6.10.09

Até que enfim

Ouvi recentemente o Dr. Ernâni Lopes defender o turismo náutico como sendo um dos vectores estratégicos de desenvolvimento de Portugal. Até que enfim! Ando a dizer a mesma coisa há 30 anos. Suponho que tenho menos audiência do que ele.

Bicicletas

Ando a hesitar - tinha pensado mudar-me para Gondomar antes das eleições por causa dos bilhetes para o Tony Carreiras; mas agora que em Lisboa o Dr. António Costa oferece bicicletas, talvez valha a pena ficar por cá.

Adenda: Infelizmente a imagem não mostra a marca das ditas cujas; serão das boas, ou das pechisbeque?



Os metros do sítio

O Don Vivo voltou à sua condição de Sitemeter et al. free zone. Já não há traquers - passe o neologismo, elegante.

5.10.09

Tonight will be fine

Leonard Cohen, "Tonight will be fine":

Pudicícias - III

O Dr. António Costa, por exemplo, é provavelmente mais honesto do que Isaltino de Morais; mas é incontestável e incomensurávelmente pior presidente de Câmara. Além disso, gosta de nos tomar - nós, aqueles que podemos (mas não devemos) elegê-lo - por parvos. Cinco alturas de contentores é altura habitual da maioria dos equipamentos de desembarque de contentores (apesar de já haver alguns que chegam a seis).

Pudicícias - II

Em recente conversa sobre Isaltino de Morais, defendi que o homem ia ser eleito porque é um bom presidente da Câmara. Ponto final.

O poder democrático é um contrato implícito: "nós elegemos-te para o cargo que queres, e em contrapartida tu dás-nos aquilo que nós queremos. E desde que tenhamos aquilo que queremos, trata de ti". O que não é grave. Muito mais o é quando as pessoas são eleitas e não cumprem a sua parte do acordo. ("Trata de ti" deve ser visto em sentido lato: sou daqueles que acredita que há pessoas que vão para a política por sentido de dever; estão a "tratar delas").

Se, na troca, o eleito se abotoar com um bocadinho mais do que estava previsto, e der também aos eleitores mais do que aquilo a que eles estão habituados, é perfeitamente normal e compreensível que estes o reelejam. Pena é que a bitola dos eleitores esteja tão baixa - mas disso não se pode acusar Isaltino de Morais.

(Por isso penso que a democracia directa é o melhor dos sistemas políticos, mas isso é outra história).

Pudicícias

Em certos meios, dizer-se que se apoia Pedro Santana Lopes é como anunciar-se, numa assembleia de mórmons, que vamos casar com uma artista de cabaret.

4.10.09

Chanson d'amour

Não se deixem enganar pelo sotaque do apresentador. Esta versão é das melhores que conheço.

Manhattan Transfer, "Chanson d'amour":



(Para não falar dos colarinhos dos senhores que cantam).

Manhattan Transfer

"On a little street in Singapore":

Bis repetitia

Procol Harum, "Whiter shade of pale":

De bicicleta

De Sintra à Ericeira são 22,5 km, que percorri em pouco mais de uma hora, para lá; e muito mais, para cá - um almoço, um jantar e um engano depois. O trajecto é feio: constantemente semi-urbano, com casas que parecem querer fazer parte de um concurso para a casa mais bimba do ano e se esmeraram pela vitória, restaurantes em que o "Frango assado no churrasco" tem uma predominância injustificada numa região onde tão bem se come; muito trânsito, constante. Não deve haver três quilómetros planos seguidos, mas os desníveis são ligeiros.

O ponto forte são as gloriosas descidas para a Foz do Lizandro e as subidas, muito menos penosas do que temia. E a magnífica companhia - mas isso são contas de outro rosário.

1.10.09

A força dos fracos - II

E depois, como se tudo isso não bastasse, bebem Grants, ponto e vírgula, num balão. "Com gelo, por favor".

Dor (cont. e fim)

Espessa, densa como o alcatrão derretido que vias porem nas ruas, nos anos de eleições autárquicas;

(Da qual só sais quando te fartas, e começas a ouvir a palavra "Chega!" percorrer-te a pele - um ou dois pares de mãos dos quais te começas a lembrar, pouco a pouco; uma pele que te sorri e te espera, ou acolhe; um ventre - a vida).

E que depois disso é totalmente inútil, senão para ser percorrido por automóveis barulhentos, cuspido por velhos tísicos e mijado por cães impacientes.

Au revoir

Gostava do A Ponto, no qual me revia, tantas vezes. Acaba agora, e é pena.

Ou talvez não, talvez não acabe: as palavras vivem para sempre; só morrem quando aqueles que as leram desaparecem.

Olissipoterapia

Dias sofridos, magoados, agitados, inquietos. Ao almoço esqueço-me de qualquer coisa no restaurante; agora, doutra na loja de bicicletas. Esqueço-me de tudo, de todos: dias em que o universo se transforma numa bola de dor, de impotência, se apaga e apaga tudo.

Regresso ao rio, aos telhados, à luz do fim do dia, a esta esplanada com vista para a cidade, às antenas de televisão - rídiculas e ubíquas grades de uma prisão invisível na qual cada lar português esconde a sua indigência, o seu individualismo. No beiral de um dos telhados um pombo coça-se frenético; um pouco mais acima um outro procura comida; num banco, uma senhora em contra-luz faz a mesma coisa que eu: olha para a cidade e escreve-se, se calhar. Pouco a pouco as coisas recompõem-se; recompor-se-ão. Penso em ti. A dor de cabeça recede, tal como a maré, que agora está a baixar (vejo-o pelo cacilheiro que atravessa, todo de lado) e vai, irremediavelmente, mudar. Daqui a pouco o sofrimento não será mais do que a irreconhecível folha de uma árvore de onde pendem milhares; daqui a pouco, a luz será luz e as antenas antenas; daqui a pouco Lisboa terá agido, de novo; como se fosse, sempre, a primeira vez.

"Time to be positive" diz o cartaz que vejo quando saio. "Too late, meu caro".

Todos por Lisboa

...já que António Costa está contra. Mais vale votar em quem disse "não" claramente à ampliação do Terminal de Contentores de Alcântara, que é - embora muitos disso não se apercebam - a maior ameaça que pesa sobre a nossa cidade actualmente. É um gigantesco, inútil, feio e custoso passo atrás; é adaptar Lisboa ao que foi, e não ao que vai ser. É o equivalente (guardadas, claro, as devidas proporções) a dizer que a revolução industrial é que é, e que a sociedade digital pode esperar. É uma desgraça que vai condicionar a cidade para as próximas gerações. É recusar, e recusar-lhes, o futuro, e abrir em grande as portas do passado. O terminal de contentores já devia ter sido feito há 20 anos na margem Sul. Não foi. Não é agora, ali. Não se corrige um erro com outro erro.

O melhor é sermos, realmente, todos por Lisboa. E não votar em António Costa.

Um nado-vivo

Aqui. Tem tudo para ter um longo futuro pela proa.

A força dos fracos

posts que parece foram escritos por encomenda.

PS com dedicatória - é bom poder dizer que conheci recentemente uma excepção.

Abjecção

Viver com sem cair na. Será possível?