certa forma): um gajo não faz outra coisa senão lavar loiça. Melhor seria gostarem.
Firmeza
João Galamba, um deputado socialista que, no voto de condenação da França no caso da expulsão dos ciganos preferiu abandonar o Parlamento a votar contra as indicações do seu partido fala, neste post, de firmeza.
Firmeza. Repare-se: ele podia ter ficado e acatado as ordens, porque concordava com elas; ou votado contra, como Sérgio Sousa Pinto. Não: preferiu ser firme e abandonar a sala.
Firmeza. Isto num jovem de pouco mais de 30 anos que está a começar a sua vida política.
Firmeza. Se fosse ele esquecia essa palavra, e todos os seus sinónimos.
Firmeza. Repare-se: ele podia ter ficado e acatado as ordens, porque concordava com elas; ou votado contra, como Sérgio Sousa Pinto. Não: preferiu ser firme e abandonar a sala.
Firmeza. Isto num jovem de pouco mais de 30 anos que está a começar a sua vida política.
Firmeza. Se fosse ele esquecia essa palavra, e todos os seus sinónimos.
Pelos púbicos femininos: uma perspectiva política (e saudosista)
Que saudades tenho dos pelos púbicos das senhoras de esquerda (não é preconceito, é estatística) que os usavam, sem ofensa, como as francesas em geral e as alemãs alternativas usavam os dos sovacos. Aquelas magníficas vistas de densas florestas tropicais, onde hoje, à direita, só há planícies (vá lá, colinas) lindas, mas lisas, escanhoadas; savanas.
Insónias
A vantagem de uma insónia urbana sobre uma campestre é que a primeira tem, normalmente, uma boa solução na rua ao lado.
27.9.10
Elegância
Nada é mais elegante, mais indispensável, do que uma deselegância propositada, uma deselegância vinda de alguém que sabemos elegante, fino, gracioso.
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