28.9.06
Douce France - II
Não gosto muito da Fraaaaance, e pouco dos franceses - excepto de alguns, e algumas, de quem gosto, e muito. Mas forçoso é reconhecer que por vezes gostaria que a minha língua materna fosse o francês.
Douce France
"Faut-il avoir honte d'être Français?", perguntava recentemente na capa uma conhecida revista francesa. Um povo que elegeu sucessivamente François Mitterrand e Jacques Chirac está dispensado de fazer essa pergunta.
27.9.06
Viagens
Já dei uma volta ao mundo porque uma determinada senhora não quis fazer amor comigo; e já aluguei um automóvel e guiei 400 km porque uma outra mo pediu. Nunca mais vi nenhuma delas; não me lembro da primeira, mas penso muitas vezes na segunda. O que prova que mau sexo é melhor do que nenhum sexo.
23.9.06
Todos os dias
Todos os dias ia de casa para o escritório, a pé, duffle coat abotoado até acima, la banque à gauche et l’eau à droite. Todos os dias voltava do escritório para casa, duffle coat abotoado até acima, la banque à droite et l’eau à gauche. Todos os dias. No inverno era noite e no verão o rio reflectia o sol nascente à ida, poente à vinda. Todos os dias.
À noite voltava para casa, mas tu não estavas lá. Estavas ao telefone, ou doente, ou cansada, ou cheia de trabalho, todos os dias.
L’air était vif et sec et tonique, le matin; à tarde tudo estava cansado, o ar, o relógio da torre no meio do rio, a água, a minha imagem reflectida pelos vidros do banco, decorado com maquettes de navios, antigos e modernos, muitas, todas elas bonitas, mas cansadas, também, à tarde. Todos os dias chegava ao escritório, e todos os dias chegava a casa. Não me lembro das crianças, nessa altura. Já eram duas, mas não me lembro se me viam partir de casa, duffle coat abotoado até acima, ou voltar, todos os dias.
Lembro-me de ti ao telefone, ou doente, ou cansada, ou cheia de trabalho. E lembro-me do meu duffle coat com botões de osso, abotoados até acima, reflectido nos vidros do banco. Nunca me vi no rio, mas era lá que queria estar, todos os dias. Até hoje.
À noite voltava para casa, mas tu não estavas lá. Estavas ao telefone, ou doente, ou cansada, ou cheia de trabalho, todos os dias.
L’air était vif et sec et tonique, le matin; à tarde tudo estava cansado, o ar, o relógio da torre no meio do rio, a água, a minha imagem reflectida pelos vidros do banco, decorado com maquettes de navios, antigos e modernos, muitas, todas elas bonitas, mas cansadas, também, à tarde. Todos os dias chegava ao escritório, e todos os dias chegava a casa. Não me lembro das crianças, nessa altura. Já eram duas, mas não me lembro se me viam partir de casa, duffle coat abotoado até acima, ou voltar, todos os dias.
Lembro-me de ti ao telefone, ou doente, ou cansada, ou cheia de trabalho. E lembro-me do meu duffle coat com botões de osso, abotoados até acima, reflectido nos vidros do banco. Nunca me vi no rio, mas era lá que queria estar, todos os dias. Até hoje.
15.9.06
11.9.06
Serviço público - Receitas
Podia estar com grandes descrições, mas não vale a pena. Está tudo dito, aqui. A sobremesa ideal é, claro, um Alexander, porque convém variar a ementa. Felizmente não tenho tendência para engordar, porque se tivesse seria uma maçada.
9.9.06
Vento
Está vento, muito, hoje em Cascais. E eu estou em terra. Gosto do vento, claro, mas não consigo impedir-me de pensar que, em terra, o vento não passa de uma punheta.
7.9.06
Pois,
e depois? Não sei, não posso e - sobretudo - não quero, fazer outra coisa. Hoje não há vento, amanhã quem sabe?, e depois de amanhã choverá. Que importa? É assim que as coisas se vão passar, e não de outra maneira: "ya todo está", lembra-te, o que vamos fazer, o que a cada dia construímos, o que, à nossa frente, todos os dias desaba; ruínas, todos os dias ruínas novas, futuros radiosos. "Ya todo está".
Excepto, claro, os teus reflexos no espelho que só amanhã verei, ou depois.
Por agora, Gould desfaz as Variações Goldberg, o Alexander flui, o futuro constrói-se, outra vez. Há sempre, minha querida, um futuro, uma ruína, outro futuro e outra ruína, e assim, sem fim, se vai construindo a vida.
Excepto, claro, os teus reflexos no espelho que só amanhã verei, ou depois.
Por agora, Gould desfaz as Variações Goldberg, o Alexander flui, o futuro constrói-se, outra vez. Há sempre, minha querida, um futuro, uma ruína, outro futuro e outra ruína, e assim, sem fim, se vai construindo a vida.
6.9.06
Serviço Público - Blogs
"A direita liberal, ao contrário do beco sem saída em que se meteu a esquerda, acredita na pessoa humana. Esta realidade faz toda a diferença. Tanto no conceito de segurança social, como no planeamento da reforma, na defesa de programas de ensino livre, na saúde e em todas as demais áreas das políticas sociais, o discurso da direita é o de devolver o poder aos cidadãos. Na conquista do voto, onde a lei do mercado também funciona, vence sempre quem tem o discurso positivo. A direita liberal defende a liberdade e a dignidade humana. Acredita que as pessoa são capazes. Aceita, por estas mesmas razões, a própria incerteza inerente à condição de ser humano . O Filipe Moura pode até ficar muito triste, mas o futuro, meu amigo, já não está na esquerda."
Aqui.
Aqui.
3.9.06
Retrato
A boca nem muito grande é, mas ocupa toda a largura do rosto. Aquilo não é uma cara, é uma faca.
2.9.06
Concorrência
O Expresso pode ter todoss os defeitos que lhe quisermos apontar - e tem alguns deles. Mas "Sol" é foleiro a olho. "Dê-me o Sol, por favor". A resposta vem rápida: "Ó vizinho, quem me dera, mas com o dia que está acho que só vamos ter chuva".
- Quuero o Sol, por favor.
- Também eu.
- Tem o Sol, por favor?
- Tenho, mas está dentro de mim. -(Esta é improvável, mas...)
- Quuero o Sol, por favor.
- Também eu.
- Tem o Sol, por favor?
- Tenho, mas está dentro de mim. -(Esta é improvável, mas...)
1.9.06
Um jantar improvisado
O ponto de partida foi uma intolerável vontade de caril de frango, e a forçosa lembrança do tão recente caril de lulas. Para conciliar uma e outra:
Óleo numa caçarola, frango (neste caso, do campo - parecia um perú, ou uma avestruz) a alourar. No mesmo óleo, retirado o frango, refogar cebola e, quase no fim, alho. Juntar o frango, envolver em concentrado de tomate (ma non troppo) e juntar as especiarias: caril, claro, pimenta, gengibre, açafrão-das-índias, tomilho e cominhos moídos. Deixar evoluir, muito devagarinho, até chegar a altura de se juntar leite de côco, 2 latas 2, e água para cobrir o conjunto.
Coze lentamente, claro, e durante a cozedura vão-se ajustando os pós. Pouco antes do fim: coentros picados, um pouco, muito pouco, de sumo de limão e pepino às rodelas.
Nessa altura já o arroz cozia alegramente. O resultado foi bom, muito bom. Ainda sobram cerca de dez porções...
A sobremesa foi um Alexander. As consequências, a nível logístico, muito graves. John Vickers e Heather Harper cantam, ele Peter Grimes e ela Ellen Orford. Longe, uma vida espreita.
Óleo numa caçarola, frango (neste caso, do campo - parecia um perú, ou uma avestruz) a alourar. No mesmo óleo, retirado o frango, refogar cebola e, quase no fim, alho. Juntar o frango, envolver em concentrado de tomate (ma non troppo) e juntar as especiarias: caril, claro, pimenta, gengibre, açafrão-das-índias, tomilho e cominhos moídos. Deixar evoluir, muito devagarinho, até chegar a altura de se juntar leite de côco, 2 latas 2, e água para cobrir o conjunto.
Coze lentamente, claro, e durante a cozedura vão-se ajustando os pós. Pouco antes do fim: coentros picados, um pouco, muito pouco, de sumo de limão e pepino às rodelas.
Nessa altura já o arroz cozia alegramente. O resultado foi bom, muito bom. Ainda sobram cerca de dez porções...
A sobremesa foi um Alexander. As consequências, a nível logístico, muito graves. John Vickers e Heather Harper cantam, ele Peter Grimes e ela Ellen Orford. Longe, uma vida espreita.
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Receitas
31.8.06
Nunca é demais insistir
Via Nova Floresta: é surpreendente o pouco impacto destas coisas. Onde andam os paladinos "da verdade"?
Tens sem dúvida razão,
...querida,
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
And dance me to the end of love
Yeah, dance me to the end of love
Oh let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
And dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love... both of us above
And dance me to the end of love
Yeah, dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
And dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand... touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
mas faz-me um favor: não dances demasiado depressa, está bem?
...
There is a crack in everything
That's how the light gets in...
Leonard Cohen, "Dance me to the End of Time", in Various Positions, e extracto de "Anthem", in The Future.
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
And dance me to the end of love
Yeah, dance me to the end of love
Oh let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
And dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love... both of us above
And dance me to the end of love
Yeah, dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
And dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand... touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
mas faz-me um favor: não dances demasiado depressa, está bem?
...
There is a crack in everything
That's how the light gets in...
Leonard Cohen, "Dance me to the End of Time", in Various Positions, e extracto de "Anthem", in The Future.
Web life
É muito raro ir ao Technorati, mas hoje, graças a ele, conheci três blogs três. Um deles tem imagens do Schiele. O outro tem posts com bastante humor. O terceiro, apesar do nome, tem óptimos textos. Os três têm um defeito: a música que nos impede de ouvir a que estávamos a ouvir antes de lá irmos. São raros, mas há dias em que vale a pena ir ao Technorati.
30.8.06
Alexander
A primeira vez que bebi um Alexander foi em Cape Town, teria 15 ou 16 anos. O meu pai foi lá em trabalho e levou-me. Ficámos no Herengacht Hotel (não há link, já deve ter desaparecido). O bar era no último piso, e tinha, claro, uma vista fascinante sobre a cidade, que, já de si, é fascinante.
Mas eu não olhava sequer para fora - o bar estava cheio de mulheres, lindas, todas elas. Nunca tinha visto tantas mulheres tão bonitas ao mesmo tempo. O meu pai não se apercebeu que eu ia diluindo a minha líbido sobre-excitada em Alexanders, servidos por uma jovem da qual consigo ainda reproduzir a cor do T-shirt - era azul, igualzinha à dos olhos - e a do cabelo, amarelo-palha de surf e cerveja. Lembro-me sobretudo do sorriso dela, à medida que os Alexanders iam entrando e o meu desejo saindo, ao mesmo ritmo.
No dia seguinte fui à tabacaria do hotel, comprar o jornal, ou coisa que o valha. Cruzei-me com uma senhora que saía e parei, estacado - como a mulher de Lot, lembrei-me um dia, mais tarde, porque foi também por causa do olhar. Nunca tinha visto uma beleza tão bela, tão sensual (enfim, acho que naquela altura até uma burra de saias era sensual). Estaquei, hirto. Ela apercebeu-se - teria uns trinta anos, provavelmente - sorriu-me e, ao passar por mim, piscou-me o olho. Ainda estava com a ressaca dos Alexanders da véspera, e ela deve ter pensado que os tremores e a transpiração lhe eram devidos, exclusivamente.
Drante muitos anos não bebi Alexanders, mas agora não consigo passar muito tempo sem eles: o site do post anterior tem muitas receitas. Gosto da minha, porque não é muito doce:
Brandy e licor de cacau em quantidades iguais, um pouco menos de natas. Shaker com muito gelo durante pouco tempo, e polvilhar com noz moscada - isto é importante, porque em muitos bares deste país servem-no com canela, uma abjecção.
Cheers! A todas as mulheres bonitas.
PS - já agora: A Mulher de Lot
PS2 - O fim de um dilema: o Alexander é com Brandy.
PS3 - A noz moscada era a droga dos antigos marinheiros. Provocava uma ressaca horrível.
Mas eu não olhava sequer para fora - o bar estava cheio de mulheres, lindas, todas elas. Nunca tinha visto tantas mulheres tão bonitas ao mesmo tempo. O meu pai não se apercebeu que eu ia diluindo a minha líbido sobre-excitada em Alexanders, servidos por uma jovem da qual consigo ainda reproduzir a cor do T-shirt - era azul, igualzinha à dos olhos - e a do cabelo, amarelo-palha de surf e cerveja. Lembro-me sobretudo do sorriso dela, à medida que os Alexanders iam entrando e o meu desejo saindo, ao mesmo ritmo.
No dia seguinte fui à tabacaria do hotel, comprar o jornal, ou coisa que o valha. Cruzei-me com uma senhora que saía e parei, estacado - como a mulher de Lot, lembrei-me um dia, mais tarde, porque foi também por causa do olhar. Nunca tinha visto uma beleza tão bela, tão sensual (enfim, acho que naquela altura até uma burra de saias era sensual). Estaquei, hirto. Ela apercebeu-se - teria uns trinta anos, provavelmente - sorriu-me e, ao passar por mim, piscou-me o olho. Ainda estava com a ressaca dos Alexanders da véspera, e ela deve ter pensado que os tremores e a transpiração lhe eram devidos, exclusivamente.
Drante muitos anos não bebi Alexanders, mas agora não consigo passar muito tempo sem eles: o site do post anterior tem muitas receitas. Gosto da minha, porque não é muito doce:
Brandy e licor de cacau em quantidades iguais, um pouco menos de natas. Shaker com muito gelo durante pouco tempo, e polvilhar com noz moscada - isto é importante, porque em muitos bares deste país servem-no com canela, uma abjecção.
Cheers! A todas as mulheres bonitas.
PS - já agora: A Mulher de Lot
PS2 - O fim de um dilema: o Alexander é com Brandy.
PS3 - A noz moscada era a droga dos antigos marinheiros. Provocava uma ressaca horrível.
29.8.06
Serviço Público - Web
Este post (ou artigo, como preferirem), é, ou devia ser, de leitura obrigatória.
23.8.06
Günter Grass
Pergunto a mim mesmo quantos, daqueles que agora acusam Günter Grass, fizeram parte de partidos comunistas, juventudes vermelhas e coisas semelhantes.
20.8.06
Agosto
Uma pessoa senta-se num restaurante. Comer um hamburger, beber uma cerveja. O restaurante é pequeno, familiar, conhecido da pessoa, que lá vai muitas vezes. Na rua, uma procissão ininterrupta de gente lembra-lhe que é verão: turistas, t-shirts, gelados em bocas que se arredondam para os receber, gulosas. Os gelados vêm do Santini: a história passa-se em Cascais. A pessoa está sozinha: “Agosto”, leu recentemente algures, “é o mês das piores solidões”. “Não é verdade”, pensa. "Não há solidões piores que outras. Há solidões que se aguentam sozinhas, e solidões que precisam de outras solidões para se manterem".
Solidões: a repetição da palavra faz-lhe vertigens. A pessoa está sentada. Afinal comeu um spaghetti bolonhesa. O autor (40 anos, magro, cabelo ralo, míope) não sabe o que fazer dela, nem com ela. Homem ou mulher? Que idade? Porque acabou a comer uma coisa diferente da que tinha planeado? Porque olha para o passante como se os conhecesse todos, ou quisesse conhecer? O autor interroga-se.
Solidões: a repetição da palavra faz-lhe vertigens. A pessoa está sentada. Afinal comeu um spaghetti bolonhesa. O autor (40 anos, magro, cabelo ralo, míope) não sabe o que fazer dela, nem com ela. Homem ou mulher? Que idade? Porque acabou a comer uma coisa diferente da que tinha planeado? Porque olha para o passante como se os conhecesse todos, ou quisesse conhecer? O autor interroga-se.
Na verdade não tem 40 anos, não é míope, não é magro. A pessoa, decide, é uma mulher. Ela sim, tem 40 anos e é magra, mas não muito. Fala com o dono do restaurante, e parece conhecê-lo bem. Combinam um almoço para o dia seguinte? Serão amantes? Conhecidos? Porque estão sozinhos, ambos? Ele chegou de bicicleta quando ela terminava o prato. A senhora tem os olhos vermelhos – o autor só agora se apercebe disso. Esteve a chorar. Tem uns olhos bonitos, azuis-claros, que contrastam com os cabelos negros. O autor pensa que o encarnado do choro fica bem com o azul das pupilas. Tem uma cara redonda, bonita, e tenta disfarçar as lágrimas, a voz que treme, a tristeza: mas a alegria é fingida demais. O dono do restaurante apercebe-se e esboça uma pergunta. Ela não quer, visivelmente, falar. Diz “boa noite!” e vai-se embora, bruscamente. O homem encolhe os ombros e vai para dentro.
Para onde vai ela? Noutro restaurante, numa rua ao lado, uma pessoa, sentada sozinha a uma mesa, olha para ela como ela, há pouco, olhava para os outros. É um homem, está sozinho. Não tem 40 anos. O autor não sabe que fazer de mais uma personagem. Decide deixá-las entregues a si próprias, todas, cada uma para seu lado. A mulher na rua, acompanhada por centenas doutras mulheres, algumas com gelados; o homem no outro restaurante, a comer um prato qualquer, provavelmente indiano; o dono do restaurante onde a história começou está na cozinha, a fornicar a cozinheira, uma ucraniana que, todas as noites, sofre em silêncio, e de pé, os apetites do patrão. "Agosto", ele vai pensando, "não é um mês diferente: é só mais quente, e esta gaja cheira mais a suor e a cebolas e a coentros. Tenho que parar com isto. Tenho que parar com isto". Esforça-se por acabar o mais depressa possível, mas os cheiros, a imobilidade total da mulher, a memória dos olhos encarnados da outra não o ajudam.
Pouco a pouco, o mundo do autor vai-se povoando. É uma maneira como outra qualquer de se sentir menos só, neste mês de Agosto solitário, quente e abafado. Há muitos anos começou uma longa relação neste mesmo dia de Agosto, mas não sabe como escrever sobre ela. “É sem dúvida mais fácil escrever sobre a ausência de relações”, pensou.
Contudo, a mulher decide aceitar o convite mudo do homem que olha para ela sentado na esplanada. Dirige-se a ele, olhando-o com medo, com coragem, com ironia?
- Tem lume? - Pergunta.
- Não.
- Não faz mal. A verdade é que não fumo. Posso sentar-me? – Senta-se sem esperar pela resposta.
-...
- Não diga nada. Não me diga o seu nome, nem a sua idade, nem porque me olhava. Ofereça-me um café, ou um whisky, o que preferir.
Ele não sabe o que há-de dizer. Não a quer ali: “as solidões de Agosto”, lembra-se, “são impenetráveis; ela não tem o direito de irromper assim na minha vida, na minha noite, na minha mesa”. Que faz?
Encomenda um café? Um whisky? Diz-lhe para se ir embora? Na cozinha do outro restaurante, o dono lava o membro no lava-loiça. A mulher sobe as cuecas – limpou o sexo muito rapidamente com um bocado de papel de cozinha – sem olhar para ele, sem uma palavra. “Diz-me qualquer coisa. Insulta-me, bate-me – tudo menos esses olhos que não vejo, essa boca silenciosa, essas pernas que se abrem como se tivessem uma vontade própria e não dependessem de ti”. Mas ela não diz nada.
O dono faz um café, e vai-se embora. A cozinheira prepara-se para fechar a cozinha – já só lhe falta apagar as luzes, o patrão vem sempre no fim, quando tudo está pronto e já só falta ir-se embora. No café ao lado, a mulher bebe um whisky. O homem acha-a bonita, mas decide ir-se embora. Quer ficar sozinho, luta contra o desejo. Ela apercebe-se e diz-lhe que se pode ir embora, se quiser, ou ficar – “desde que não me peça para o amar, ou não diga que me ama”. Vai-se embora.
O autor está sentado num bar na praia. Não sabe se a história que acabou de contar aconteceu há uma hora, um dia ou uma semana - não sabe mesmo se ela aconteceu de todo. Apetece-lhe beber whisky, muito. Um dos seus favoritos é o Dewar's 12 anos, que antigamente se chamava Ne Plus Ultra. Um amigo diz-lhe que não devia mencionar as marcas das bebidas, nem os nomes dos restaurantes onde as suas histórias acontecem. Pessoalmente, não estou de acordo: é como dizer o nome do local, ou a marca do carro, ou mesmo - porque não? - o nome da personagem. Um nome é um destino, e não é por acaso que as personagens desta história ainda não têm nome. Mas o autor hesita. Está sentado num bar, face ao mar, e ouve blues - Howlin' Wolf, supõe.
As personagens desapareceram, todas - umas para casa, outras para outros bares e lugares. "Uma casa", pensa, "não é um lugar: é uma etapa, uma escala, um poiso, um degrau numa escada sem fim, uma tenda no deserto". Como uma mulher: um ventre não é um futuro, é uma sucessão de presentes. Um dia acabam, esses presentes.
As personagens desapareceram, todas - umas para casa, outras para outros bares e lugares. "Uma casa", pensa, "não é um lugar: é uma etapa, uma escala, um poiso, um degrau numa escada sem fim, uma tenda no deserto". Como uma mulher: um ventre não é um futuro, é uma sucessão de presentes. Um dia acabam, esses presentes.
Ana foi para casa. O indiano encomendou-lhe um café e levantou-se, com um pedido de desculpas que lhe pareceu insuportável, de tão sincero. Ela queria fazer amor com ele, mas não conseguiu retê-lo. Queria dizer-lhe: "venha para minha casa. Faça-me amor, bem ou mal, deite-me numa cama ou encha-me de água a banheira, leve-me um whisky à cama, entorne-me a garrafa de champanhe no sexo e beba-o, passeie-me as mãos pelos dedos dos pés e a língua pelos sovacos, esfregue-me a cabeça na nuca, passeie-me a ponta do seu membro teso pela pele toda". Mas disse-lhe uma coisa desajeitada, pareceu-lhe, e ele levantou-se e foi-se embora, com um pedido de desculpa límpido, claro, frontal, doloroso.
O dono do restaurante, do outro restaurante, também se foi embora, mas para um bar de putas, pensa o autor. Não tem a certeza: que iria lá fazer, depois de uma foda na mesa da cozinha, por muito limpa que a cozinha esteja? A verdade é que a mulher não se mexe, não mexe um músculo, uma pálpebra, nem o tímpano se mexe, parece-lhe. Ele chega à cozinha, faz-lhe um sinal com os olhos, ela vira-se, baixa as cuecas, ele penetra-a, ele vem-se, ele retira-se, ela limpa-se com um bocado de papel. "Uma puta, pelo menos, finge". O autor concorda e leva-o para um bar de putas.
Falta o indiano. Quem é? Que foi ele fazer, depois de ter deixado Ana na mesa com um whisky e um pedido de desculpas?
Ou seja: neste momento, o autor tem Ana em casa, o dono de um restaurante (cujo nome ainda não inventou) num bar de putas, um indiano à deriva e uma cozinheira ucraniana fodida, literalmente fodida. Senta-se, frente ao mar, e ouve blues, Howlin' Wolf. Pensa no que deve fazer das suas personagens. No que deve fazer da sua vida, talvez; no que deve encomendar a seguir, mais prosaicamente; como dizer à empregada que quer ir para a cama com ela, de tal maneira que lhe dê a ela vontade de dizer que sim; que nome dar ao indiano, e ao dono do primeiro restaurante; pergunta-se se Ana é o nome correcto para aquela personagem; e se a história tem um fim, ou um princípio.
Ou seja: neste momento, o autor tem Ana em casa, o dono de um restaurante (cujo nome ainda não inventou) num bar de putas, um indiano à deriva e uma cozinheira ucraniana fodida, literalmente fodida. Senta-se, frente ao mar, e ouve blues, Howlin' Wolf. Pensa no que deve fazer das suas personagens. No que deve fazer da sua vida, talvez; no que deve encomendar a seguir, mais prosaicamente; como dizer à empregada que quer ir para a cama com ela, de tal maneira que lhe dê a ela vontade de dizer que sim; que nome dar ao indiano, e ao dono do primeiro restaurante; pergunta-se se Ana é o nome correcto para aquela personagem; e se a história tem um fim, ou um princípio.
A história tem princípio e fim, claro. Uma história acaba, ao contrário de um corpo, uma casa ou um período de felicidade. Uma vida acaba, também, mas deixa sempre um traço, uma consequência, um epitáfio, quanto mais não seja. A memória.
Ana está em casa. Recomeça a chorar. Não suporta a solidão, não suporta ter enganado Luis, o dono do restaurante, que agora se recusa a ouvi-la, não suporta ter-se oferecido daquela maneira ao indiano e ainda menos suporta ele tê-la recusado. Luis era marinheiro, passava muito tempo fora de casa. Ana costumava mandar-lhe fotografias dela nua, em poses mais ou menos sugestivas. “Para que”, dizia-lhe, “possas comparar as putas que andas a foder com o que tens em casa”. Auto-retratos, explicava-lhe Ana, feitos com a máquina em pose. Mas um dia, no canto de um espelho não era um tripé que segurava a máquina: era Ricardo, um dos amigos de Luis.
Ana era bonita, grande – tudo nela era grande: os olhos, a estatura, a personalidade, o sorriso. Tinha um corpo bem feito, equilibrado, o que é raro em mulheres grandes. Ao ver a fotografia, Luis ficou devastado: como qualquer marinheiro, ele sabia que a mulher o podia enganar; mas nenhum pensa que ela o faz verdadeiramente. Imaginar aquele corpo, no qual se sentia como no mar, nas mãos de um amigo, a oferecer-se-lhe... “Será que ela faz com ele o que faz comigo?” – a pergunta não lhe saía do espírito. A ideia que ele também a enganava – se bem que não fosse verdadeiramente um engano, pois ela “sabia” – ainda contribuía mais para a sua raiva, para o ódio que sentia por ele, pela marinha, pelo ex-amigo. O pior era não conseguir sentir fosse o que fosse contra Ana. Ele queria odiá-la realmente, chegar a casa e bater-lhe, fazer uma cena, barulho, móveis a voar pela casa toda, portas a bater – mas a sua imaginação saltava directamente para a reconciliação, na qual ela lhe pedia perdão, para a carta que Ricardo lhe escreveria a dizer que tinha sido um engano, um erro, uma vez só.
Nada disso aconteceu. Quando chegou dois meses depois a casa estava vazia; Ana tinha-o deixado de vez e estava a viver sozinha; Ricardo encontrara um emprego em Angola, no mato. E ele continuava “o impotente emocional que sempre fui”. Não sentia ódio por ninguém excepto por ele próprio. Não sei bem se os cornos crescem e ficam ad eternum na testa que os viu nascer, ou se, como todas as outras coisas, crescem e se vão embora, um dia, deixando a dita testa pronta para outros. Não sei. A verdade é que Luis deixou o mar, e abriu um restaurante ao qual deu o nome de Blue Marlin, onde come a empregada ucraniana e se detesta por isso. O ódio de Luis por si mesmo é o pilar central da sua personalidade, e ele faz tudo o que pode para o alimentar quotidianamente.
15.8.06
Morte
Morte por implosão - ele só não sabia se era o que se passava, ou se, simplesmente o desejava muito fortemente.
12.8.06
Pois, já o deviam ter feito há mais tempo
"L'armée israélienne progresse difficilement au Liban sud", no Le Monde de hoje.
E ainda bem que não esperaram mais: talvez nem conseguissem entrar.
E ainda bem que não esperaram mais: talvez nem conseguissem entrar.
11.8.06
Serviço público - Deambulações
Librivox.
(Via A Natureza do Mal II)
No mesmo movimento, mas noutro blog, este post, absolutamente impagável.
(Via A Natureza do Mal II)
No mesmo movimento, mas noutro blog, este post, absolutamente impagável.
Haiku eróticos
Enquanto "Agosto" entra e não sai, ou não sabe se sai se entra, ou se não entra mas sai, ficam algumas pequenas pérolas do livro "Haiku Érotiques", Traduzidos do japonês e apresentados por Jean Chlley, ed. Picquier Poche, 2000:
"Quand il dresse son mât,
l'épouse s'empresse alors
de prendre la barre"
"Sa belle-mère défunte,
sans plus de retenue l'épouse
éclate en sanglots"
"Quand à sa femme il fait
tourner le mortier à thé*
elle désaxe tout"
* - "Mortier à thé" designa uma posição em que a mulher roda as ancas sobre o homem.
"Quand il dresse son mât,
l'épouse s'empresse alors
de prendre la barre"
"Sa belle-mère défunte,
sans plus de retenue l'épouse
éclate en sanglots"
"Quand à sa femme il fait
tourner le mortier à thé*
elle désaxe tout"
* - "Mortier à thé" designa uma posição em que a mulher roda as ancas sobre o homem.
2.8.06
1.8.06
Já agora:
Que livro deveria uma jovem senhora ler para eu ficar encantado por ela?
Kama Sutra? Não, isso é um ponto de partida, espero que ela o conheça de cor. Beckett? Sem dúvida - mas já agora juntemos-lhe também a Yourcenar, pour faire bonne mesure; mas não chega, não chega. Le Clézio, Borges? Bons, mas tão pouco chegam.
Para ir direito ao assunto (sem jogo de palavras, claro) - Hit parade dos turn-ons: Wolinski, Reiser, Céline, Pedro Támen, Joseph Conrad, Hamsun - talvez não seja por esta ordem, mas não anda muito longe.
Kama Sutra? Não, isso é um ponto de partida, espero que ela o conheça de cor. Beckett? Sem dúvida - mas já agora juntemos-lhe também a Yourcenar, pour faire bonne mesure; mas não chega, não chega. Le Clézio, Borges? Bons, mas tão pouco chegam.
Para ir direito ao assunto (sem jogo de palavras, claro) - Hit parade dos turn-ons: Wolinski, Reiser, Céline, Pedro Támen, Joseph Conrad, Hamsun - talvez não seja por esta ordem, mas não anda muito longe.
Agora percebo, finalmente...
... aqueles posts e artigos em que os autores se queixam do preço dos inúmeros livros que compram, ou do peso, ou do espaço que ocupam lá em casa, e fazem listas sem fim de livros que leram, vão ler e não vão ler mas vão consultar, etc. etc.
Até agora pensava que era simples pedantismo.
(Via Educação Sentimental)
I bet you look good in the book store
"Not only can you judge a book by its cover, it seems you can judge the person reading it, too. According to a survey of over 2,000 adults carried out by internet pollsters YouGov for Borders bookstore, books play a crucial role in influencing our opinions of strangers. Half of those asked admitted that they would look again or smile at someone on the basis of what they were reading.
And it gets better. For those of you troubled by the lingering idea (instilled in youth by parents obsessed with the benefits of "enjoying the sunshine") that a life spent reading is a life half-lived, your worries are over. Not only does sitting with your nose in a book positively influence others' opinion of you, it could actually - get this - lead to sex. A third of those surveyed said that they "would consider flirting with someone based on their choice of literature". It's finally official, people. Reading is hot.
But before you trip off to the park clad in your most fetching sun hat and clutching your copy of the latest Jilly Cooper - be warned. Not just any book will do. Erotic fiction, horror, self-help books and the dreaded chick-lit were all, in fact, deemed turn-offs when it came to love between the covers. The genre most likely to help you pull - the itsy-bitsy-teeny-weeny yellow polka dot bikini of the books world - is the classics, followed by biography and modern literary fiction (think Zadie Smith and Sebastian Faulks, rather than Dan Brown and Martina Cole). Forget the gym: if you want to raise your dating game, head down to your local library and start borrowing.
It is, of course, tempting - in fact, it's all but unavoidable - to dismiss such a survey as a cynical marketing ploy designed to make us
a) feel smug about our superior reading habits,
b) believe that people will see beyond a disastrous haircut to the Casanova within as long as s/he is reading Dickens, and therefore
c) buy more books.
But - and here's the thing - as a lengthy discussion in the Vulture's nest revealed, it may be cynical, but that doesn't make it any less true. All of us had book-related stories to tell, or preferences to air. I myself, on a first date with my swain of four years' standing, was delighted, on entering the pub, to discover him reading Wilkie Collins. A colleague told a story of a wedding she attended which had its origins in a chance meeting in a nightclub, during which the gentleman in question asked his future wife what she was reading. Obviously her reply - The Great Gatsby - struck the right note.
In terms of literary turn-ons, the arts editor confessed he'd love to start a conversation with anyone who was reading the poems of Elizabeth Bishop, although he "probably wouldn't have the nerve". Weaknesses for Elmore Leonard, Gabriel Garcia Marquez and, disconcertingly, Dante's Inferno were also expressed. Turn-offs, on the other hand, include Money by Martin Amis, "everything by DH Lawrence", and snobbishly, any book with a cover based on a recent film or TV adaptation.
So the question this Tuesday afternoon is - what, books-wise, does it for you? And are there any books that would put you off absolutely, no matter how attractive the reader?"
[Sarah Crown, Guardian Unlimited: Culture Vulture Blog]
_____________________________
PS - Aconselho também a leitura dos comentários ao post (original): são deliciosos.
Até agora pensava que era simples pedantismo.
(Via Educação Sentimental)
I bet you look good in the book store
"Not only can you judge a book by its cover, it seems you can judge the person reading it, too. According to a survey of over 2,000 adults carried out by internet pollsters YouGov for Borders bookstore, books play a crucial role in influencing our opinions of strangers. Half of those asked admitted that they would look again or smile at someone on the basis of what they were reading.
And it gets better. For those of you troubled by the lingering idea (instilled in youth by parents obsessed with the benefits of "enjoying the sunshine") that a life spent reading is a life half-lived, your worries are over. Not only does sitting with your nose in a book positively influence others' opinion of you, it could actually - get this - lead to sex. A third of those surveyed said that they "would consider flirting with someone based on their choice of literature". It's finally official, people. Reading is hot.
But before you trip off to the park clad in your most fetching sun hat and clutching your copy of the latest Jilly Cooper - be warned. Not just any book will do. Erotic fiction, horror, self-help books and the dreaded chick-lit were all, in fact, deemed turn-offs when it came to love between the covers. The genre most likely to help you pull - the itsy-bitsy-teeny-weeny yellow polka dot bikini of the books world - is the classics, followed by biography and modern literary fiction (think Zadie Smith and Sebastian Faulks, rather than Dan Brown and Martina Cole). Forget the gym: if you want to raise your dating game, head down to your local library and start borrowing.
It is, of course, tempting - in fact, it's all but unavoidable - to dismiss such a survey as a cynical marketing ploy designed to make us
a) feel smug about our superior reading habits,
b) believe that people will see beyond a disastrous haircut to the Casanova within as long as s/he is reading Dickens, and therefore
c) buy more books.
But - and here's the thing - as a lengthy discussion in the Vulture's nest revealed, it may be cynical, but that doesn't make it any less true. All of us had book-related stories to tell, or preferences to air. I myself, on a first date with my swain of four years' standing, was delighted, on entering the pub, to discover him reading Wilkie Collins. A colleague told a story of a wedding she attended which had its origins in a chance meeting in a nightclub, during which the gentleman in question asked his future wife what she was reading. Obviously her reply - The Great Gatsby - struck the right note.
In terms of literary turn-ons, the arts editor confessed he'd love to start a conversation with anyone who was reading the poems of Elizabeth Bishop, although he "probably wouldn't have the nerve". Weaknesses for Elmore Leonard, Gabriel Garcia Marquez and, disconcertingly, Dante's Inferno were also expressed. Turn-offs, on the other hand, include Money by Martin Amis, "everything by DH Lawrence", and snobbishly, any book with a cover based on a recent film or TV adaptation.
So the question this Tuesday afternoon is - what, books-wise, does it for you? And are there any books that would put you off absolutely, no matter how attractive the reader?"
[Sarah Crown, Guardian Unlimited: Culture Vulture Blog]
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PS - Aconselho também a leitura dos comentários ao post (original): são deliciosos.
30.7.06
Inominável, again
O Maire, assumidamente homossexual, de Paris proibiu o bikini "fio dental" e o Topless nas "praias" do Sena (para quem não sabe, praias artificiais nas margens do Sena, dentro de Paris).
Pessoalmente, acho que o fio dental é uma abjecção estética, e que o topless devia ser obrigatório em alguns casos e multado noutros (podia mesmo imaginar-se um sistema de redistribuição de riqueza em que os montantes das multas de umas revertiam a favor das outras, em acção de graças).
Mas daí a proibi-los?
Pessoalmente, acho que o fio dental é uma abjecção estética, e que o topless devia ser obrigatório em alguns casos e multado noutros (podia mesmo imaginar-se um sistema de redistribuição de riqueza em que os montantes das multas de umas revertiam a favor das outras, em acção de graças).
Mas daí a proibi-los?
Breve divagação sobre a palavra "Inominável", o Público de hoje e outros temas
Num blog de que gosto muito, às vezes, a autora fala a certa altura de uma "inominável rebaldaria". Gosto dessa associação, que aliás me ficou no goto, de duas palavras bonitas. Inominável tem frequentemente, mas não devia ter, uma conotação negativa (já tive namoradas, por exemplo, de inominável beleza). Per si a rebaldaria è uma coisa boa, quase sempre - e tanto pode ser inominável de boa como inominável de má.
Agora inominável, inominável, inominável, sempre e sem excepção inominavelmente mau é a merda de um "cartoonista" (hesito em utilizar este termo, que é nobre e descreve uma nobre actividade) que aparece no Público chamado Vasco. Aquilo sim, é uma inominável merda, é uma merda indescrítível, é uma inadjectivável merda.
No mesmo Público de hoje, e na página seguinte à do impermeável "cartoonista", um artigo do provedor - figura essa de que ainda estou para perceber a utilidade - sobre os erros de ortografia dos jornalistas. Afinal o senhor serve para alguma coisa - quanto mais não seja, confirmar aquilo que já sabíamos...
Agora inominável, inominável, inominável, sempre e sem excepção inominavelmente mau é a merda de um "cartoonista" (hesito em utilizar este termo, que é nobre e descreve uma nobre actividade) que aparece no Público chamado Vasco. Aquilo sim, é uma inominável merda, é uma merda indescrítível, é uma inadjectivável merda.
No mesmo Público de hoje, e na página seguinte à do impermeável "cartoonista", um artigo do provedor - figura essa de que ainda estou para perceber a utilidade - sobre os erros de ortografia dos jornalistas. Afinal o senhor serve para alguma coisa - quanto mais não seja, confirmar aquilo que já sabíamos...
Dia não - dia sim...
Hoje não tomei banho, não fiz a barba, não andei a pé, não subi pelas escadas, não comecei a trabalhar mal cheguei ao escritório.
25.7.06
Pérolas à deriva
Derivo pela blogosfera e encontro pérolas destas: "Com a queda de Sadam e a consequente instalação da anarquia no Iraque. Era tão melhor, a ordem do Saddam! Que pena foi aqueles facínoras terem acabado com ela.
Já agora, se não se importam, continuo: é bom demais. O território de Israel, por mais que os defensores da causa se esforcem por tentar demonstrar o contrário, não estava a correr perigo sério e actual. Algumas populações vivem sob medo e tensão, seja por causa do terrorismo intermitente, seja por causa da proximidade a fronteiras hostis. Mas o território, a sua integridade, não estavam a ser ameaçados, até porque, neste momento, nenhum país vizinho tem capacidade para entrar em guerra com Israel, nem tão pouco Hamas e Hezzbollah têm arte ou engenho para ameaçar de modo sério a sua integridade territorial. (O post é o mesmo, dispensa link).
Invadir um país só porque meia dúzia de pessoas andava a levar com rockets na cabeça todos os dias! Credo, onde é que já se viu tamanha irresponsabilidade?
Já agora, se não se importam, continuo: é bom demais. O território de Israel, por mais que os defensores da causa se esforcem por tentar demonstrar o contrário, não estava a correr perigo sério e actual. Algumas populações vivem sob medo e tensão, seja por causa do terrorismo intermitente, seja por causa da proximidade a fronteiras hostis. Mas o território, a sua integridade, não estavam a ser ameaçados, até porque, neste momento, nenhum país vizinho tem capacidade para entrar em guerra com Israel, nem tão pouco Hamas e Hezzbollah têm arte ou engenho para ameaçar de modo sério a sua integridade territorial. (O post é o mesmo, dispensa link).
Invadir um país só porque meia dúzia de pessoas andava a levar com rockets na cabeça todos os dias! Credo, onde é que já se viu tamanha irresponsabilidade?
23.7.06
Monólogo múltiplo
Só para ter a certeza, sabe?, começo com uma cerveja. Passei a noite toda a whisky, e não há bebida que se lhe siga. Pois, grape or grain, but never the twain - em português diz-se "não se deve misturar uvas com cereais". A rapariga ao meu lado tem os braços cobertos de pelos, grande e pretos. Imagino como terá o bico das mamas, coitada. Uma vez tive uma namorada com pelos nas mamas, mas nunca me habituei e à segunda ou terceira vez fui-me embora. Já noutros sítios gosto de pelos, muitos e lautos. Paradoxos. Ela tem-nos assim porque quer, sejamos directos e frontais - tanto mais que não me tiram a vontade de ser frontal, contra ela. Imagine-a sem os pelos nos braços: fica bonita, sensual, com uma cabeleira farta, densa, e uns olhos que cospem desejo como um adolescente num concurso de bisgas. Será que vai ao Hot? O namorado martela mecanicamente a sapateira enquanto ela fala e o come com os olhos, e fala, e fala. Ele vai acedendo a tudo o que ela diz com pequenso gestos da cabeça, sem parar de mastigar. Ela não se deixa impressionar: o fio do discurso nunca se rompe. Tem uma voz fina, alta, inesperadamente elegante nums braços tão peludos.
Ah, reparou? Ela tem uma aliança, ele não. A minha cerveja vai-se esvaziando ao ritmo das marteladas dele. No Hot Club poderia namorar com todas (enfim, quase todas) as raparigas que lá estavam (o inverso não é verdade, mas isso é irrelevante). Aqui não: não namoraria com nenhuma, excepto talvez a vizinha depois de uma visita ao depilador. O que é injusto, reconheço: no que toca a pelos não me posso queixar.
Parece que mudámos de um planeta para outro, não é? "Beam me up, Scotty" - ou Johnny, mais apropriado. Não acredito na metempsicose, excepto quando fazia amor com uma ou duas pequenas que conheci, repare, ou contigo, mesmo, e tu chamavas por mim como se fosse para te tirar de um abismo, mas agora há que abrir uma excepção, porque "há quanto tempo não gritas por mim?" Há quanto tempo não te vejo a cor dos olhos, o dourado do cabelo, o liso do ventre, o perfeito das coxas? Há quanto tempo? Perdoar-me-ás que olhe para uma miuda quase gira, que olha para o amante como tu olhavas para mim. A verdade é que penso em ti com todos os poros do meu corpo, com todas as sinapses do meu cérebro. A rapariga tem indubitavelmente um sorriso bonito - o sorriso do desejo é sempre bonito, todos os sorrisos são bonitos, mas fuma e tem pelos pretos e grandes nos braços. Será que fuma na cama? Quem é que dizia "há três coisas boas na vida, um whisky antes e um cigarro depois?" Acho que foi a Marilyn, mas não tenho a certeza.
Ele não vê, mas ela acaricia-se as pernas por baixo da mesa enquanto ele fala (a sapateira acabou, agora é a vez dele falar). Ela acaricia-se as pernas, lentamente, e pousa os seios na mesa, percorre a cana do nariz com as pontas dos dedos, e ele fala. Mas ela não desiste. Deixou de acariciar as pernas, porque ele não podia ver, e agora acaricia os braços, as costas, põe as mãos por dentro do vestido. Sorri e diz que sim. Ele, finalmente, pára de falar por um bocadinho e dá-lhe a mão.
Traga-me outra cerveja, por favor.
Ah, reparou? Ela tem uma aliança, ele não. A minha cerveja vai-se esvaziando ao ritmo das marteladas dele. No Hot Club poderia namorar com todas (enfim, quase todas) as raparigas que lá estavam (o inverso não é verdade, mas isso é irrelevante). Aqui não: não namoraria com nenhuma, excepto talvez a vizinha depois de uma visita ao depilador. O que é injusto, reconheço: no que toca a pelos não me posso queixar.
Parece que mudámos de um planeta para outro, não é? "Beam me up, Scotty" - ou Johnny, mais apropriado. Não acredito na metempsicose, excepto quando fazia amor com uma ou duas pequenas que conheci, repare, ou contigo, mesmo, e tu chamavas por mim como se fosse para te tirar de um abismo, mas agora há que abrir uma excepção, porque "há quanto tempo não gritas por mim?" Há quanto tempo não te vejo a cor dos olhos, o dourado do cabelo, o liso do ventre, o perfeito das coxas? Há quanto tempo? Perdoar-me-ás que olhe para uma miuda quase gira, que olha para o amante como tu olhavas para mim. A verdade é que penso em ti com todos os poros do meu corpo, com todas as sinapses do meu cérebro. A rapariga tem indubitavelmente um sorriso bonito - o sorriso do desejo é sempre bonito, todos os sorrisos são bonitos, mas fuma e tem pelos pretos e grandes nos braços. Será que fuma na cama? Quem é que dizia "há três coisas boas na vida, um whisky antes e um cigarro depois?" Acho que foi a Marilyn, mas não tenho a certeza.
Ele não vê, mas ela acaricia-se as pernas por baixo da mesa enquanto ele fala (a sapateira acabou, agora é a vez dele falar). Ela acaricia-se as pernas, lentamente, e pousa os seios na mesa, percorre a cana do nariz com as pontas dos dedos, e ele fala. Mas ela não desiste. Deixou de acariciar as pernas, porque ele não podia ver, e agora acaricia os braços, as costas, põe as mãos por dentro do vestido. Sorri e diz que sim. Ele, finalmente, pára de falar por um bocadinho e dá-lhe a mão.
Traga-me outra cerveja, por favor.
Hot Club
O Hot Club está cheio - de gente, de mulheres bonitas, de música, de "estar tudo na mesma" - até o Rui Neves lá estava, no lugar ao balcão que me apetece pensar ser onde o vi pela última vez há trinta anos. Não é verdade, claro, mas para o caso é irrelevante.
É forçoso, e objectivo, reconhecer que as mulheres do Hot Club são mais bonitas do que, por exemplo, as do Pavilhão Chinês, dos KKKKK todos, do Frágil (o que não é difícil), ou do Lux (apesar de nunca lá ter entrado). A razão é simpples: é que essas mulheres, as que não vêm ao Hot Club, são demasiado artificiais ou demasiado "naturais", demasidao bonitas ou demasiado feias, demasiado gordas ou demasiado magras. As do Hot não: são bonitas sem ter cara de quem saiu da passerelle há dois minutos, vestem-se normalmente, e só são sofisticadas "por dentro", whatever that is. Mesmo as namoradas dos músicos têm um ar normal, de "girl next door", como dizia a Playboy. Ao contrário dessas Courtney Love de pacotilha que por aí pululam.
Já aqui falei, creio, do Dr. Jazz, em Düsseldorf. Era diferente do Hot: para começar, era um clube de jazz, não um jazz club. Não sei se me faço entender, pero poco importa. Tinha umas escadas, também, onde eu costumava sentar-me com a minha namorada, uma alemã muito magrinha e muito bonita que falava seis ou sete línguas e urrava em todas quando fazíamos amor. Não me lembro do nome dela: era um desses nomes de deusa teutónica que só fazia sentido depois de a termos conhecido na cama. O casal que está agora sentado nas escadas do Hot trouxe-ma à memória.
As mulheres do Hot são as melhores.
É forçoso, e objectivo, reconhecer que as mulheres do Hot Club são mais bonitas do que, por exemplo, as do Pavilhão Chinês, dos KKKKK todos, do Frágil (o que não é difícil), ou do Lux (apesar de nunca lá ter entrado). A razão é simpples: é que essas mulheres, as que não vêm ao Hot Club, são demasiado artificiais ou demasiado "naturais", demasidao bonitas ou demasiado feias, demasiado gordas ou demasiado magras. As do Hot não: são bonitas sem ter cara de quem saiu da passerelle há dois minutos, vestem-se normalmente, e só são sofisticadas "por dentro", whatever that is. Mesmo as namoradas dos músicos têm um ar normal, de "girl next door", como dizia a Playboy. Ao contrário dessas Courtney Love de pacotilha que por aí pululam.
Já aqui falei, creio, do Dr. Jazz, em Düsseldorf. Era diferente do Hot: para começar, era um clube de jazz, não um jazz club. Não sei se me faço entender, pero poco importa. Tinha umas escadas, também, onde eu costumava sentar-me com a minha namorada, uma alemã muito magrinha e muito bonita que falava seis ou sete línguas e urrava em todas quando fazíamos amor. Não me lembro do nome dela: era um desses nomes de deusa teutónica que só fazia sentido depois de a termos conhecido na cama. O casal que está agora sentado nas escadas do Hot trouxe-ma à memória.
As mulheres do Hot são as melhores.
Diálogos extensos, mas possíveis
- Jantamos? - disparei a pergunta à queima-roupa, subitamente, sem ter sequer tido tempo de a elaborar interiormente. Eu acabara de a conhecer, não trocara mais de meia dúzia de frases com ela, e todas de circunstância.
- Não. O mano faz 25 anos, e isso festeja-se.
- Festeja-se? Porquê?
- Sei lá. Porque é metade de 50, talvez. - Eu tinha 50 anos, ou muito perto, e ela pouco mais de 30. Não gosto de mulheres muito mais novas do que eu, sobretudo porque não sabem dar respostas destas. Esta não o era, visivelmente.
- Enganei-me - retorqui. - Devia ter utilizado o verbo na sua forma reflexa: jantamo-nos?
- Hoje não. Amanhã talvez.
- Quem é que telefona ao outro?
- Você é homem, não é?
- E você não liga a essas coisas, pois não?
- Com pessoas de 50 anos ligo.
- Não. O mano faz 25 anos, e isso festeja-se.
- Festeja-se? Porquê?
- Sei lá. Porque é metade de 50, talvez. - Eu tinha 50 anos, ou muito perto, e ela pouco mais de 30. Não gosto de mulheres muito mais novas do que eu, sobretudo porque não sabem dar respostas destas. Esta não o era, visivelmente.
- Enganei-me - retorqui. - Devia ter utilizado o verbo na sua forma reflexa: jantamo-nos?
- Hoje não. Amanhã talvez.
- Quem é que telefona ao outro?
- Você é homem, não é?
- E você não liga a essas coisas, pois não?
- Com pessoas de 50 anos ligo.
Rupturas
Ambos saímos de uma relação difícil, é verdade; e ambos procuramos outra, mais fácil, menos tormentosa - e, sobretudo, com outras personagens...
Mas tu tens, reconhece, a vantagem da deriva: vais, quase a pedido, para onde queres, nas margens desse rio que escolheste e tantas tem, tão diferentes. Eu não. Não consigo deixar de nadar, contra ou a favor da corrente, pouca importa agora. Quando derivar, será para o fundo.
Foi para o fundo.
Mas tu tens, reconhece, a vantagem da deriva: vais, quase a pedido, para onde queres, nas margens desse rio que escolheste e tantas tem, tão diferentes. Eu não. Não consigo deixar de nadar, contra ou a favor da corrente, pouca importa agora. Quando derivar, será para o fundo.
Foi para o fundo.
21.7.06
Serviço Público - Pubs
Para além de boa música (ao vivo e ao morto), de um bom serviço (leia-se, empregadas bonitas) e de um bom ambiente, seja lá o que isso for, o pub O'Luain's, em Cascais, faz excelentes sandes de frango.
Sem literatura
Sem literatura? Querida, isso nem oralmente: o mais pequeno resvalo em direcção à mentira e a literatura entra em campo.
Mentira
Deixa-me dizer uma mentira: há dias em que consigo viver sem ti; são cada vez mais, e cada vez menos maus.
Enfim, três mentiras.
Enfim, três mentiras.
20.7.06
Um post perfeito
Há posts perfeitos, no Mundo Perfeito. Este é um deles.
A "última vez" já foi, e só se já foi o será, porque se estiver ainda por vir haverá sempre muitas mais "últimas vezes". Só sabemos que é a "última vez" a posteriori - como quase tudo numa relação, de resto. Por isso desejamos tanto que haja uma última vez, antes de definitivamente partires, antes do adeus definitivo, antes da próxima "última vez".
A vida é uma sucessão de últimas vezes que não aconteceram, nem acontecerão.
A "última vez" já foi, e só se já foi o será, porque se estiver ainda por vir haverá sempre muitas mais "últimas vezes". Só sabemos que é a "última vez" a posteriori - como quase tudo numa relação, de resto. Por isso desejamos tanto que haja uma última vez, antes de definitivamente partires, antes do adeus definitivo, antes da próxima "última vez".
A vida é uma sucessão de últimas vezes que não aconteceram, nem acontecerão.
19.7.06
No fundo
No fundo, não gosto de mulheres: gosto de verdades. Por isso fico ligado a cada uma delas, a todas as que amei, para sempre.
5.7.06
Futebol - IV
É preciso reconhecer - Doutor, é grave? - que prefiro as ruas silenciosas de tristeza à arruaça da vitória.
Futebol - III
No fim, tive pena: o dono do restaurante mal conseguia esconder as lágrimas, ao dar-me a conta.
Futebol - II
Não sei se por altruísmo, se por segurança, entrei no restaurante e pedi o jantar durante o intervalo. Excesso de zelo: a cozinheira era ucraniana, ou coisa que o valha, e interessava-se tanto pelo jogo como eu.
2.7.06
28.6.06
19.6.06
Serviço Público - Restaurantes
Restaurante "Paladar", Calçada do Duque 43A, Lisboa. Tel.: 933 423 031.
Uma mistura interessante de uma decoração moderna e bonita, carta moderna e boa, serviço atencioso, preços razoáveis, quantidades razoáveis (razoável sendo aqui sinónimo de "clássico") e uma qualidade bastante acima da média.
Uma mistura interessante de uma decoração moderna e bonita, carta moderna e boa, serviço atencioso, preços razoáveis, quantidades razoáveis (razoável sendo aqui sinónimo de "clássico") e uma qualidade bastante acima da média.
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Restaurantes Lisboa
18.6.06
História breve
É, na verdade, indecente. Vi-te pela primeira vez na tabacaria da esquina - tu compravas cigarros e eu pastilhas elásticas. Daí fomos para tua casa, fazer amor e dar de comer ao gato. Alimentei-o o melhor que pude, com as latas que me deste e água da torneira. Disse-lhe mesmo onde havia ratos, não fosse ele ficar com fome.
E agora mandas-me passear. Com o cachorro pela trela, o gato ao lado, e ordem para não voltar enquanto não chover. Não vai chover tão cedo. Vou passear.
E agora mandas-me passear. Com o cachorro pela trela, o gato ao lado, e ordem para não voltar enquanto não chover. Não vai chover tão cedo. Vou passear.
Le temps des cerises
Le Temps des Cerises, ma chère, não acaba nunca: cerejas sois todas vós, mulheres bonitas, mulheres inteligentes. Uma fica-nos na mente, no corpo, na alma: cereja ainda, aleluia, sorte grande, felizes que somos. Por quanto tempo? Pelo resto da vida, à chaque fois.
17.6.06
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