31.12.07

Um erro frequente

Há uma ideia falsa, infelizmente bastante comum, segundo a qual os portugueses não são empreendedores. Nada mais errado: antes pelo contrário, há é que ficar surpreendido com a quantidade de empresas sub-capitalizadas, criadas por pessoas sem a menor ideia de gestão ou marketing que existem no nosso país.

Desde que cheguei a Portugal, vai para cinco anos, fui a inúmeros fórums, seminários, congressos, workshops sobre empreende-dorismo e similares. E cada vez mais confirmo que quem precisa de cursos e de formação e de encorajamentos na área do empreendedorismo em Portugal não são os empreendedores, que desses temos muitos e bons. São os financiadores. Esses é que, coitados, refugiados no imobiliário, nas tricas e na asa benemérita e protectora do Estado perderam o sentido e a necessidade do risco.

Encontrei, via Breaking Posts este post (a reprodução é parcial), com o qual não estou inteiramente de acordo mas que acho faz uma boa descrição do empreendedor:


Após consultar alguma bibliografia relacionada com este tema, seleccionei a seguinte lista de características do empreendedor:

Criatividade --- O empreendedor é, por natureza, criativo. O empreendedor actua para além dos limites dos meios colocados à sua disposição, usando a criatividade para atingir os seus objectivos.

Realização --- O desejo de realização pessoal é um dos principais factores que motivam o empreendedor. Muitas vezes mais importante que o ganho financeiro está a realização pessoal.

Tolerância ao risco --- O risco é uma constante na vida de um empreendedor. Compreender e tolerar o risco é uma das suas características.

Independência (ou autonomia) --- O empreendedor é autónomo, conseguindo prosseguir o seu caminho mesmo sem fazer parte de uma equipa ou empresa.

Perseverança --- O empreendedor não desiste enquanto não conseguir alcançar o seu objectivo, por mais adversidades que lhe sejam apresentadas.

Auto-confiança --- Para conseguir realizar tudo aquilo a que se propõe, o empreendedor acredita, acima de tudo, em si próprio.

Optimismo --- Todas as situações são abordados de um ângulo optimista. O empreendedor elimina rapidamente quaisquer dificuldades que se atravessem no seu percurso.

Será que o típico português possui as características necessárias ao empreendedorismo? Provavelmente terá algumas destas características mas não todas elas, sendo que muitas das vezes possui características inversas às desejadas (o caso da característica Optimismo).

Sim, o português é criativo (nós costumamos usar o termo "desenrascado"). Sim, o português deseja muito a sua realização pessoal, embora na maior parte dos casos isso se traduza somente na componente financeira (ou seja, ganhar a lotaria resolveria a questão).

Agora, será que o português é optimista? O português é fatalista, vislumbrando quaisquer problemas ou dificuldades antes de elas acontecerem (o célebre síndroma do "Velho do Restelo"). Será que o português possui auto-confiança em quantidade suficiente para assumir os riscos inerentes a uma actividade empreendedora?

Provavelmente sem uma "rede" não avançará, precisando de apoios externos (leia-se apoios financeiros) aos seus empreendimentos. Esta é provavelmente, a principal queixa por parte de quem tem ideias e quer montar empresas: a falta de subsídios ou de capital de risco.

Arbres et Lumières 2007

O Festival Arbres et Lumières deste ano, o 7°, é o melhor dos que vi até hoje. Imagens aqui, e aqui.

Títulos

Este vale ouro: SAIR DO ESTADO PARA TRABALHAR;
Este é intrigante: 2008: preços de bens e serviços sobem acima da inflação

Provérbios

"A descer todos os santos ajudam". E a subir, quem ajuda? Os demónios?

30.12.07

Amor eterno

Na Idade Média e na Renascença cada pessoa casava-se várias vezes durante uma vida: a esperança de vida era curta e o casamento também, por força das circunstâncias. Até finais do século XIX nunca passaria pela cabeça de ninguém que o amor devesse durar para sempre. Nesses tempos defendia-se mesmo que não se deve misturar o sexo, o amor e o casamento, que são três coisas com ritmos, timings e esferas diferentes e não necessariamente miscíveis.

A partir do início do séc. XX as condições de vida mudaram radicalmente: a saúde e o dinheiro ficaram acessíveis a fatias cada vez maiores da sociedade, e os ideais românticos de meados do séc. XIX também. Isso criou uma tensão muito grande no casamento e no amor: tinham que ser "pour la vie"; mas a esperança de vida aumentou muito mais do que o amor, ou o casamento, podiam suportar. As expectativas cresceram, exponencialmente: o casamento tinha que ser eterno, o amor também, o sexo perfeito, sempre e para sempre (a título de curiosidade: outro efeito disto foi o aparecimento do "instinto maternal", inexistente até aí).

A maioria das relações acaba mal (isto é, conflituosa, amarga ou dolorosamente) não porque a relação acabou (tudo tem um princípio, um meio e um fim), mas porque um ou os dois parceiros pensam que foram defraudados (e foram, as suas expectativas foram inegavelmente defraudadas).

Muita dor se pouparia, se as pessoas deixassem de pedir o impossível - ou se a espécie evolver para este novo paradigma, claro, mas isso parece-me mais difícil, ou pelo menos muito lento.

Elle a bon dos, Bruxelles

O Dr. António Nunes, da ASAE, deu uma entrevista ao Sol, na qual justifica as acções da ASAE com a "legislação comunitária". Eu passo metade de minha vida na União Europeia (admitidamente num número restrito de países), e não me apercebo dos efeitos dessa legislação. Em Paris vou frequentemente comer aos traiteurs chineses ou aos estaminés de Kebab, e não me parece que sejam muito melhores do que a Ginginha do Rossio.

Elle a bon dos, Bruxelles, mas por favor, não nos comam por parvos. Numa área que me é familiar, a da náutica de recreio, passou-se recentemente uma coisa gira: a UE fez uma daquelas legislações em que é farta, e que só pode ser aplicada na Lua, ou arredores. Metade dos países da União, pura e simplesmente, adoptou a parte da legislação que fazia sentido, e ignorou o resto. Portugal prepara-se para adaptar tudo, tal e qual. Elle a bon dos, Bruxelles...

Relações

Uma relação sustentável (e boa, rica, etc., mas isso é outra história) é um encontro de autonomias. Isto aplica-se a todo o tipo de relações, e a todas as áreas da autonomia.

29.12.07

Navios de vela

O grande problema do regresso da Marinha Mercante à vela como forma de propulsão são os mastros: ocupam espaço, são pesados e têm implicações na estabilidade do navio.

O Kite Surf veio resolver esse problema.

Aniversário

O Don Vivo faz hoje quatro anos.

28.12.07

Má fé e bons sentimentos

Não é com bons sentimentos que se faz literatura, ou uma carreira no jornalismo. Mas há limites à má-fé, à desonestidade intelectual, à falta de bom senso: "Le champion des droits de l'homme et le libérateur des otages célèbres ou l'ami complaisant de Bush, Hu Jintao, Poutine, Chavez, Kadhafi (série en cours)". Comparar Sarkozi e Bush a Chavez - este ficaria decerto contente, se soubesse ler (francês, quero dizer) - a Kadhafi e aos outros é realmente inexcedível, vindo de um dos responsáveis de um dos mais importantes media franceses.

O sabor do mês

Por estas bandas, os sabores do mês têm sido dois (pré-Benazir, claro): o namoro do Sarkozi com a Bruni (até hoje ainda só houve um jornal que observou a coisa como deve ser vista, a meu ver: "Carla Bruni: novo troféu no seu tableau de chasse" (Tribune de Genève); passemos, é pouco importante: o Chirac não falhava uma feira cheia de vacas e de agricultores e ninguém dizia nada;

E o julgamento da meia dúzia de iluminados da Arche de Noé. Não sou grande fã da ajuda humanitária, e ainda menos da de este tipo de cow-boys, incompetentes, arrogantes, e sem a mais pequena ideia do que estão a fazer. Só falta esperar que sirva para alguma coisa. Hoje regressam a França, daqui a um mês ou dois estão livres - mas talvez apanhem um susto, e façam outros pensar duas vezes antes de irem brincar aos Indiana Jones da solidariedade.

Afinal, se a incompetência e a arrogância merecessem oito anos de trabalhos forçados, três quartos da função pública portuguesa estava a partir pedra ou a construir auto-estradas.

27.12.07

Ruptura

"Só tens amor para me dar", disse enquanto se levantava. Estávamos num café, não me lembro onde nem qual. "E isso para mim não chega", terminou, já a caminho da porta.

23.12.07

Baricco

"De Langlais, elle apprit que parmi toutes les vies possibles il faut en choisir une à laquelle s'ancrer, pour pouvoir contempler, sereinement, toutes les autres."

in "Océan Mer", Alessandro Baricco.

Baricco

"...Nous serions invisibles, pour n'importe quel ennemi. Suspendus. Blancs comme les tableaux de Plasson. Imperceptibles même pour nous. Mais quelque chose vient gâter ce purgatoire. Quelque chose à quoi tu ne peux pas échapper. La mer. La mer ensorcelle, la mer tue, émeut, terrifie, fait rire aussi, parfois, disparaît, par moments, se déguise en lac ou alors bâtit des tempêtes, dévore des bateaux, elle offre des richesses, elle ne donne pas de réponses, elle est sage, elle est douce, elle est puissante, elle est imprévisible. Mais surtout: la mer appelle. Tu le découvriras, Elisewin: elle ne fait que ça, au fond: appeler. Jamais elle ne s'arrête, elle te reste collée après, c'est toi qu'elle veut. [...] Sans rien expliquer, sans te dire où, il y aura toujours une mer qui sera là, et qui t'appellera."

in
"Océan Mer", Alessandro Baricco.

22.12.07

Não é, em rigor,

espantoso, mas já vai em 15162.

Pergunta

O nosso Governo, por intermédio do Turismo de Portugal, pagou uma real pipa de massa a um fotógrafo inglês para fazer umas fotografias (os posters que daí saíram são pirosos como um barrete da Nazaré, mas isso é outra história). Pergunto a mim mesmo se terão pago a tempo a e horas, ou se demoraram meses.

(Aposto que pagaram muito, muito depressa).

21.12.07

Humor feminino

Humour 'comes from testosterone' . Men are naturally more comedic than women because of the male hormone testosterone, an expert claims.

Para os homens que gostam de mulheres com sentido de humor esta é uma notícia interessante.

(Via 31)

Vírgulas

Uma vírgula mal colocada num número deixa-me indiferente; numa frase, provoca-me horas de agonia.