Encontrei a senhora no comboio. Ofereci-lhe um ramo de flores, enorme.
Ela não sabia que as flores não eram minhas: sou empregado de uma florista sem dinheiro, que me obriga a entregar as encomendas de metro, autocarro, comboio. Já lhe pedi uma bicicleta, ao menos, mas nem para isso a minha patroa tem dinheiro. Ela não sabe dizer que não a um cliente.
Toujours est-il que je l'ai vue dans le train, cette dame. Aussitôt suis-je tombé amoureux d'elle: ni trop belle, ni trop laide, son sens de l'humour ressortait dans son regard comme la marque de lunettes de soleil dans un visage bronzé.
Dei-lhe as flores num gesto impulsivo: gostei dos cabelos despenteados, dos traços finos, do olhar trocista. Estávamos longe da próxima paragem; devia falar com ela. Não lhe disse nada. Nada. "Ofereço-lhe, minha senhora, estas flores porque simpatizei com a sua cara; porque é bonita; porque as merece; porque oferecê-las me coloca numa situação periclitante". Nada. Quando muito: "Algo em si atraiu estas flores, não fui eu que lhas dei". Quando muito. Talvez lhe tenha dito isso: "Não fui eu: foi você que se ofereceu estas flores por meu intermédio. Um pobre imbecil veio cá comprá-las hoje de manhã. Queria, disse-me, um bouquet "conservador" - "conservador", foi este o termo que empregou".
- Ofereço-lhe, minha senhora, estas flores. Espero que goste delas. Se não gostar, por favor, não me diga.
"Se não gostar, por favor não me diga: prefiro a ignorância, sabe? É ela que me faz viver. Ou a esperança, são a mesma coisa". O comboio parou. Era um desses comboios suburbanos, cheio de caixeiras de supermercado, de vendedoras de roupa de marca, de contabilistas e de bêbados precoces. Saí sem a ver, e só no cais me apercebi que ela saíra também. Tinha um andar desengonçado, como se quisesse ter uma perna mais curta que a outra. Levava as flores bem altas, visíveis, e olhava em frente. Eu queria voltar para trás, ir buscar mais flores, refazer a encomenda original.
Claro que não: queria segui-la, ir para casa dela, deitá-la numa cama e apaixonar-me. Nessa altura procurava, desesperado, uma mulher, se possível sem filhos, quarentona recente ou trintona tardia (gosto de mulheres mais velhas do que eu, sempre gostei), com sentido de humor e um aspecto geral, como dizer?, sensual. Objectivos esses inalcançáveis sem me apaixonar, claro. Por isso me apaixonava: por uma professora indiana entrevista à porta da universidade, por uma empregada ucraniana no café, pela secretária da pessoa com quem me iria encontrar para um emprego, por essa pessoa mesmo se tivesse dento do critério "sexo", "idade" e "aspecto". Apaixonava-me a torto e a direito, mas nunca tinha oferecido flores - que não eram, ainda por cima, minhas.
Enfim, acabei por me ver em casa dela, em pleno campo e com uma cama enorme e ruidosa. Nesta ordem: primeiro ela, depois o campo, depois a casa, depois a cama, depois o ruído.
II
Fui despedido, claro, quando voltei à florista dois ou três dias depois. Mas fiquei a viver com a Isabel; - o que era, quase, um emprego a tempo inteiro. De manhã dava de comer e beber aos numerosos animais que ela mantinha: um porquinho-da-índia, um coelho anão, dois cachorros, meia dúzia de caracóis e um gato; passeava os cachorros no jardim à frente de casa; comprava os legumes frescos para o dia, no mercado biológico; passava o aspirador; fazia o almoço; lavava a loiça; dormia a sesta; passeava os cães; fazia o jantar. A todas essas tarefas me dedicava grato: tudo era melhor do que ter de oferecer flores no comboio à primeira senhora gira que encontrava.
Isabel não tinha uma perna mais pequena do que outra: tinha-as iguais, pequenas, bonitas, mas arqueadas. Montava a cavalo desde miúda, com a mesma energia e determinação com que me levara para casa. O cavalo, um alazão enorme, completo, chamava-se Red Promise e tinha uma potência ilimitada. Uma vez vi-o saltar um metro e sessenta parado. Parado. Nos concursos era um prazer vê-lo: arrancava num galope desenfreado para os obstáculos e quando parecia que ia levar tudo pela frente reduzia a velocidade, e levantava vôo na vertical, ou quase, como um helicóptero.
Era arquitecta, passava muito tempo em casa, e longos períodos fora, porque tinha obras pela Europa toda. Não sei o que viu em mim, eterno aprendiz de fotógrafo e moço de recados de uma florista falida. Eu sei o que vi nela.
III
Vous ne saurez jamais, très chère, combien d'heures de métro, combien de kilomètres de vie, combien de regards croisés m'ont conduit à vous. Un jour, quand je serai grand et libre, j’écrirai un livre que vous sera dédié, plein de mots de vingt ans, de mots de quarante ans, de mots du début des jours jusqu’à leur fin.
21.3.06
16.3.06
Evolução
Quando viajamos, ou fazemos amor, apercebemo-nos que a evolução não fez bem o seu trabalho - precisamos de mais braços, mais mãos.
9.3.06
A luz e as descrições da luz
"On eût dit qu'avant de mourir le soleil rejetait les combinaisons trop raffinées de teintes et semait toutes les couleurs principales de son prisme. Son dernier présent sur la terre, après la chaleur et la lumière, c'étaient des couleurs enfantines. Bientôt le monde ne fut plus éclairé que par du violet, de l'indigo, de l'orangé: la lumière, cadavre étincelant, se décomposait. Puis l'aubergiste vît le soleil disparaître; un peu d'écume jaune marqua au coin la fin de son apoplexie. et la terre enfin seule commença à vivre pour elle même."
Maurice Blanchot, in "Thomas l'Obscur, Première version, 1941", Ed. Gallimard, Paris, 2005.
(No seguimento disto, claro).
Maurice Blanchot, in "Thomas l'Obscur, Première version, 1941", Ed. Gallimard, Paris, 2005.
(No seguimento disto, claro).
7.3.06
6.3.06
Retratos
I
Era uma míuda estranha: o pai educara-a na crença de que ela não tinha características, só tinha defeitos.
II
A esperança era a gasolina dele, e tal como um carro pára se não tiver combustível, mas volta a funcionar assim que lhe enchem o tanque, ele tinha uma capacidade ilimitada de se atestar de fé.
III
A unica coisa que queria era ser independente. Morreu cedo: deixou-se devorar pelo seu objectivo, em vez de ser ele a devorá-lo.
Era uma míuda estranha: o pai educara-a na crença de que ela não tinha características, só tinha defeitos.
II
A esperança era a gasolina dele, e tal como um carro pára se não tiver combustível, mas volta a funcionar assim que lhe enchem o tanque, ele tinha uma capacidade ilimitada de se atestar de fé.
III
A unica coisa que queria era ser independente. Morreu cedo: deixou-se devorar pelo seu objectivo, em vez de ser ele a devorá-lo.
4.3.06
Pátria
"Contra os canhões, marchar, marchar".
Não deve haver frase que mais me ligue à pátria do que esta.
Não deve haver frase que mais me ligue à pátria do que esta.
28.2.06
Blog novos (pelo menos para mim)
Este, muito bom. Exemplo:
"Queres palavras.
Aqui as tens. Para ti. Como dantes, quando nem sabia onde iam parar. Guarda-as, afinal és a razão tardia e maior pelas que hoje me sobram".
Ou este:
"Tão longe tão perto
a liberdade tornaria a solidão mais suportável?"
"Queres palavras.
Aqui as tens. Para ti. Como dantes, quando nem sabia onde iam parar. Guarda-as, afinal és a razão tardia e maior pelas que hoje me sobram".
Ou este:
"Tão longe tão perto
a liberdade tornaria a solidão mais suportável?"
25.2.06
Balsâmicos bálsamos
O chili foi feito de uma forma banal: após o refogar das cebolas e da carne - em cubos, claro - 3 ou 4 horas de cozedura em água e cerveja, alternadamente (com uma preferência inocente para esta em detrimento daquela), malaguetas, cominhos, orégãos, colorau e alho em doses, digamos, equilibradas, pouco muito pouco feijão. Basta controlar a consistência e a coisa faz-se per si.
À parte fiz um molho de piri-piri de que gostei muito: malaguetas (não sei o nome, são grandes e redondas e picantes) e picadas, sal, azeite, cebola, alho, salsa e vinagre balsâmico, tudo muito picadinho e cuidadosamente esmagado. Muito vinagre balsâmico - é inacreditável o que este vinagre pode fazer por si e pelos seus cozinhados.
PS - Só agora vi isto.
À parte fiz um molho de piri-piri de que gostei muito: malaguetas (não sei o nome, são grandes e redondas e picantes) e picadas, sal, azeite, cebola, alho, salsa e vinagre balsâmico, tudo muito picadinho e cuidadosamente esmagado. Muito vinagre balsâmico - é inacreditável o que este vinagre pode fazer por si e pelos seus cozinhados.
PS - Só agora vi isto.
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Receitas
Tarde de sábado com nada para fazer
... Your mind is an incubator for good ideas, it just takes a while for them to develop...Your thoughts tend to be huge, and they come on quickly - like an explosion...
... You've dated enough to know what you want...
...You seduce people by tapping into their dreams and desires.
And because of this sensitivity, you can be the ideal lover for anyone you seek...
...
"Ficaste cheio de ti", diz-me H.
"Sim", respondo, "enjoado, mesmo".
Better get drunk.
... You've dated enough to know what you want...
...You seduce people by tapping into their dreams and desires.
And because of this sensitivity, you can be the ideal lover for anyone you seek...
...
"Ficaste cheio de ti", diz-me H.
"Sim", respondo, "enjoado, mesmo".
Better get drunk.
Figos
Figs
D. H. Lawrence
The proper way to eat a fig, in society,
Is to split it in four, holding it by the stump,
And open it, so that it is a glittering, rosy, moist, honied, heavy-petalled four-petalled flower.
Then you throw away the skin
Which is just like a four-sepalled calyx,
After you have taken off the blossom with your lips.
But the vulgar way
Is just to put your mouth to the crack, and take out the flesh in one bite.
Every fruit has its secret.
The fig is a very secretive fruit.
As you see it standing growing, you feel at once it is symbolic:
And it seems male.
But when you come to know it better, you agree with the Romans, it is female.
The Italians vulgarly say, it stands for the female part; the fig-fruit:
The fissure, the yoni,
The wonderful moist conductivity towards the centre.
Involved,
Inturned,
The flowering all inward and womb-fibrilled;
And but one orifice.
The fig, the horse-shoe, the squash-blossom.
Symbols.
There was a flower that flowered inward, womb-ward;
Now there is a fruit like a ripe womb.
It was always a secret.
That's how it should be, the female should always be secret.
There never was any standing aloft and unfolded on a bough
Like other flowers, in a revelation of petals;
Silver-pink peach, venetian green glass of medlars and sorb-apples,
Shallow wine-cups on short, bulging stems
Openly pledging heaven:
Here's to the thorn in flower! Here is to Utterance!
The brave, adventurous rosaceæ.
Folded upon itself, and secret unutterable,
And milky-sapped, sap that curdles milk and makes ricotta,
Sap that smells strange on your fingers, that even goats won't taste it;
Folded upon itself, enclosed like any Mohammedan woman,
Its nakedness all within-walls, its flowering forever unseen,
One small way of access only, and this close-curtained from the light;
Fig, fruit of the female mystery, covert and inward,
Mediterranean fruit, with your covert nakedness,
Where everything happens invisible, flowering and fertilisation, and fruiting
In the inwardness of your you, that eye will never see
Till it's finished, and you're over-ripe, and you burst to give up your ghost.
Till the drop of ripeness exudes,
And the year is over.
And then the fig has kept her secret long enough.
So it explodes, and you see through the fissure the scarlet.
And the fig is finished, the year is over.
That's how the fig dies, showing her crimson through the purple slit
Like a wound, the exposure of her secret, on the open day.
Like a prostitute, the bursten fig, making a show of her secret.
That's how women die too.
The year is fallen over-ripe,
The year of our women.
The year of our women is fallen over-ripe.
The secret is laid bare.
And rottenness soon sets in.
The year of our women is fallen over-ripe.
When Eve once knew in her mind that she was naked
She quickly sewed fig-leaves, and sewed the same for the man.
She'd been naked all her days before,
But till then, till that apple of knowledge, she hadn't had the fact on her mind.
She got the fact on her mind, and quickly sewed fig-leaves.
And women have been sewing ever since.
But now they stitch to adorn the bursten fig, not to cover it.
They have their nakedness more than ever on their mind,
And they won't let us forget it.
Now, the secret
Becomes an affirmation through moist, scarlet lips
That laugh at the Lord's indignation.
What then, good Lord! cry the women.
We have kept our secret long enough.
We are a ripe fig.
Let us burst into affirmation.
They forget, ripe figs won't keep.
Ripe figs won't keep.
Honey-white figs of the north, black figs with scarlet inside, of the south.
Ripe figs won't keep, won't keep in any clime.
What then, when women the world over have all bursten into self-assertion?
And bursten figs won't keep?
D. H. Lawrence
The proper way to eat a fig, in society,
Is to split it in four, holding it by the stump,
And open it, so that it is a glittering, rosy, moist, honied, heavy-petalled four-petalled flower.
Then you throw away the skin
Which is just like a four-sepalled calyx,
After you have taken off the blossom with your lips.
But the vulgar way
Is just to put your mouth to the crack, and take out the flesh in one bite.
Every fruit has its secret.
The fig is a very secretive fruit.
As you see it standing growing, you feel at once it is symbolic:
And it seems male.
But when you come to know it better, you agree with the Romans, it is female.
The Italians vulgarly say, it stands for the female part; the fig-fruit:
The fissure, the yoni,
The wonderful moist conductivity towards the centre.
Involved,
Inturned,
The flowering all inward and womb-fibrilled;
And but one orifice.
The fig, the horse-shoe, the squash-blossom.
Symbols.
There was a flower that flowered inward, womb-ward;
Now there is a fruit like a ripe womb.
It was always a secret.
That's how it should be, the female should always be secret.
There never was any standing aloft and unfolded on a bough
Like other flowers, in a revelation of petals;
Silver-pink peach, venetian green glass of medlars and sorb-apples,
Shallow wine-cups on short, bulging stems
Openly pledging heaven:
Here's to the thorn in flower! Here is to Utterance!
The brave, adventurous rosaceæ.
Folded upon itself, and secret unutterable,
And milky-sapped, sap that curdles milk and makes ricotta,
Sap that smells strange on your fingers, that even goats won't taste it;
Folded upon itself, enclosed like any Mohammedan woman,
Its nakedness all within-walls, its flowering forever unseen,
One small way of access only, and this close-curtained from the light;
Fig, fruit of the female mystery, covert and inward,
Mediterranean fruit, with your covert nakedness,
Where everything happens invisible, flowering and fertilisation, and fruiting
In the inwardness of your you, that eye will never see
Till it's finished, and you're over-ripe, and you burst to give up your ghost.
Till the drop of ripeness exudes,
And the year is over.
And then the fig has kept her secret long enough.
So it explodes, and you see through the fissure the scarlet.
And the fig is finished, the year is over.
That's how the fig dies, showing her crimson through the purple slit
Like a wound, the exposure of her secret, on the open day.
Like a prostitute, the bursten fig, making a show of her secret.
That's how women die too.
The year is fallen over-ripe,
The year of our women.
The year of our women is fallen over-ripe.
The secret is laid bare.
And rottenness soon sets in.
The year of our women is fallen over-ripe.
When Eve once knew in her mind that she was naked
She quickly sewed fig-leaves, and sewed the same for the man.
She'd been naked all her days before,
But till then, till that apple of knowledge, she hadn't had the fact on her mind.
She got the fact on her mind, and quickly sewed fig-leaves.
And women have been sewing ever since.
But now they stitch to adorn the bursten fig, not to cover it.
They have their nakedness more than ever on their mind,
And they won't let us forget it.
Now, the secret
Becomes an affirmation through moist, scarlet lips
That laugh at the Lord's indignation.
What then, good Lord! cry the women.
We have kept our secret long enough.
We are a ripe fig.
Let us burst into affirmation.
They forget, ripe figs won't keep.
Ripe figs won't keep.
Honey-white figs of the north, black figs with scarlet inside, of the south.
Ripe figs won't keep, won't keep in any clime.
What then, when women the world over have all bursten into self-assertion?
And bursten figs won't keep?
20.2.06
19.2.06
18.2.06
Força de expressão
Por vezes ela exprimia uma vontade, uma só e sempre a mesma, com tanta força, e de uma forma tão directa, tão frontal, tão pura, que ainda hoje lhe sinto as palavras, o cheiro, o sabor delas, a luz, e ainda hoje tenho vontade de lhe satisfazer o pedido.
Vidas
A sua vida não era, como muitos pensavam, uma sucessão de derrotas. Antes pelo contrário: era uma sequência de vitórias - vitórias essas que foram sendo, em graus variáveis, abandonadas, desprezadas, mal-exploradas, deixadas de lado porque ele não sabia, simplesmente, o que fazer com elas. Ou não estava interessado, mais provavelmente.
17.2.06
Evolução
A partir de certa idade, as pessoas vêm em kits completos: passado, filhos, "bagagem emocional"; - nada a ver com aquela simplicidade pela qual nos apaixonávmos quando éramos jovens: uma pessoa e um projecto. O que complica um pouco as coisas, claro: os pacotes são indissociáveis, e para gostar de um dos seus elementos temos que gostar de todos.
PS - e o pior é que a experiência ensina-me que devemos desconfiar de quem, a partir de certas idades, não vem em package...
PS - e o pior é que a experiência ensina-me que devemos desconfiar de quem, a partir de certas idades, não vem em package...
11.2.06
Nem tudo é Chirac, lá para aqueles lados...
Ocorrem-me alguns posts (mais do que justificados) sobre a guerra do Golf em que se troçava da cobardia gaulesa - e aqui ficam posts no sentido contrário (Via A Origem das Espécies).
Charlie Hebdo
Canard Enchaîné
Charlie Hebdo
Canard Enchaîné
6.2.06
Ora bolas!
Foi só por causa dos posts sobre as caricaturas que cheguei a este blog. Ora bolas: os filhos da mãe dos árabes não podiam ter-se revoltado mais cedo, coitadinhos?
(Via Marretas, claro).
(Via Marretas, claro).
3.2.06
Serviço Público - Restaurantes
Passamos a vida a queixar-nos (enfim, eu passo) da falta de um restaurante simultaneamente italiano e decente em Cascais.
Mas a verdade é que há um, ao mesmo tempo bom e barato (também os há maus e caros, mas isso é outra história): trata-se da Pizzeria Il Siciliano, na Rua do Poço Novo, e tem uma empregada muito simpática, comida boa, alguns vinhos mais ou menos decentes (não tem, e é pena, Barolo), uma decoração assim assim; ainda por cima é facilmente acessível, e o Limoncello não é nada mau (nem a grappa, mas com esta a 3 euros mais vale beber Limoncello, a 2 e picos).
Rua do Poço Novo, 138 A, Cascais
T.: 214 868 357
Fecha às Terças.
Mas a verdade é que há um, ao mesmo tempo bom e barato (também os há maus e caros, mas isso é outra história): trata-se da Pizzeria Il Siciliano, na Rua do Poço Novo, e tem uma empregada muito simpática, comida boa, alguns vinhos mais ou menos decentes (não tem, e é pena, Barolo), uma decoração assim assim; ainda por cima é facilmente acessível, e o Limoncello não é nada mau (nem a grappa, mas com esta a 3 euros mais vale beber Limoncello, a 2 e picos).
Rua do Poço Novo, 138 A, Cascais
T.: 214 868 357
Fecha às Terças.
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Restaurantes Cascais
28.1.06
Uma Ideia Simples
Cascais Bar Cup:
- Um barco por bar (e um cú por bar);
- Happy days i. o. happy hours;
- Cada bar dá o que sabe, cada cú o que pode;
Os skippers têm que estar bêbedos, e as tripulantes lindas.
Coming to a bay next to you in July.
C'est un fait constaté, je crois, que les premières illusions du rêve sont presque toujours des hallucinations de la vue.
- Um barco por bar (e um cú por bar);
- Happy days i. o. happy hours;
- Cada bar dá o que sabe, cada cú o que pode;
Os skippers têm que estar bêbedos, e as tripulantes lindas.
Coming to a bay next to you in July.
C'est un fait constaté, je crois, que les premières illusions du rêve sont presque toujours des hallucinations de la vue.
26.1.06
There is no greater love
Disse-te uma vez que não havia amor maior. Falava no presente - mas, sem o saber, referia-me também ao futuro.
23.1.06
Intrigante
Gosto muito de um blog chamado Alguém me Ouve?, que tem, por vezes, posts muito bonitos.
Outros são intrigantes.
Este, por exemplo: haverá amor que não seja invenção, ou memória? Pior: seria esse amor, a existir, interessante?
Outros são intrigantes.
Este, por exemplo: haverá amor que não seja invenção, ou memória? Pior: seria esse amor, a existir, interessante?
Diálogos
- Une belle victoire en affaires ne vaut pas une belle victoire en amour, mais c'est ce que lui ressemble le plus.
- Tu oublies la mer?
- La mer n'est pas une guerre.
- Tu oublies la mer?
- La mer n'est pas une guerre.
21.1.06
Brel
"La Vie ne fait pas de Cadeaux", canta Jacques Brel. É mentira. Qualquer dia em que se possa pôr na mesma frase: "vou trabalhar" e "vou para o mar" o desmente.
Ad libitum
Um dia aceito o teu desafio - escreverei um diário da líbido.
Um diário libidinoso? - infelizmente não.
Um diário libidinoso? - infelizmente não.
18.1.06
Serviço Público - Restaurantes
Ele há tascas e tascas. As do Estoril, são, talvez, diferentes das do Casal Ventoso, não sei. Mas sei que a EUROTASCA, Adega Típica, de Belamónica, Lda, Almoços e Jantares (passo um certo número de pormenores do cartão de visita, entre os quais um, não despiciendo e vero - "Especialidades no Carvão").
É na Rua Samuel Gonçalves Sanches, 127, Vale de Santa Rita, São João do Estoril, e merece, asseguro-vos, uma visita. Sobretudo por causa daquela conjunção feliz e correcta: "Especialidades no Carvão".
Tel.: 214 675 304, Peixe Fresco / Carne de Qualidade (ambas verdadeiras); encerra aos domingos e feriados (também, provavelmente).
É na Rua Samuel Gonçalves Sanches, 127, Vale de Santa Rita, São João do Estoril, e merece, asseguro-vos, uma visita. Sobretudo por causa daquela conjunção feliz e correcta: "Especialidades no Carvão".
Tel.: 214 675 304, Peixe Fresco / Carne de Qualidade (ambas verdadeiras); encerra aos domingos e feriados (também, provavelmente).
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Restaurantes Cascais
Vitórias e suores
Algumas vitórias cansam tanto como algumas derrotas.
"É porque foram merecidas", dizem-me. Verdade. Não sei se foram merecidas - quem sou eu para o julgar? - mas esta foi, e mais uma vez o termo não é meu, "suada".
"É porque foram merecidas", dizem-me. Verdade. Não sei se foram merecidas - quem sou eu para o julgar? - mas esta foi, e mais uma vez o termo não é meu, "suada".
16.1.06
Semântica afectiva
Ele gostava muito da lua. Por isso, o melhor elogio que lhe podiam fazer era chamar-lhe "Lunático".
15.1.06
Toscânia, New York, Paris, Lisboa
Há um pequeno café na Praça das Flores, em Lisboa, cujo nome não recordo agora. Servem refeições - uma lista pequena mas agradável, infelizmente estragada pela péssima escolha (e preço) dos vinhos. Tem uma esplanada, e na Primavera faz-nos sentir que estamos numa piazza qualquer duma pequena vila da Toscânia. No inverno, janta-se no interior, e alternamos entre Nova iorque, ou Paris. Lisboa transformou-se, irremediavelmente, numa cidade onde se pode viver.
8.1.06
Sonhos - Um bar Sublime
Oiço as Vésperas de Rachmaninov (cf. post anterior) e sonho com um bar onde se pudesse ouvir música desta.
Buñuel dizia que num bar não deve haver música, para se poder conversar sem ser distraído. Talvez o contrário fosse melhor: um bar no qual não se pudesse falar, para se ouvir música sem perturbações menores. Um bar sublime, com vinhos, música, clientes, comida, cocktails sublimes; e com uma capacidade limitada a 20 pessoas, nem uma mais. Vá, 30, às segundas-feiras.
Buñuel dizia que num bar não deve haver música, para se poder conversar sem ser distraído. Talvez o contrário fosse melhor: um bar no qual não se pudesse falar, para se ouvir música sem perturbações menores. Um bar sublime, com vinhos, música, clientes, comida, cocktails sublimes; e com uma capacidade limitada a 20 pessoas, nem uma mais. Vá, 30, às segundas-feiras.
Serviço Público - Discos
Rachmaninov, "All Night Vigil", Estonian Philarmonic Chamber Choir, dirigida por Paul Hillier.
Harmonia Mundi, HMU 907 384
Do site de Paul Hillier:
"...It's in Hillier's devastating touch with the passages-mysterioso, however, that we feel – as in Hildegard and Busnois – the sublime concept of intelligent uncertainty."My soul magnifies the Lord," these artists sing in so tentative a chorded context that we are reminded of the sanctity even of earnest inquiry. To be unsure is not wrong. It is human."
Não há melhor, nem mais bela, maneira de exprimir a incerteza do que o canto sacro ortodoxo.
Harmonia Mundi, HMU 907 384
Do site de Paul Hillier:
"...It's in Hillier's devastating touch with the passages-mysterioso, however, that we feel – as in Hildegard and Busnois – the sublime concept of intelligent uncertainty."My soul magnifies the Lord," these artists sing in so tentative a chorded context that we are reminded of the sanctity even of earnest inquiry. To be unsure is not wrong. It is human."
Não há melhor, nem mais bela, maneira de exprimir a incerteza do que o canto sacro ortodoxo.
6.1.06
Serviço Público - Restaurantes
O restaurante é pequeno, moderno, bonito e (ou deveria dizer "mas"?) bom. Muito bom. Chama-se Sushimoto, é no Estoril, e está cheio de miúdas giras, comida boa, saké mais do que aceitável, música audível, simpatia, bom serviço, sorrisos e sensualidade. A frequentar, absolutamente.
Sushimoto, Avenida Clotilde, Edifìcio do Centro de Congressos do Estoril, loja D.
Telefone: 214 685 706
PS - não é um restaurante, é um Sushi Bar.
Sushimoto, Avenida Clotilde, Edifìcio do Centro de Congressos do Estoril, loja D.
Telefone: 214 685 706
PS - não é um restaurante, é um Sushi Bar.
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Restaurantes Cascais
Novidade
Olho para estas adolescentes, com a cintura das calças pelos joelhos e o ventre a saltar à vista, e penso que afinal não conheço o corpo feminino.
Amor e tatuagens
A vantagem de se fazer amor com uma rapariga tatuada é que deve ser como ir ao cinema - com esta, em particular, como ir ver um filme do Tim Burton.
4.1.06
Definição
Provavelmente, um homem (ou mulher) de acção não passa de uma pessoa incapaz de viver uma situação diversa da que imagina, ou deseja.
3.1.06
Podia
O Don Vivo é demasiado modesto, demasiado consciente das suas limitações, demasiado insignificante e demasiado refractário aos circuitos fechados para participar, activa ou passivamente, em listas de "melhores blogues". Mas, a elaborar uma, o primeiro lugar seria para o Voz do Deserto, sem dúvida (o Digitalis joga fora-de-jogo de posição). Porquê? Por causa de todos os posts que lá estão (ia dizer "li", mas não soou bem).
Conselho
Cuidado: há, é certo, erros deliciosos; mas são poucos. A maioria é no mínimo chata; e, geralmente, é dolorosa e persegue-te durante anos.
29.12.05
Definições
Optimismo é acreditar que o fim está já ali, ao dobrar da esquina; optimismo exagerado é acreditar que há um fim.
Ou será ao contrário?
Ou será ao contrário?
28.12.05
Novidade
A sua vida profissional mudara, radicalmente; e ele estava neste novo estado como numa relação há muito desejada: feliz, intrigado e incrédulo.
Um casamento feliz
Foi um casamento feliz, que durou muitos anos e acabou bem: quando se reformaram, ela foi viver para a Índia, e ele para as Caraíbas. Não se deram sequer ao trabalho de se divorciar, e nunca mais se viram.
26.12.05
Boas festas, festas boas
Pela primeira vez em muitos, muitos anos tenho realmente algo que festejar. Isso muda um homem, e as festas.
22.12.05
A física e os físicos
A energia cinética é o produto da massa pelo quadrado da velocidade, e não o da velocidade pelo quadrado da massa. De todas as leis da física que conheço, esta é a mais erótica, e a mais misericordiosa.
21.12.05
Sinónimos
Será que "sorte" e "perseverança" são sinónimos? Não creio. Quando muito, "azar", porque é ele que nos obriga a perseverar.
20.12.05
Um corpo. Lisboa.
Ele gostava de se perder em Lisboa como eu gostava de me perder em ti: todos os recantos, mesmo os mais percorridos, escondem uma surpresa, sempre, a cada vez.
O teu corpo é como estas ruas de Lisboa, em cada canto uma novidade escondida, nunca vista antes, apesar de tantas vezes lhes ter passado devante: uma loja, um anúncio, um restaurante, um pormenor que nos salta aos olhos como se lá tivesse sido posto ontem - e não foi, está lá desde o princípio dos tempos, desde que tu és. O teu corpo é como a luz de Lisboa neste fim de tarde de inverno, luminosa e densa, branca e laranja, etérea e sólida. O teu corpo é como as ruas íngremes de Lisboa, que não nos cansam, por mais íngremes que sejam, nunca, de tão belas, surpreendentes. O teu corpo é como esta solidão que desde sempre me acompanha em Lisboa, tão triste e tão boa, e me acompanha agora, que penso em ti.
Para S. S.
O teu corpo é como estas ruas de Lisboa, em cada canto uma novidade escondida, nunca vista antes, apesar de tantas vezes lhes ter passado devante: uma loja, um anúncio, um restaurante, um pormenor que nos salta aos olhos como se lá tivesse sido posto ontem - e não foi, está lá desde o princípio dos tempos, desde que tu és. O teu corpo é como a luz de Lisboa neste fim de tarde de inverno, luminosa e densa, branca e laranja, etérea e sólida. O teu corpo é como as ruas íngremes de Lisboa, que não nos cansam, por mais íngremes que sejam, nunca, de tão belas, surpreendentes. O teu corpo é como esta solidão que desde sempre me acompanha em Lisboa, tão triste e tão boa, e me acompanha agora, que penso em ti.
Para S. S.
Uma vida...
...como uma linha de caminho de ferro de montanha, desenhada por um inglês bêbedo, construída por um chinês estupefacto de ópio e gerida por um atrasado mental universal.
Espera
As coisas compõem-se. Tudo se compõe, se não adormecermos ao volante, se não esperarmos sentados, se não desesperarmos, que tentação.
19.12.05
Metades - II
As pessoas, corpos imperfeitos (na maioria dos casos) e almas incompletas (sempre), não são, como os objectos, constituídas por duas metades apenas: todos nós temos várias, muitas ou poucas. Uma das minhas metades, e de todas uma das que mais gosto, é a Helena, do Digitalis. Porquê? Posts como este, por exemplo.
15.12.05
Escrever:
Passar as mãos por uma vida e limpá-las numa folha de papel (encore faut-il que cette vie eût meritée d'être vécue, racontée, ou essuyée).
Perguntas
Should I stay, or should I go?, pergunta-lhe a alma todos os dias. Ele não sabe que responder.
14.12.05
Metades
As várias metades de mim resolveram começar ou recomeçar várias coisas: em breve haverá novas de jantares, provas de vinhos, links e sabe Deus que mais.
13.12.05
Estranhas histórias
I - Nada os une, excepto o desejo comum de encontrar algo que os venha a unir.
II - Nada a fazer, querida, ando numa fase de amores inter-planetários.
II - Nada a fazer, querida, ando numa fase de amores inter-planetários.
12.12.05
A posteriori
Acariciar-te os seios, depois do amor; uma boa música depois de um bom jantar; a calma depois da dor: tudo o que é bom vem a posteriori.
Imagina...
...que estamos os dois sentados, a ouvir os Carmina Burana (na versão de Clemencic: não gosto da de Carl Orff, porque o romantismo não é para aqui chamado); imagina que acabámos de comer um jantar esplêndido, beber um magnífico whisky, de fingir que somos felizes, os dois. Imagina.
Diálogos possíveis
- How do you feel?
- I feel like you.
- Ashamed?
- I hate you.
- I would love to love you, too.
- I would love to love me.
- I feel like you.
- I feel like you.
- Ashamed?
- I hate you.
- I would love to love you, too.
- I would love to love me.
- I feel like you.
Vidas, fingidas
Era uma vida irregular: passava meses a fingir que era pobre, e, de vez em quando, um dia ou dois a fingir que era rico.
10.12.05
Monólogo
Um dia (antes de morrer, espero), terei de contar-te o que na realidade aconteceu. Ou melhor: o que não me aconteceu, que é muito mais - não consegui, por exemplo, deixar de te amar, nunca; nem deixar de ser o nómada que há muito não quero ser; nem ser rico, nem deixar de amar o mar, essa maldição abençoada. Tudo coisas que tentei, repara, durante muitos anos; melhor do que ninguém tu sabe-lo.
"Porque me dizes, então, que atingiste todos os teus objectivos?", perguntaste-me uma vez, lassa, farta, cansada. Estávamos na cozinha, tínhamos acabado de jantar. Uma daquelas refeições tão frequentes em nossa casa, caóticas, cada um comia vinte coisas diferentes, bebia bebidas diferentes - mas que tinham algo que nos unia e lhes dava sentido: o inesgotável prazer de estarmos juntos, sempre renovado, fosse numa mesa, num sofá ou numa cama; o gozo que ambos sentíamos em cozinhar as mais variadas coisas um para o outro; a liberdade. Mas naquele dia estavas triste - "porque pensas, ou dizes, que atingiste os teus objectivos?", insististe.
Porque na realidade consegui muitas coisas: amar-te, e ao mar, e ter-vos aos dois simultaneamente; consegui fazer do mundo a minha casa - ou melhor, no mundo fazer uma casa, do tamanho dele; e, sobretudo, consegui ser pobre sem ser miserável, o que é tão ou mais difícil do que ser rico sem ser arrogante.
II
Acima de tudo, consegui sobreviver a um sonho. E é isso que terei, um dia, que te explicar: mas é um programa ambicioso, porque os sonhos excluem, matam, afastam, aprisionam - e ganham, quase sempre; o que deixam fora de uma vida é muito mais do que eles, se bem que menos importante.
"Porque me dizes, então, que atingiste todos os teus objectivos?", perguntaste-me uma vez, lassa, farta, cansada. Estávamos na cozinha, tínhamos acabado de jantar. Uma daquelas refeições tão frequentes em nossa casa, caóticas, cada um comia vinte coisas diferentes, bebia bebidas diferentes - mas que tinham algo que nos unia e lhes dava sentido: o inesgotável prazer de estarmos juntos, sempre renovado, fosse numa mesa, num sofá ou numa cama; o gozo que ambos sentíamos em cozinhar as mais variadas coisas um para o outro; a liberdade. Mas naquele dia estavas triste - "porque pensas, ou dizes, que atingiste os teus objectivos?", insististe.
Porque na realidade consegui muitas coisas: amar-te, e ao mar, e ter-vos aos dois simultaneamente; consegui fazer do mundo a minha casa - ou melhor, no mundo fazer uma casa, do tamanho dele; e, sobretudo, consegui ser pobre sem ser miserável, o que é tão ou mais difícil do que ser rico sem ser arrogante.
II
Acima de tudo, consegui sobreviver a um sonho. E é isso que terei, um dia, que te explicar: mas é um programa ambicioso, porque os sonhos excluem, matam, afastam, aprisionam - e ganham, quase sempre; o que deixam fora de uma vida é muito mais do que eles, se bem que menos importante.
França
O altifalante anuncia que, "devido a um movimento social, não há circulação entre as estações do Chatelêt e ...". Desligo e não oiço o resto do anúncio.
Não seria mais correcto dizer "devido a um movimento anti-social, não há metro..."?
Não seria mais correcto dizer "devido a um movimento anti-social, não há metro..."?
Esperança
Um dia, já tarde, descobriu que afinal não queria morrer; não por causa da vida que tinha, ou tivera, mas pela que um dia viria a ter.
7.12.05
4.12.05
Queixas
Queixou-se-me várias vezes da falta de cortesia dos homens. Tanto lutaram pela igualdade que a obtiveram.
Anatomias
Ela tinha uns lábios de tal maneira grandes que beijá-los demoraria uma semana, provavelmente. Ao vê-los, pensei no teu ventre, na vastidão do teu ventre, que demorei uma vida a conhecer, e não esgotei.
Apodos
Ao contrário do habitual "arrogante", hoje trataram-me de "choramingas". Ambos são injustificados, mas prefiro "arrogante".
Incompatibilidades
Ela gostava de Paris tanto quanto ele gostava de Lisboa, e isso tornava-os incompatíveis.
1.12.05
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