16.8.26

Diário de Bordos - Portocolom, Mallorca, Baleares, Espanha, 16-08-2026

Gosto de planos oscilantes e esta vida é rica neles. Plano A: vou dormir a Palma: plano A1: durmo aqui em Portocolom, a bordo; plano A2: vou para Palma e amanhã volto aqui para ir a bancas e fazer água. Mas gosto igualmente de planos que não mudam: o meu analgésico de hoje vai ser a mistura de cerveja, hierbas secas e rum, em copos separados,  claro. Copos e corpos não perdem nada em separar-se, de vez em quando.

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O calor já não está infernal e quarta ou quinta entra badanal. Com um pouco de sorte vou poder descansar. Com muita sorte, terei trabalho. 

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Espero o autocarro para Palma. Deixei a bicicleta na Intermodal. A ver se ainda lá está quando eu chegar. Aposto que sim. (Só faço apostas quando não sei se vou ganhar...) [Estava.]

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No autocarro: porra, estou cansado! Pergunto-me se terei energia para pedalar até ao 7 Machos.

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Nunca gostei da palavra moinha mas agora aprecio-a bastante. Tornou-se uma companhia mais leve do que a irmã mais velha, a dor. Não me larga.

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A Lua está em crescente, como de resto não podia deixar de ser depois de um eclipse. Anda com Vénus atrelada. Está bonita, parece estar a piscar o olho à outra. São os únicos astros que vejo do autocarro. Demasiada luz.

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Os transportes das ilhas Baleares (TIB para os habitués) tem visivelmente três categorias de condutores: a) os de corrida, b) os "normais" e c) os aprendizes de corredor. Os meus favoritos são os da classe b) que só levam aspas porque não sei que outro nome lhe dar. Este de agora faz parte desse grupo e a viagem decorre pacificamente. A moinha e eu.

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Releio tudo isto e concluo que o meu mal é fome. Estamos quase a chegar, a moinha e eu. Resultado: parámos numa porcaria meio-infecta (falta-me energia para ir até ao fim) a caminho de casa. A idade média do target deve andar pelos oito anos mas a cerveja é boa, El Aguila. Hoje não vai haver rum nem hierbas secas.

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Para meu grande espanto consegui comer o "hamburger" até ao fim, se bem a última garfada já tenha sido um bocado forçada. Hamburger leva aspas. A única coisa que as não merece é a cerveja. Estou pronto para a segunda fase do plano: pagar a renda e mandar guito para o banco, se o monhé da esquina estiver aberto. Se não: amanhã também é dia.

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Volta 2, Palma

O hamburger era uma valente merda mas deu-me pelo menos energia para o escrever.

O monhé da esquina estava aberto. O ritual é sempre o mesmo: primeiro o cartão de cidadão, depois a massa, a seguir ele pergunta:
- Quanto?
- X - respondo.
Ele conta e hoje diz-me:
- Aqui estão X mais cem.
- Então manda X mais cem. 
Se o miúdo não me tivesse dito eu não me teria apercebido. E ainda há quem se pergunte porque é que eu gosto tanto de Palma.

Já só falta conhecer a decisão da companheira moinha. 

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Decidiu foder-me a noite. Já vou no terceiro Dolocalma em duas horas e ela continua. Também não me esqueço de que no pior da crise andei com dois pensos de Fentanil no braço e não serviram para nada. A continuar assim volto ao hospital. 

1 comentário:

Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.