27.7.09

400,000 euros

Para se ver a importância relativa das coisas para quem governa, nada como comparar os respectivos orçamentos. A RTP tem um orçamento diário de quase 400 mil euros (386 mil, para ser mais preciso). A CP tem 87 mil. E ainda diz que não deu suficiente atenção à cultura.

Asqueroso

O homem é asqueroso, não há nada a fazer.

"ANF diz que "tragédia" em Santa Maria não surpreende"

(Via Jugular)

24.7.09

Modernidade, modernices e saloiices

A modernidade em Portugal é curiosa, às vezes. Em Cascais há uma passadeira para peões à frente daquela linda judiaria que é o Cascais Villa. Essa passadeira gerava inúmeros protestos porque o verde para peões estava aberto muito pouco tempo - o que de certa forma se compreende porque é a saída da vila para a marginal, e porque há uma passagem subterrânea não muito longe. Acontece que a maioria das pessoas prefere - eu faço parte dessa maioria, devo dizer - atravessar os dez metros de rua a ir dar uma enorme volta para a passagem subterrânea. A preferência parece-me legítima: porque haverão os automóveis de ter, sempre, prioridade sobre os peões?

Há muito que ando para ver se a duração do verde aumenta; mas hoje apercebi-me definitivamente de que não vale a pena: o que a Câmara Municipal fez foi pôr um contador de segundos no lugar da luz verde. O tempo continua curto demais - mas pelo menos sabemos quanto falta. Claro que para um velhote, ou qualquer pessoa de mobilidade reduzida, é utilíssimo saber o tempo de que ainda dispõe, antes de correr o risco de ser atropelada.

Um outro aspecto interessante desse sinal tem a ver com os táxis que saem da estação. Mas isso é outra história.

Como as coisas deveriam ser

150.000 empregos

José Sócrates está a caminho de cumprir a sua promessa de criar 150.000 empregos - se os que os nossos emigrantes arranjam no estrangeiro contarem, claro.

"Há muito mais gente a abandonar Portugal"

Blogs

Apareceram dois novos blogues na paisagem bloguística portuguesa, universalmente conhecida como PBP: o Simplex, pró-Sócrates, e o Jamais, anti. Escusado será dizer que o Don Vivo alinha por este último.

Mas não posso impedir-me de pensar que tanto um como o outro nome foram mal escolhidos: o Simplex é uma dessas inúmeras reformas de Sócrates que ficou a meio (se bem, significativo é reconhecê-lo, uma das que foi mais longe). O menor dos falhanços não deixa de ser um falhanço. E enquanto me lembrar da quantidade de coisas que ficou por fazer nessa área o Simplex far-me-á, amargamente, rir.

"Jamais" tão-pouco é uma designação muito feliz - afinal, o novo aeroporto mesmo acabou por passar para a margem sul, apesar das interjeições francófonas do nosso Lino, o senhor que assinou aquele magnífico acordo com a Mota-Engil.

23.7.09

Família (cont. e fim)

Como podem ver venho de boas famílias, com história e histórias. Claro que não sou perfeito, ninguém é; mas - digo-o sem falsa modéstia - sou a prova viva de que os genes não degeneram: evoluem.

Trabalho, como disse, num talho - o que desgostava bastante o avô Fachadas e faz rir a avó Feliciana; mas, apesar do meu magro salário, tenho um sonho (deixem-me esclarecer que ganho pouco: uma vez e meia o salário mínimo "até morreres ou te ires embora, o que acontecer primeiro", diz o meu patrão - a meu ver de uma forma pouco simpática para quem trabalha num talho). Mas tenho um sonho que me preenche a vida e isso é que conta.

Os meus primos e os poucos amigos que tenho riem-se de mim quando lhes conto este sonho, este projecto: fazer uma empresa de observação de baleias na Costa da Caparica. Uns dizem "não há baleias na Costa". Outros acrescentam "e em breve não haverá Costa". Pois bem, eu mantenho-me firme e mando-os passear. É verdade que hoje não há baleias nas nossas águas. Mas com o aquecimento global estou certo de que começarão a passar por cá, os grandes cetáceos. E quanto a essa balela da Costa ser levada pela erosão: que Governo o permitirá? Que Governo será suficientemente irresponsável para deixar uma zona tão bonita ir, literalmente, por água abaixo? Basta atentar no benefício que representa para a economia despejar areia na Costa para depois a ir dragar ao canal de acesso ao porto de Lisboa. Está em linha com as ancestrais tradições da governação portuguesa - e ainda nos permite dar uma lição àquele americano que dizia "em tempos de crise até cavar buracos e tapá-los a seguir é defensável": nós começamos por tapá-los, e escavamo-los depois. O que é muito mais complexo e rico (como vêem não me interesso apenas por genética e por baleias).

A verdade é: desde que este projecto se apropriou de mim a minha vida mudou radicalmente. A primeira preocupação foi, claro, assegurar a parte financeira. Fui a vários bancos e organismos, mas nenhum achou a ideia viável. Falta de visão, é outra pecha nacional. Pouco importa: desde que o avô morreu (e uma vez passado o choque, claro, e o desgosto) comecei a pôr rigorosamente metade de cada salário que ganho no banco, numa conta intocável. Ou seja: vivo com 0,75 (três quartos) do salário mínimo nacional. Actualmente isto representa aproximadamente 300 euros por mês (posso assegurar-vos que votarei no primeiro partido que prometer aumentar o salário mínimo, venha ele de onde vier).

Com este montante vivo: isto é, pago a renda e alimento-me. No fundo viver é isso, não é? Tudo o mais é supérfluo. Os meu primos - às vezes, não posso escondê-lo sempre, aborrecem-me um bocado - perguntam-me como é que eu faço. Eles, que têm uma boa vida e salários óptimos - um até trabalha numa ONG, dessas que paga salários mirambulantes - não têm projectos, nem sonhos. Eu fui o único a quem a fortuna do velho Fachadas teria servido para dar corpo a uma visão. Eles não: só pensam em automóveis e casas na praia, viagens a Londres e à China (meu Deus, à China! Fazer o quê? Que interesse tem aquilo?). Enfim, para eles a desilusão foi grande, mas a vida continuou. Para mim não: a mudança foi radical, violenta.

Comecei por negociar com os meus pais a renda do quarto (desde que comecei a trabalhar eles fazem-me pagar uma renda - a meu ver muito justamente). Prometi-lhes que começava a tomar banho de água fria, sempre; e em vez de o tomar todos os dias, passaria a um ritmo "dia sim dia não". O pai concordou imediatamente (ele não está muito de acordo com o projecto, e pensou que uns duches de água fria me fariam pô-lo de lado). A mãe opôs-se. Mas enfim, quem manda lá em casa é o pai, e a proposta foi aceite. A verdade é que tomar banho de água fria não custa nada: basta não ser friorento, e eu não sou (se fosse, como poderia trabalhar num talho?). Além disso, um duche de água fria espevita o sangue e as ideias. Já duchar-me em dias alternados é mais difícil, mas uma pessoa habitua-se - mesmo que levante alguns protestos dos colegas e dos primos e dos amigos (poucos, felizmente). Ando a tentar descobrir maneira de me lavar mais ou menos no talho - mesmo sofrendo a troça dos colegas, mas a isso estou habituado.

O mais difícil foi a parte da comida. Deixar de comprar discos, livros, viagens, flores para o quarto ou para oferecer, ou telefonar quando me apetece não foi difícil - de qualquer forma eram coisas que fazia muito raramente. Realmente penoso foi ajustar a alimentação (devo dizer que gozo de uma saúde de ferro, felizmente, e não preciso de remédios nem de médicos). Mas também a isso me habituei. Felizmente, suporto bem a disciplina férrea que um projecto desta envergadura exige. Comecei por reduzir a quantidade de cervejas que bebia quotidianamente (de 17 passei para 8); e a ir comer a supermercados: no máximo, 3 euros por refeição; estou a falar com a minha mãe sobre um almoço feito em casa e levado para o trabalho. Se conseguir, ganho um euro e meio, pelo que posso beber mais uma imperial por dia e ainda aumentar a poupança. E tive uma ideia genial: às segundas e sextas-feiras não almoço. Compenso aos sábados e domingos. No fundo, é uma espécie de mini-ramadan: só volto a comer ao jantar. É um regime óptimo, que até já me fez perder algum peso (pouco, infelizmente).

Outra fonte de poupança foram os transportes. Deixei-me de transportes públicos, passes e tudo isso. Desencantei uma velha bicicleta que o meu pai guarda desde os tempos da sua juventude. É antiga, mas em muito bom estado, que o pai sempre foi cuidadoso com o material. Emprestou-ma sem dificuldades: "pagas-ma com o dinheiro dos teus primeiros clientes", disse-me, com um orgulhozinho indisfarçável nos olhos (achei estranho, porque ele sempre se opôs ferozmente àquilo que chama "uma aventura sem futuro"). Afinal, estava a ver a sua city bike (como ele lhe chama. Os estúpidos dos meus primos chamam-lhe pastry bike) ser de novo utilizada. A bicicleta é, diga-se de passagem, muito bonita, se bem um pouco pesada. É nela que vou todos os dias para o meu trabalho: uma gloriosa descida de manhã, que à tarde se transforma em penosa subida. E é também nela que aos domingos vou ver o local da minha futura empresa.

Não o escolhi por acaso. A Costa da Caparica é dos sítios mais bonitos que conheço. É uma zona linda, semelhante àquilo que imagino ser Cannes ou St. Tropez - os prédios de um lado, o mar imponente do outro, e no meio uma longa promenade (só que lá ela é dos ingleses, parece, e cá é nossa e bem nossa). Lindo, moderno, os cafés todos iguais alinhados ao longo da promenade ("um bocadinho como em Londres, não é?" ouvi ontem um inglês dizer. Como se em Londres houvesse mar); as pessoas, lindas: famílias inteiras, dos avôs aos netos; os parques de campismo, tantos - fizeram-me pensar que assim deveriam ser os bairros da lata ou as favelas: é muito mais bonito do que aquelas barracas em chapa ondulada que vemos na televisão. E ainda dizem que um governo seria capaz de deixar aquilo ir por água abaixo! Aliás, é tão parecido com o Sul de França que anda-se um pouco e lá estão os pinheiros; e até tem uma praia chamada Riviera. Essa é que é essa.

Uma vida que a alguns pode parecer estúpida e sem sentido; não é. Pobre sim, indubitavelmente. Mas não estúpida ou sem sentido. E cada vez que vou à Costa da Caparica, montado na minha city bike, e vejo o futuro local do "Observatório de Baleias Gastão da Costa" (da Costa não é o meu apelido - é apenas uma singela homenagem ao local) compreendo finalmente o sentido daquele verso de Fernando Pessoa: "O sonho é ver as formas invisíveis" ("das baleias", acrescento eu comovidamente).

22.7.09

Isto tem um nome

Logo após a divulgação integral do Relatório de auditoria do Tribunal de Contas ao caso Liscont, o Governo, através do Ministro Mário Lino, convocou uma conferência de imprensa e divulgou um extenso documento que, alegadamente, poria em causa as conclusões arrasadoras do Relatório, aproveitando-se do nulo conhecimento que muitos jornalistas e cidadãos em geral têm do funcionamento das auditorias: em termos muito simples, o TC enviou ao Governo um projecto de relatório, para que este exercesse o contraditório. O Governo assim fez e acusou o projecto de relatório de uma série de inverdades e confusões. O TC leu a resposta do Governo e aprovou o Relatório final (naturalmente diverso do Projecto, no qual as queixas e observações do Governo foram devidamente analisadas e consideradas.

Confundir (ou tentar confundir) uma resposta a um Projecto de Relatório com um documento crítico do relatório propriamente dito (Relatório que é posterior e teve em conta o tal documento do Governo, insisto) é, no mínimo, um erro grave. Persistir na tese de que o Relatório do TC contém «erros factuais elementares omissões graves e afirmações infundadas» nem sei bem o que é.

Ouve-se e fica-se na dúvida

"Digo desde sempre que uma correcção virtuosa das contas só é feita pelo lado da despesa", afirmou Teixeira dos Santos.

O coitado do senhor é Ministro das Finanças há quatro anos e está há quatro anos a fazer uma coisa com a qual não concorda, é isso? Por muito menos o seu antecessor demitiu-se. Ou será que é só para eleitor ver?

PS - Por exemplo: "Toda a oposição apoiou hoje no Parlamento uma petição que pede que o IVA passe a ser pago ao Estado após o recebimento e não após a emissão da factura, alteração que o PS contestou". Imagino que a esta hora o Senhor Ministro das Finanças esteja no seu gabinete zangadíssimo com os deputados do PS que recusaram uma medida da mais elementar justiça.

Compreensões

Retratos possíveis

Grávida: seios inchados como odres de vida, odes à vida.

21.7.09

Serviço público - Tascas

A Ginginha Popular, sita na Rua das Portas de Sto. Antão - esse concentrado de Lisboa e de Lisboa no mundo - apresenta várias vantagens; entre as quais: bifanas excelentes a um preço bastante convidativo e um empregado que não sabe falar inglês. Isto é, digo-o sem qualquer ironia, notável. Não foge, infelizmente, a essa praga que são os menus babélicos, em trinta e oito línguas, regra geral com traduções aleatórias. Não se pode ter tudo. Mas é um prazer poder traduzir "peanuts" para ajudar os clientes da mesa ao lado, e não ouvir frases balbuciadas numa algaraviada qualquer. Não há melhor sítio em Lisboa para se estar em Lisboa, no mundo.

Rua das Portas de Sta. Antão, 61 - não confundir com a popular Ginginha da mesma rua, que não serve outra coisa senão a melhor ginginha do mundo, a Espinheira.

Pouco a pouco

Pouco a pouco as palavras encontram o seu caminho: tu. Pouco a pouco o mundo destrói-se, reconstrói-se, desaba, desfaz-se em poeira de palavras que não foram ditas, que querem ser ditas. Palavras simples: um verbo e um pronome reflexo, por exemplo.

Caminho com um saco delas: vogais, consoantes, vírgulas, pontos, reticências, pontos de exclamação; e de interrogação - a maioria. Um saco inútil: há "talvez" e "não"; pontos de interrogação; reticências. Tudo o mais é a mais.

Pouco a pouco entro no porto do teu corpo, como um navio numa doca, ave cansada numa gaiola, ou palavras no fim da noite. Como o sol a descarregar luz em cima dos nossos corpos abertos para a receber, numa prece resignada ao Deus da inevitabilidade. Como uma súplica em linguagem gestual para cegos.

Contratos

Ele há contratos e contratos. No da ampliação do Terminal de Contentores de Alcântara, por exemplo, o Governo responsabiliza-se pelas restrições, entre outras, meteorológicas.

"Lisboa/Contentores: Contrato prevê indemnização à Liscont por restrições técnicas, ambientais e meteorológicas".

This is cool

Escândalos e vergonha

«O negócio dos contentores de Alcântara, feito entre o Estado e o grupo Mota-Engil, seria um escândalo de dimensões nacionais em qualquer lugar do planeta com alguma vergonha na cara. Mas aqui, neste sítio pobre, deprimido, manhoso, cheio de larápios e cada vez mais mal frequentado, a coisa passa com umas tantas notícias, umas tantas declarações piedosas e uma idas à praia em tempo de Verão. A verdade é que a história cheirou mal desde o início. E não era só pelo facto de os indígenas ficarem separados do rio Tejo por uma barreira de contentores. Era desde logo pelo facto de um grupo privado ver uma concessão prorrogada por mais 27 anos, sem concurso público, e com cláusulas altamente lesivas para os cofres do Estado. É evidente também que a coisa da vista serviu para esconder os milhões de estavam em jogo, como o Tribunal de Contas do insuspeito socialista Oliveira Martins fez saber sem margens para dúvidas. O negócio é uma escandaleira imensa e só beneficia o grupo Mota-Engil. É evidente também que a sempre atenta Maria José Morgado fez saber logo que a coisa estava debaixo de olho e que o Ministério Público estava a preparar uma investigação. Outra coisa extraordinária quando um Tribunal de Contas vem dizer que o negócio em causa é, de facto, uma roubalheira dos dinheiros dos contribuintes e dá o nome aos bois. É claro que no meio desta desbunda socialista ninguém se lembrou de que este escândalo obrigava o ministro Lino a sair do Governo do senhor presidente do Conselho a alta velocidade. Mas não. Neste sítio um ministro pode ir para a rua por um par de cornos infantis ou por uma piada de mau gosto. As roubalheiras, os negócios escuros, os compadrios, a corrupção a céu aberto e o tráfico de influências, não só são tolerados como premiados nas urnas. É por isso que, mais do que nunca, era importante uma palavra de Cavaco Silva.»

António Ribeiro Ferreira, Correio da Manhã

(Via Portugal dos Pequeninos)

Vanguardas


Impenetrável

«Não há candidatura de esquerda em apuros que não amanheça, um dia, rodeada de um colorido grupinho de entusiastas prontos a mostrar que a intelligentsia nacional é um exclusivo de uns tantos. António Costa, como seria de esperar, não fugiu à regra: pouco depois de se recandidatar a Lisboa, lá recebeu o apoio de 120 (de acordo com as primeiras expectativas) ‘intelectuais’ de serviço que, mais do que se reflectirem no seu programa de acção, se sentem genuinamente incomodados com uma hipotética vitória de Pedro Santana Lopes. É verdade que Santana Lopes tem este condão: sempre que aparece – e ele aparece constantemente – consegue reunir, contra si, um coro apocalíptico que anuncia, com inexcedível zelo, um incalculável número de catástrofes associadas à sua eleição. Em última análise, a intelligentsia portuguesa devia agradecer-lhe. Só ele, com o seu proverbial ‘mel’, consegue fazê-la sair da toca e exibir-se florescente nos mais extravagantes manifestos. Com ele, como dizia a canção, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que se junta, com ar grave e circunspecto, no Martinho da Arcádia, à sombra de Fernando Pessoa, disposto a denunciar os perigos que se escondem por trás das suas imprevisíveis aventuras políticas. Sem ele, este saudável exercício estaria condenado ao fracasso e rastejaria, por aí, sem brilho, entregue às qualidades clandestinas do actual presidente da Câmara de Lisboa. Como é óbvio, António Costa, por si só, não mereceria as honras de um manifesto nem os cuidados especiais que lhe dedica a intelectualidade indígena. A sua permanência à frente da Câmara salda-se, por junto, num enorme ponto de interrogação. É difícil qualificar a sua obra porque, em última análise, a sua obra é um mistério mais ou menos impenetrável. Só agora, no momento da recandidatura, entre conversinhas amenas com Manuel Alegre, acordos ‘coligatórios’ com Helena Roseta e o apoio de dois ou três comunistas, se percebe que a sua força política não desapareceu e que se prepara, do fundo do seu apagado mandato, para suceder a José Sócrates, caso este perca as legislativas e ele consiga sobreviver às autárquicas. Mais do que Lisboa, sente-se na sua recandidatura o embrião de um PS que se prepara para os dias da sucessão. Talvez este quadro, este cheiro a pós qualquer coisa, anime alguns dos 120 signatários. Mas não anima, com certeza, quem perca algum tempo a ler os nomes que constituem este florido grupinho. Os intelectuais que nós temos! 120, para quem não saiba.»

Constança Cunha e Sá. Correio da Manhã

(Via Portugal dos Pequeninos)

20.7.09

Razões

- Não te quero amar pelas razões erradas.
- Quais são as razões certas para amar alguém, sabes?

19.7.09

Brincar às raças

Estes debates sobre as qualidades dos portugueses são enfadonhos, fastidiosos. A patriótica ideia de que os portugueses são "diferentes" não resiste a uma análise de 5 micro-segundos. O que não me impede, por vezes, de me perguntar se a Raça é má e teve um bom momento, ou boa e atravessa um mau.