4.2.12

Planos desafinados

Quando nunca nada corre como planeado mais vale afinar o plano.

Não esquecendo a máxima dos nossos amigos ingleses: you've got to have a plan, if you want to be able not to follow it.

O Estado da bondade

Há pessoas, malvadas, que duvidam da bondade do Estado. Confesso que não percebo. Todos os dias temos magníficos exemplos da sua bondade, da sua generosidade, da largueza e magnificência com que usa o nosso dinheiro.

As pessoas que pensam que o Estado é imprescindível rejubilam, imagino, com notícias destas.

 "BCP vai recorrer a dinheiro do Estado para se recapitalizar"

3.2.12

Jardim

Um jardim é uma coisa misteriosa. Tem uma vida debaixo da vida que se vê. Conheço pessoas que olham para um jardim e conhecem os nomes todos das espécies todas que se vêem; mas mesmo para essas pessoas o jardim é misterioso.

Não basta dar nomes às coisas para que o seu mistério desapareça - às vezes, antes bem pelo contrário, um nome acresce o mistério das coisas, amplia-o, aprofunda-o. Todos os jardins são habitados por demónios e por anjos (também há lagartixas, claro, minhocas e aves; gatos e ratos; mas demónios e anjos são os principais habitantes de um jardim, sobretudo se tiver vista para o mar, para um vulcão ou para sul, que é o lugar para onde se deve viajar no inverno).

Há jardins sem vento, muito lineares e simétricos; não é desses que eu gosto. Gosto de jardins que deixem entrever a função do acaso, de jardins acometidos por demónios, de jardins onde os anjos não estejam completamente à vontade. Um jardim sem demónios é como um homem sem eles. E um homem sem demónios é uma piscina vazia.

Claro que há piscinas e piscinas, como há demónios e demónios, anjos e anjos. Nem todos os anjos são bons, nem todos os demónios.

Gosto de jardins onde o vento venha de passeio e se sinta em casa; gosto de flores que crescem num jardim como se fossem livres. Gosto desta mistura de vento, mar, flores, árvores, lagartixas, aves, anjos e demónios a que por vezes chamamos jardim; e outras chamamos vida.

Oportunidades e Diário da República

O mundo dos mega-iates é um nicho de mercado que os produtores portugueses ignoram. É doloroso ver chandlers, supermercados, lojas propor produtos - vinhos, comidas, enlatados - de todo o mundo menos, ó surpresa, portugueses.

Os nossos empreendedores gastam mais tempo a ler o Diário da República do que a explorar novos mercados. Há excepções, claro, mas são isso mesmo - excepções.

Talvez o Estado devesse atribuir uma subvençãozita para que os produtores portugueses comprem um bilhete de avião de vez em quando - primeira classe, claro, que pessoas sérias não andam em económica -  e venham ver como é o mundo fora dos gabinetes dos chefes de gabinete.

É de certeza por causa dos respectivos estados que se encontram vinhos espanhóis, franceses, chilenos, italianos, americanos, australianos, argentinos e nem uma mísera garrafa de vinho português. Ou então os produtores desses vinhos não sabem fazer contas e andam a perder tempo em mercados "de nicho", pequenos e sem interesse enquanto os nossos se dedicam a coisas realmente lucrativas. Como ler o Diário da República, por exemplo. Deve ser isso. 

O acordo e os tomates

Não tenho uma posição muito definida, ou muito definitiva, quanto ao Acordo Ortográfico - penso que um acordo talvez seja útil, não sei; e que este acordo é aberrante - mas tenho uma, muito boa, sobre tomates.

(Isto para não mencionar o gozo, ou tristeza, que dá ver a esquerda criticar a desobediência, ou autonomia, ou verticalidade, coerência, independência - enfim, aqueles valores todos que todos nós ouvimos durante décadas serem exclusivos da esquerda.)

31.1.12

Uma idiota

Aquela Merkel deve realmente ser idiota. Ora vejam aqui, e aqui.

Reedição

"Já aqui deixei vários posts sobre o silêncio, que é uma coisa nobre e apreciável, e o não-dito, exactamente o contrário: cobarde, indigno, mal educado. Portugal é um país de não-ditos, mas não é um país de silêncios.

Esta verdade simples e, para mim, linear não deixa nunca de me magoar, apesar de a conhecer há anos e de cor. Tudo o que não compreendemos nos magoa (enfim, falo pelas almas sensíveis e frágeis como a minha).

Não consigo compreender como é que um povo (ou pelo menos uma burguesia) tão bem educada, tão cheia de chichis e cocós e maneiras e chás e saber viver e pergaminhos e mais meia dúzia de que os pariu não percebe que é preferível dizer uma má notícia, ou "não", ou seja o que for a ficar calado.

E o pior é que não quero perceber."

Isto é e vai ser um eterno espanto. Não consigo perceber bem se a razão deste comportamento é cobardia ou sadismo, se uma estranha mistura dos dois.

"Ladies Night"

Há muito tempo que não ficava de boca aberta a ouvir um guitarrista.

Espuma dos dias

O Metropolitano de Lisboa não aceitou publicidade para uma rede social de homosexuais. É a espuma do dia.

Retrógrado, patético, credo o que por aí fora vai. Pergunto-me como seria se a publicidade fosse a uma associação que defendesse as mulheres na cozinha, que os animais não são pessoas ou que entre Hitler e Staline venha o diabo e escolha.

O princípio básico, simples, primário de que o Metropolitano de Lisboa tem o direito de aceitar a publicidade que quer seria, como dizer?, respeitado, aposto.

30.1.12

Soberania

Diário de bordos - 300112

Ontem fomos à praia. Era domingo e estava cheia:


Felizmente o meu conceito de praia é mais este:



O meu médico aconselhou-me a cerveja; eu tentei, naturalmente (sou naturalmente obediente). Mas a cerveja é má e custa 8 EC (East Caribbean Dollars, cerca de 2,20 euros); o rum punch é óptimo e custa 7 EC (1,95). Sou obediente, mas também sou um teso e optei, com algum espírito de sacrifício, pelo rum.

A T. cantou Fever (não há fotografias). Tem uma voz linda e canta muito bem, afinada. Hoje vai haver uma festa no pontão e vamos lá. Vai aprender sea shanties, a forma de folclore de que mais gosto, vá lá saber-se porquê.

Quando voltámos da praia estava a escurecer. O mastro do MIRABELLA V sobressaía da verdura.



Fomos jantar ao Road Runner. Eles agora fazem lasagna, que comemos em vez de pizza. Também é deliciosa.

(Fotografia de TVP.)
(Fotografia de TVP.)
Ou seja: os dias continuam triviais. Por vezes temos convidados para o jantar:


A confecção é um bocadinho artesanal. A cozinha é ao ar livre, e quando chove temos de a proteger.


Outras vezes damos passeios. Despedi-me da Ondeck por uma questão de números (ou melhor, de relação entre eles - trabalhava mais do que ganhava) e tenho tempo disponível.

(Fotografia de TVP).
Isto é em Catamaran Marina, do outro lado de Falmouth Harbour. (Já viram o efeito que um mastro de madeira faria aqui?)

No Reef Gardens temos um cão disfarçado de gato. Mas disfarça muito mal.


(Fotografia de TVP.)
Visto de fora parece um gato, mas na realidade é um cão.

(Fotografia de TVP.)

Os dias são bons, e passam muito depressa. Ontem era Natal; hoje está Janeiro a acabar. Gostaria de ser um bocadinho menos feliz, para o tempo passar devagar. Mas só um bocadinho, claro.

 

(Para a Helena, com muitas fotografias como ela pediu.)

28.1.12

Algumas verdades simples

Aqui.

Diferenças

O não-dito magoa, fere, faz mal; o silêncio ajuda, cicatriza, faz bem.

O não-dito afasta as pessoas, releva a distância entre elas; o silêncio é uma ponte.

Fantasmas,

A ler aqui.

27.1.12

Parem, olhem e pensem

À atenção das empresas portuguesas. Seria talvez tempo de começarem a olhar para a vela com olhos de pensar.

Ditados populares

O saber não ocupa lugares.

25.1.12

Sorte

Cavaco Silva mete o pé na argola, de novo. Não é a primeira vez e não será provavelmente a última. Alguém num blogue que li recentemente espantava-se com a quantidade de baba que por essa esquerda fora corre, com a amplidão dos gargarejos.

Não há melhor indício de que as coisas vão melhorar.

23.1.12

Passado, futuro

"O teu passado é do tamanho do meu futuro".