23.2.17

Uma, milhões

Hoje fui encomendar livros de Hildegarde von Bingen. Há uma biblioteca deles traduzidos em francês, coisa que desconhecia.

Uma entre milhões.

Pergunta simples

Actor errado no papel certo ou actor certo no papel errado?

Diário de Bordos - Genève, Suíça, 23-02-2017

Já por aqui andei, não é? O mesmo cenário filme diferente. As mesmas personagens mas não os mesmos papéis.

O tempo não é mesmo. Está calor. Encontro-me na situação bizarra de não ter roupa adequada porque não está frio. Esperemos que a meteorologia tenha razão e ele volte depressa. Esperemos que o tempo não seja o mesmo e não se ponha a andar para trás. Esperemos tudo isso e muito mais, esperemos mais de tudo, esperemos isso, só isso: que o tempo não seja o mesmo.

Os paraísos e os erros não se repetem, por mais que nos enganemos ou tentemos.

21.2.17

Perguntas para os novos tempos

"Amazon crée des emplois par milliers" diz o jornal Le Temps, sucursal suíça do Le Monde e quase tão bom (e tão de esquerda, mas isso agora é irrelevante).

Como uma parte do crescimento da Amazon se deve a robots vai ser interessante ver como seriam estes taxados (ou serão. As más ideias têm uma capacidade de sobrevivência muito superior às boas, por razões mais ou menos fáceis de explicar).

PS - Curiosamente escrevo isto enquanto vejo no canal Mezzo um ballet com um robot. Espero que este pelo menos seja isento.

PPS - Afinal são muitos robots. Devo acrescentar que a peça é magnífica. Sublime. Enfeitiçante. Se isto é o futuro quero ir para lá agora.

PPPS - Enfim, uma pequena correcção: o tempo em que os artistas eram "futuristas", "pró-futuro" e por aí  fora já foi. Não é de hoje. Melhor esperar pelo fim da peça (o futuro nunca acaba).

PPPPP etc. - A peça chama-se Robot, é de 2013 ou 14 e de Blanca Li e eu juro que nunca mais reclamo contra os grandes ecrãs de televisão. Nem sequer contra a televisão, desde que tenha o canal Mezzo. (E vou começar a prestar mais atenção à dança, mas isso é outra história).

Sabor do mês

Um dos sabores do mês é a taxação de robots (o outro é o Rendimento Universal Garantido, mas esse fica para depois).

- O que é um robô? As máquinas de lavar roupa e loiça e as torradeiras e os fogões eliminaram postos de trabalho das empregadas domésticas. Vamos taxá-los?
- Qual é a base para se saber quantos postos de trabalho foram eliminados? O séc. XIX? XX? XXI?
- Como saber quais os postos de trabalho que foram eliminados por robots e os que foram eliminados por sei lá, reorganização dos métodos de produção ou evolução da procura?
- Já agora: um robot elimina certos postos de trabalho e cria outros. Estes podem ser deduzidos dos impostos?

E que tal pensarem em reorganizar a base fiscal, introduzir uma flat rate e diminuir os impostos em vez de os aumentar?

20.2.17

Diário de Bordos - Genève, Suíça, 20-02-2017

Três dias seguidos de sol em Genève a meio de Fevereiro. Não tarda é Verão. Quem o disse deliciosamente bem foi a apresentadora da meteorologia na TV: "temperaturas doces", começou. "On a frôlé les treize degres". Não digo que roçámos os treze graus para não parecer mal, mas a ideia é essa. Depois continuou "E amanhã de manhã as boas notícias continuam: temperaturas positivas ao sair de casa".

Estamos, diz a senhora - uma morenaça com quem qualquer homem gostaria de roçar os treze graus e acordar positivo de manhã - que estamos três a quatro graus acima da média da época. Acho bem. Aprovo e agradeço ao anticiclone dos Açores, a quem devemos tanta e tão rara simpatia.

Claro que média significa isso mesmo: média. Às vezes está por baixo outras por cima. Compensa o por baixo que esteve em Lisboa em Dezembro, que bastante frio rapei.

Enfim, toujours est-il que aproveitei e fui turistar por essa cidade fora, cadela pela trela.

O bicho é simpático, calmo e bem-educado. Não chateia. E aqui deixam entrar os cães nos cafés, de maneira pude parar na Livresse (pausa voluntária) e na Ferblanterie (forçada).

Nunca pensei que um mês custasse tanto. Deve ser por causa da média.
Custar não é o termo. É: fosse tão difícil.

Ou então é incapacidade minha. Deve ser isso. A minha ansiedade sofre com o anticiclone dos Açores: espalha-se ele e ela com ele, coitado, não fosse ficar para ali sozinho a desviar as depressões.

Tristeza neoliberal

Os robots vão chegar em breve. Ou já chegaram, mais correctamente. Qual é a conversa do dia? Como aumentar os impostos.

Que tristeza de mundo. E ainda há quem fale na vitória do "neoliberalismo".

Ainda bem

Durante muitos anos reclamei com os EUA porque estavam a ser governados por juízes e advogados.

Chegou a hora de dizer "Ainda bem!"

17.2.17

Não se admirem

Isto devia ser um acto de contrição. Foi pelo menos essa a intenção original.

Mas depois transformou-se num verdadeiro espanto: acabo de gastar trinta e cinco euros numa Carbonara sofrível e dois dedais (aqui conhecidos por copos ou balões) de vinho tinto e nem um sobressalto, nem uma piada ao empregado, nem um esgar de horror.

Como se fosse normal. Como se depois disto a Terra fosse continuar impávida a sua trajectória em torno do Sol e a Lua em torno dela e os três em torno do eixo da Galáxia. Por amor de Deus. Se amanhã for guilhotinado não se admirem. Ou aparecer um eclipse inesperado da Lua.

PS - E isto no italiano mais barato de Carouge.

Aleph, Genève

Genève é um Aleph geográfico.

"Estás a falar porque queres"

[Na Escola Náutica quando queríamos mandar calar alguém dizíamos "estás a falar porque queres"].

Há pessoas que escrevem porque querem. Que coisa mais estranha. É como querer cagar.

Alguém "quer" cagar? Não, claro. Caga-se porque se  tem de, não por vontade: cheira mal, dá um trabalhão a limpar, não se pode fazer em qualquer sítio. Uma merda, cagar. Como escrever.

Ordem inversa, Hildegarda

As probabilidades de voltar a acreditar em Deus (uma crença que abandonei aos doze anos de idade) são poucas.

Mas se um dia isso voltasse a acontecer haveria uma razão só e só uma. Uma escada, se quiserem. Porta. O que quer que seja. Chama-se Hildegard von Bingen, Santa Hildegarda para os íntimos (dos quais não sou).

Até lá canto laudas ao absinto e à dor (ordem inversa). 

Mais uma pequena nota à margem

Um daqueles dias de nortada indignada, vingativa, a fazer-nos pagar o bom que tinha sido o dia de ontem na praia, a noite de amor que se lhe seguiu - na verdade começara na esplanada do bar nas dunas -, o pequeno-almoço numa esplanada do Paredão.

Tudo isso se desvaneceu com esta nortada fria, agreste, mordente, que nos separou para sempre: tu não gostas de vento e eu sem ele não sei viver.

Pequena nota à margem

Ninguém se apercebeu - pelo menos das pessoas com quem falo quotidianamente (isto é, ninguém) - do alongamento quase felino dos dias. São seis horas da tarde e há luz como se a noite fosse uma invenção. Não é, eu sei. Daqui a pouco, quando sair da Livresse com um pastis ou dois bebidos, saboreados e agraciados será noite.

16.2.17

Diário de Bordos - Genève, Suíça, 16-02-2017 (mais uma receita de frango com tahine e gengibre e uma crise de pieguice saloia)

Telejornal num canal francês (público, caso interesse).

Antes disso: ouvir Hollande falar de "exemplaridade" (exemplarité, no original) referindo-se a Fillon vai ficar-me na memória para todo o sempre, espero.

Mas depois pergunto-me porque raio de carga de água estes estúpidos destes franceses, idiotas, fazem telejornais que abrem com notícias importantes e não com futebol, falam sucintamente de um tema e e ilustram-no correcta e brevemente com imagens, falam de temas importantes como um pedido proteccionista de três países europeus à Comissão Europeia (a Alemanha, a França e a Itália), fazem reportagens boas, sucintas, informativas sobre a castanha de caju ou a estação de ski mais barata da Europa (chama-se Basko e fica na Bulgária, caso haja interessados).

Cereja no bolo: ontem Macron disse une connerie sobre a colonização francesa (chamou-lhe "crime contra a humanidade"). Hoje isto é tema, claro. Mas o mais bonito é que o debate se alarga a "que tipo de história devemos ensinar nas nossas escolas? Uma história realista, ou uma história que nos valorize?"

Não é uma questão de civilização, estúpido. É cultura. É respeito. É savoir-faire. É um monte de coisas que por qualquer razão estão ausentes das televisões nacionais.

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A dor de cotovelo acentua-se de tal maneira que hoje fui a duas farmácias. Duas. A continuar assim acabo no médico.

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Se alguém um dia por acaso misturar tahine com gengibre ralado, regar bem regado com sumo de dois limões, juntar algumas especiarias como pimento fumado em pó (chegado em primeira mão do Chile, país que já há muito sabia: tenho de visitar), curcuma, sal e pimenta, cominhos e uma ou outra coisa que por acaso (sempre ele) tenha à mão de semear, marinar frango cortado em pedaços pequenos com essa mistura no frigorífico uma noite e no dia seguinte a puser tal e qual no forno a lume baixo; se essa pessoa esperar até o frango estar cozido (neste caso cerca de duas horas), cozer um bocadinho de arroz e no fim misturar tudo e comer, essa pessoa vai ter uma agradável sensação de prazer e surpresa. Isto foi acompanhado por uma cerveja demasiado doce, mas não é difícil encontrar um branco seco casadoiro que realce e complemente a dita sensação de prazer e surpresa.

Essa mesma pessoa perguntar-se-á se uns coentros picados não teriam feito bem à surpresa (a pergunta é retórica).

A pessoa que por acaso escreve isto escreve-o ao som de uma aguardente caseira de damassons (não perguntem - ameixas?) e por acaso pergunta-se "porra?" (A dita aguardente também é conhecida por Damassine, caso interesse. É uma das melhores aguardentes de frutos que conheço, mesmo quando não é caseira e boa como a que agora por acaso bebe).

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"Quem não tem cabeça tem as pernas", diz um provérbio francês. Se fosse genebrino diria "Quem não tem cabeça tem os TPG". São tão estúpidos, estes suíços. Devem ser nazis, para ter transportes públicos que funcionam tão bem (e são mais baratos do que os lisboetas, em PPP).

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Por falar em estúpidos: tenho esquecido as votações deste domingo. Ficam para outro dia.

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S. tem qualquer coisa de especial a celebrar. Escolheu um restaurante português que, diz-me, "é bastante bom". Querida, podia ser o pior restaurante do mundo. Que tenhas escolhido um restaurante português chega e sobra. 

Efeitos positivos

Provavelmente um dos efeitos colaterais e positivos do Trump será reconciliar-nos a todos com os políticos.

Costumo dizer que prefiro ser governado por eles a sê-lo por padres ou militares; agora posso acrescentar "ou homens de negócios".

Paraíso

Percebo que em Genève um gajo se porte mal, que faça tudo quanto pode para quando morrer não ir parar ao céu.

15.2.17

Surrealismo, Rossini

Ligo a televisão. Calha-me a RTP. Uma senhora presidente de uma câmara municipal do interior explica as vantagens de ter as opções da câmara a que preside escrutinadas "e ainda melhor se for por um organismo exterior, independente", acrescenta.

Mudo de canal, claro. Ouvir isto na Suíça, país onde não há um cêntimo de dinheiro público que seja gasto sem que quem o paga - o soberano, como é aqui chamado - saiba e decida é demasiado surrealismo para a minha pobre cabeça.

No Mezzo passa a Cenerentola.

Diário de Bordos - Genève, Suíça, 15-02-2017

Em Genève acontece tudo. A vida cultural desta cidade é espantosa, para uma cidade que no fundo é pequena.

Mas não acontece nada. Isto é: como seria viver outra vez nesta palidez murcha, répue de bien-être, onde tudo é bonito a começar pelas mulheres e tudo banal à força de ser bonito, bem arranjado, limpo, sem borbulhas na cara ou mendigos na rua? (Vi dois desde que cheguei. Dois).

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Ontem G. lembrou-me de uma miúda que, diz ela, "comi" na loja, quando comprava camisas. Detesto o termo "comer" para esse uso. Não sou canibal e na verdade acabo sempre por ser eu o comido. Era loira e tinha uma loja de roupa. Não me lembro de todo de a ter "comido" mas lembro-me das camisas que comprei. Uma era amarela, de feltro (?) com uns desenhos abstratos a preto. Durou pouco tempo, a camisa. Lembro-me disto porque passo no eléctrico à frente do prédio de uma miúda que me seduziu porque tinha a colecção completa das receitas da Elle. Não serviu de nada, ela apanhou-me uma noite depois do coito: falei-lhe nas receitas em vez de lhe dizer quanto a amava, ou coisa no género. Também durou pouco tempo, o idílio: não chegou a um mês. E também pensei na I., que morava em Bey quando a conheci mas depois mudou para Genève e a G. não conheceu. Também durou pouco tempo, mas um bocadinho mais.

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Os miúdos sentam-se ao meu lado no eléctrico que me traz de França. Ela tem cabelos pretos densos como certos passados e um decote que me faz sonhar mais do que muitos futuros. Deve ter pouco mais de vinte anos. O rapaz também, mas ao contrário dela não tem nada que o distinga do resto da humanidade.

Em Rives ela diz-lhe:
- Le Caveau de Bacchus - (é uma loja de vinhos do Rond Point). - Sabes o porquê de Bacchus?
- Não.
- Bacchus é o Deus grego do vinho.

Mudou de lugar; olho-a enquanto fala animadamente com o indistinto. Quanto tempo suportaria os cabelos que lhe cobrem os seios que o decote descobre?

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Como é que se pode resistir a comprar um livro que começa por "J'ai la mémoire portuaire"? Não se pode. Chama-se La Triomphante (foi comprado na Livresse, que é um dos quartéis-generais das fufas de Genève e continua a ser um dos meus sítios favoritos. Aceitam maricas, mulheres e homens. É um café muito bonito e tem o melhor nome de sempre). A autora é Teresa Cremisi. Ainda não o li, claro, comprei-o há pouco e mal o folheei.

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Hoje à tarde tive de ir a França, em missão falhada. Bebi um pastis por metade do preço, a cinquenta metros da fronteira (que já não existe. Atravessei-a para lá de autocarro, na volta a pé. A malta que acredita no valor intrínseco das coisas teria uma certa dificuldade em explicar como é que um raio de uma bebida anizada duplica de preço assim desta forma tão artificial.

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Quase retratos:

Uma mulher vestida de puta vestida de mulher que não é puta. Em que ficamos? Onde paramos?

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Fui ao IKEA com S. comprar uma mesa. Tenho uma certa dificuldade em estar naquele tipo de lojas mas aguentei-me quase até ao fim. Numa das dobras dos intermináveis corredores havia a reconstituição de uma sala de estar, com uma enorme televisão apagada (claro. Devia ser de papel, ou cartão).

No sofá estava um casal de senhores da minha idade, muito juntos, a olhar para o aparelho apagado como se estivessem em casa. Chateia-me quem me queira impedir de usar termos como maricas, panascas e afins; mas chateia-me ainda mais quem não aceite aqueles senhores, tão bonitos. Mais do que o casal que tira as medidas a um sofá-cama com a determinação de uma Panzerdivison a avançar no deserto maghrebino. Há qualquer coisa de decidido no olhar da jovem mulher que me traz à memória um desenho de Quino. Tive-o anos colado na parede: um casal na praia a correr para a água com o semblante fechado de quem vai trabalhar e está farto do emprego.

Nunca acabei Les mots et les choses.

De qualquer forma preferiria Les mots et les personnes.

Ou Les mots et la vie. Ou  Les mots et les jours.

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S. vai buscar umas plantas a casa de um colega. Estaciona o carro no passeio quinze minutos, talvez vinte. Descemos. 120 francos de multa.

"Saíram-me caras, as plantas", comenta. "Que se lixe. Há muito tempo que não apanho uma multa". Era o único carro mal estacionado em toda a parte do quarteirão que percorremos à procura de lugar. Vinte minutos.

14.2.17

Diário de Bordos - Château d'Oex, Suíça, 14-02-2017

À velhíssima, inevitável pergunta "Gostas mais dos Alpes ou do Jura?" a resposta correcta é "gosto mais dos dois. Viver num e visitar o outro". Pelo menos para mim. O Jura é mais pacífico e calmo. Os Alpes talvez sejam mais bonitos, não sei. Gosto de vir aqui por um dia, uma semana. Mais, tanta energia aterra-me. É como viver no fitness da natureza.

A neve ao lado das linhas está tão bonita que parece ter sido posta lá de propósito, cenário para agradar aos turistas.

A luz é murcha. Sinto-me num país de fantasmas. Não é. Há muitos anos vinha ao Col des Mosses, aqui ao lado, ajudar um amigo nas Alpages. E trabalhei num hotel nos Diablerets, que tão pouco fica nuito longe.

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Leysin foi a primeira "cidade" europeia que conheci fora de Portugal. Teria quatorze anos, talvez, para uma colónia de férias. Qando cheguei a responsável pela saúde perguntou-me se eu tinha medicamentos. Disse-lhe que sim e mostrei-lhe. Não me lembro do nome . Era o anti-palúdico da altura. Não se devia deixar de tomar para estadias inferiores a um certo número de meses fora de Moçambique. A mulher começou por não saber o que era. Expliquei-lhe. Largou num riso incontrolável. "Um português que vem para a Suíça com anti-palúdicos", exclamava entre duas gargalhadas.

Expliquei-lhe que vinha de Moçambique e ela sentiu-se um estúpida. Deve ter sido a primeira vez que vi (percebi) um adulto embaraçado.

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Um dia "suíço": entre aspas porque a Suíça são vinte e seis países, vinte e seis vezes isto.

Com a Gege, amiga de guerras velhas, colega do Marchand de Sable (foi através dela que lá entrei). O passado tem destas coisas: embrenha-se pelo presente adentro e fica quase impossível destrinçá-los.