Refiro-me àquela velha história do velhinho que vai entrar gentilmente na noite escura. Ou àqueloutra do tigre que entra a arder nessa mesma noite, iluminada apenas pelas suas chamas, dele, tigre que arde sem se ver e não sente qualquer dor.
Entretanto, uma lebre corre nos sanfenos, a eternidade sai finalmente da gruta aonde estava escondida ("é o mar / que se foi com o Sol"). Num canto, alguém recita monotonamente "solo una cosa no hay. / Es el olvido" e dedica essas linhas à sua "desventura e ventura, inesgotável e pura".
Como se chama o tigre ardente? Poesia. E a noite escura? Poesia. E a floresta? E o esquecimento? E a sorte, a má-sorte, a pureza?
"Yo no sé de pájaros,
no conozco la historia del fuego.
Pero creo que mi soledad debería tener alas."