Passeio às Franches-Montagnes. Não sei se é a região mais bonita da Suíça. Para mim é mas estou longe de conhecer todas. É a minha favorita: estes campos que me trazem carapinhas à memória, casas que parece terem sido erguidas contra o tempo - e foram: no século XIV o príncipe de Basileia isentou de impostos quem fosse viver para ali. Daí o nome. A região não é amena e as casas tradicionais mostram-no bem. Gosto do amor dos naturais pela terra, é uma devoção. Fomos a uma loja de mulheres agricultoras, uma daquelas em que um tipo entra e tem vontade de comprar tudo: produtos exclusivamente da região, todos de altíssima qualidade. A loja chama-se assim porque é gerida pelas mulheres dos agricultores - que fazem igualmente alguns dos produtos à venda e se revezam na presença. Depois foi a vez do Café du Soleil, uma instituição em Saignelégier e do étang de Gruère, iluminado pela luz do fim da tarde, densa «como mel» (Leonard Cohen). O Jura é a mulher feita natureza, redonda e forte, doce e segura de si.
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Passámos muito de passagem por La Chaux-de-Fonds, uma cidade que absorveu a minha infelicidade como se fosse um mata-borrão e ainda hoje a mantém guardada, prestes a ser expelida à menor pressão.
Penso no que fui infeliz ali e apercebo-me de que já o era muito, antes de para lá ir. E que foi de la Tchaux que o meu périplo começou: norte da Itália, Dunkerque, Aveiro, Zurique, Genebra. O mata-borrão funcionou eficazmente. Não que tenha ficado com a infelicidade toda, longe disso. Mas ensinou-me que passeá-la não servia de nada.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.