30.9.18

Cortar as unhas

Hoje cortei as unhas. As das mãos, não as dos pés, que ficam para depois. Tenho andado a tentar descobrir qual o ratio corte das unhas das mãos / corte das unhas dos pés. Estimo-o em três para um. Isto é, por cada três vezes que corto as unhas das mãos corto uma as dos pés. Não sei qual é o ratio normal e isso preocupa-me. Gosto de ter a certeza de que faço parte da normalidade, de que estou no intervalo de valores do normal.

Talvez esta preocupação a alguns pareça de somenos. Ridícula, até. Eu não penso assim. Um dia conheci uma miúda loira, bonita, um bocadinho pouco interessante. Ia casar-se com um gajo que trabalhava no Médio Oriente e ganhava muito bem. Sei isto porque ela mo disse. Era visivelmente daquelas que primeiro escolhem o porta-moedas e depois o homem. Se forem os dois aprovados vai ao altar sem perder muito tempo. Um dia (frequentámo-nos uma semana ou duas, até nos fartarmos um do outro ou ela descobrir que o meu porta-moedas estava tão vazio como a cabeça dela; ou eu que mamas sem nada acima é demasiado cansativo) disse-me que a coisa que mais a desgostava num homem eram as unhas sujas. Olhei ostensivamente para as minhas, não fosse ela julgar que o que ela dizia me era profundamente indiferente.

Estavam limpas. Não me lembro de onde isto se passou. Aborrece-me mais do que não ter a certeza sobre o ratio do corte de unhas mãos / pés. As minhas memórias andam constantemente à procura de um lugar, como se sem uma localização estivessem incompletas. Folhas caídas de uma árvore, arrastadas pelo vento.

Não sei. Talvez seja isso. A loira tinha uma amiga mais alta, mais magra e menos parva. Um dia disse-lhe que estava farto da amiga e queria ir para a cama com ela.

Deu-me tampa. Não queria trocar uma longa amizade por um amor que sabia fugaz, breve. Apesar de compreender que eu estivesse farto da outra. "Ela é muito cansativa, eu sei".

Nunca mais as vi e só me lembro delas quando corto as unhas das mãos. E mesmo assim nem todas. Talvez valesse a pena descobrir de quantos em quantos cortes de unhas me lembro daquela miúda. As relações são coisas importantes, pelo menos as numéricas. Das outras ignoro mais do que sei. Por isso gosto tanto de números: ajudam-me a perceber o que sem eles me escapa, incluíndo loiras.

29.9.18

Tu, sono

As duas únicas coisas que me impedem de dormir são a tua ausência e a tua presença.

Eles vivem

Bom, comecemos então pelo princípio sabendo que a seguir vem um zigzag.

Dentro do zigzag un cérebro e nele um corpo.

Dentro do cérebro, do corpo, dos traços ziguezagueantes que o amor deixa na pele (ou dentro dos traços lineares do desejo) aparece a sombra daquela mistura de amor, desejo, distância e vida que têm sido a tua vida, o teu amor e a distância à qual os vives, eles vivem.

Eles vivem: o teu olhar, o sono, uma senhora loira numa ilha Atlântica ou uma ruiva na penumbra.

Descobrir

Descobre-se uma cidade como se descobre um corpo: pelas mãos, pelos pés.

28.9.18

Bonheur, horreur

Misturar amor e honestidade é receita para o desastre. O amor é conquistador, a honestidade submissão. Amar é ignorar os outros em favor de um, ser honesto reconhecer os outros, tantas vezes em desfavor de um.

Há uma tensão dramática entre a honestidade e o amor. Quando essa tensão se anula, desaparece - quando o amor e a honestidade se equivalem - quel bonheur. Quelle horreur .

Sobredoses, excepções

O amor é a única droga da qual uma sobredose não mata. Antes pelo contrário: ressuscita.

27.9.18

Pergunta

Por onde anda o te do meu tracinho?

26.9.18

Diário de Bordos - Palma, Mallorca, Baleares, Espanha, 26-09-2018

A noite em Palma declina-se, inclina-se, espraia-se. Espalma-se.

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O Ca la Seu estava vazio, o estaminé da senhora argentina onde ia beber um mojito fechado. A Biblioteca de Babel está aberta, mas bebo vinho. Não podem fazer mojitos, é obvio. Não vale sequer a pena perguntar. A caminho de casa páro no Flexas, fecho o círculo.

Comprei um livro, mas está escuro de mais para o ler. Começa com uma afirmação sobre a moda da qual discordo, mas ler coisas das quais discordamos é bom. Das duas uma: ou mudamos de opinião ou reforçamos a que já tínhamos. As duas opções são igualmente agradáveis: trocar um preconceito por outro lembra-me de que são como as pessoas: não os há insubstituíveis. Já reforçá-los é como recuar para melhor saltar. Quanto mais forte a opinião mais difícil mudá-la e por conseguinte mais agradável.

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O dia foi fácil. Foi só meio, praticamente.

Não sei se o conseguirei pôr na água sexta-feira. Depende dos cotovelos para os machos de fundo que vêm de Barcelona. São Truedesign, não quero outra marca. Isto dos machos de fundo tem muito que se lhe diga.

Que se lixe. Prefiro esperar um dia a pôr outro qualquer. Há coisas que não se discutem, como a religião ou determinados cabelos ruivos.

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Vai ser preciso instalar um blower na casa da máquina. A questão é: por onde o vou fazer passar? Onde vai sair?

Não é uma pergunta, são duas. Deslizam pela noite de Palma e só vão voltar a casa amanhã. Óptimo.

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A quantidade de mulheres bonitas nesta cidade só é inferior à de Genebra. Deviam isentá-las de impostos: os que geram só de olharmos para elas compensam largamente.

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Não parei no Flexas. O círculo continua aberto.

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Adenda: Petite note en passant: et celles qui ne sont pas belles ont du chien.

Autofagia

Fazer amor com alguém que se ama para lá de toda a medida conta como autofagia?

24.9.18

Diário de Bordos - Palma, Mallorca, Baleares, Espanha, 24-09-2018

Não foi um dia de altos e baixos. Foi um dia de baixo e de alto, um dia de merda que acabou bem (acautela-te, boca. Ainda não acabou).

Esqueci-me de comprar uma coisa em Palma e tive de aqui voltar mal cheguei a Andratx; roubaram-me (me não é o pronome exacto, mas é como se fosse) o hélice que não tinha valor, é certo, mas com o qual contava fazer um candeeiro bonito; comprei a tinta errada e o Edisson perdeu uma hora a vir trocá-la.

Revolta-me ser roubado. Não é que seja de posse, não sou (antes fosse). Mas acho inaceitável que se roubem coisas a quem é incapaz de retribuir. É uma cobardia, uma infâmia. Os esquecimentos e as distracções ainda vá que não vá. São chatices, não tremores de terra. Mas roubarem-me qualquer coisa é desvastador, demolidor. Já perto do fim, uma senhora com quem tinha um encontro profissional (a profissão sendo a minha e também dela) não apareceu.

Bom. Depois: safei-me de uma multa de cento e setenta euros e graças à senhora não ter aparecido passei um bocado bastante agradável com um casal amigo.

Por fim venho jantar a um dos sushis da minha rua. Não é grande coisa. Para começar aprecio sushi menos do que medianamente: em todo este tempo só encontrei duas casas onde comer as coisas decentemente: uma no Estoril e outra - um sushi train, imagine-se - em Genebra. Como nunca fui ao Japão e não como isto quando vou a japoneses decentes (salvo seja) o meu conhecimento é limitado.

Por isso decidi vir aqui: talvez fizesse do dia um pedaço de tempo medianamente aceitável.

Fez.

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Isto dito: um gajo entrar no P. e cheirar-lhe a tinta nova paga as misérias e mediocridades todas do dia.

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(Mas não apaga a exaustão).

23.9.18

Estátua

Uma estátua de sal num jardim, frente ao mar, de costas para a montanha. Se falasse diria "Amo-te" e logo uma chuvada imensa cairia, dissolvê-la-ia e arrastá-la-ia vale abaixo.

É por isso que a estátua fica muda no seu canto, a olhar o mar de costas para a montanha: não se quer dissolver numa chuva impossível.

Comparação complicativa

Quem pensa que o verbo "amar" é complicado devia conhecer "amar-me".

22.9.18

Excelência, mundo

Manhã toda a trabalhar com S. Passámos os cabos no mastro. Isto não tem nada a ver com competência. Tem a ver com excelência, com excelência elevada à potência dez, com o prazer profundo quase orgásmico da descoberta de pormenores de que desconhecia até a existência, com o prazer - este simples - de saber que a electricidade e a electrónica do P. estão nas melhores mãos do mundo, do meu mundo - que apesar de tudo não é assim tão pequeno -.

O pódio e as pragas

"Me cago en Dios". De entre as excelências que o mundo deve à Argentina - Borges, Mujica Lainez, Casares, as empanadas (de muito longe as melhores de todas), a Patagónia, Astor Piazzola, Gardel (que não conheço tão bem com um dia conhecerei), alguns vinhos, a arte de grelhar carne como ninguém, Buenos Aires - avultam, quanto a mim, as pragas.

Esta oiço-a agora pela primeira vez, a beber Mojitos mais do que decentes e a comer empanadas enquanto dou voltas ao tempo.

Lembro-me com deleite do "hijo de una reputa madre" e do "hijo de una cola de putas" que ouvia ao R. Mas "me cago en Dios" por causa de un telefone roubado vai directamente para o primeiro lugar do pódio.

21.9.18

A Arte de Ser Português

Comparo o Procópio e o 13. O Procópio é infinitamente melhor e o 13 tem produtos infinitamente melhores.

É um resumo da Arte de Ser Português.

Aventuras, amor e novidades

Um bom whisky enche a boca e a alma ao mesmo tempo. Não tenho esta sensação desde os dias distantes da descoberta do Auchentoshan, Talisker, Laphroaig et al. Hoje foi com o Spice Tree, um blend. Meu amor, estamos prontos para novas aventuras?

Generalidades e cães de caça

A bordo dos navios da Marinha Mercante Portuguesa aprendi que "mais vale um gajo da Cova qu'a Gala toda"; ou que "Alentejanos, Algarvios e cães de caça é tudo a mesma raça" (apresso-me a esclarecer: a) estou simplesmente a reproduzir o que ouvi; b) sobre Alentejanos e Algarvios há uma mil vezes pior).

Devo certamente às minhas raízes duplamente alentejanas e algarvias esta qualidade de cão de caça que, nos dias em que estou de bem comigo penso ser uma das minhas qualidades (de tão poucas não sofrem com a analogia aparentemente pejorativa). A verdade é que sou cão de caça, daqueles que não largam a pista até darem de frente com o urso.

Tudo isto para dizer que encontrei os painéis de isolação sonora. Toda a gente me dizia que não os havia na ilha, era preciso trazê-los de Barcelona, não chegariam antes de quarta-feira na melhor das hipóteses. Estão a bordo, lindos, ignífugos, con capa de alumínio e pins de fixação, prontos a serem cortados e colocados. Alentejanos, Algarvios e cães de caça não largam a taça enquanto não lhe puserem as garras em cima.

Depois disto o dia até parece normal.

P., meu querido P. Para a semana estás na água, ou eu deixo de ser cão de caça e passo a animal decorativo (no meu caso particular isto seria talvez uma promoção, eu sei. Falo na generalidade).

20.9.18

Um dia na vida quotidiana de um skipper durante um refit, atabalhoadamente contado, caoticamente vivido (parte zero vírgula um)

Um gajo chega a casa exausto. Derreado. Desfeito. Pensa no dia, no P. com gente a subir, a descer, a trabalhar, a discutir ideias, a coordenar trabalhos, a porra da isolação sonora não vai chegar a tempo, esta proposta do A. é boa para o barco ou para ele? (Todas as ideias vindas do A. devem ser analisadas por este prisma), o cotovelo para o macho de fundo de polegada e meia devia ser macho / fêmea e é macho / emboque (como é que se diz isto em português?) tem de ser devolvido. Espero que não demorem com o outro. Este orçamento da Mercanautic é demente, a mulher pensa que vou dar mais de mil euros por cabos eléctricos? Tenho de telefonar ao David (Mallorca Batteries caso haja necessidade futura). Onde é que vamos pôr os displays? A mesa de navegação tem de proteger o computador; porra, é preciso fechar as dezenas de buracos de parafusos nas cavernas antes de pintarmos os fundos, Edisson, podes trabalhar até tarde? (Por que raio de carga de água esta merda arrancou tudo ao mesmo tempo?) A., esse recipiente para o gás não serve (terá ele percebido que eu disse "está uma merda"? Espero que sim). Dimitri, precisamos de nos ver, bolas (não é bolas, é outra coisa comecada por f, espero que ele tenha percebido). Ok, amanhã entre as quatro e as cinco. O Dimitri amanhã tem duas arvorações. Se estiver em condições de falar às seis da tarde já me dou por feliz. Agora junta-se o trabalho de fim de época com o dos barcos que atravessam em Dezembro (alguns mais cedo). Salva, tens aqui os cinco metros de tubo PVC (trouxe-o na bicicleta, felizmente não ha polícia); Salva não faz sentido seres tu a pintar os fundos, porra (este é amigo, posso exprimir-me). Eu sei que queres despachar esta merda, mas o Edisson custa um quarto do que tu custas. L., posso pôr o material que sai do barco neste contentor? Não, tens de o ir pôr ao Ponto Verde (os funcionários da marina só sabem dizer Não. Ninguém lhes ensinou Sim.

Bom, não exageres: hoje tiveste uma conversa civilizada, polida, educada, para lá do circunstancial com o director do Clube; é a primeira vez em cinco meses.

Para a semana vais para a água, P.

A grua que estava suposta vir amanhã avariou, eu sei. Mas para a semana estás na água, juro-te. E para a semana eu pensarei que hoje estava fresco que nem uma alface.

19.9.18

Diário de Bordos - Palma, Mallorca, Baleares, Espanha, 19-09-2018

Das diversas desgraças de se viver em Palma há que dizer uma coisa: todos os dias se encontra uma nova e boa. Ou mais. Hoje, por exemplo, descobri um restaurante óptimo; e no caminho de casa que há não um mas dois restaurantes japoneses, abertos à hora a que regresso e ambos com um sake aceitável (é o mesmo). A minha experiência de sake é reduzida - fiz uma prova múltipla num dos melhores japoneses de San Francisco e dela só me lembro o suficiente para saber que pode ser transcendente e este não é -. Mas tão pouco é péssimo. Não chega, por exemplo, para me impedir de parar num dos dois e beber uma garrafinha de - ou para a -  desgraça.

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O apartamento onde agora vivo - partilhado, devo dizer, com duas jovens, simpáticas e encantadoras senhoras - fica no quarto andar, tal como o anterior. A localização é diferente e é maior, mais amplo. Dá para uma avenida larga e concorrida. A sua característica principal, contudo, é o cheiro a esgoto da entrada. É um cheiro forte, mas felizmente só nos andares de baixo. Como o prédio não tem elevador a transição da zona de cheiro para a de ausência de cheiro faz-se devagar, o que é bom.

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Não ter elevador tem outra vantagem: um gajo pode atribuir, por exemplo, um sake a cada andar. Não serve para nada excepto eventualmente dar vontade de atribuir dois sakes a cada lance de escadas, tentação à qual se deve resistir.

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A minha irmã R. faz hoje sessenta anos, coisa que me traz inelutavelmente à memória que daqui a onze dias faço sessenta e um. A minha entrada na sexagenaridade foi ambígua: começou horrorosamente mal (enfim, sou injusto. Começou mal) e está a decorrer fantasticamente bem (exagero, claro). Tanta descida e subida valem mais um Sake, apesar de não ter mais andares para subir.

Só anos para descer.

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Para além dos dois japoneses (de sushi, só) há um chinês. Será que tem Mei Kuei-Lu? Espero que não, ou acabo a viver num arranha-céus.

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O trabalho no P. arrancou e agora sim, avança. Salvo grandes excepções para a semana está no seu elemento. Foi uma longa e cúrvea estrada, isso foi. Mas só a ideia de que não tarda estarei no mar transforma-a numa auto-estrada deserta como as do Alentejo, ao volante de uma viatura potente. (O P. é uma viatura potente, não tenham dúvidas).

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Serviço Público - Restaurantes Palma de Mallorca:

Champañería, Bar, Fiambrería
A Toque de Queda (quer dizer "Recolher obrigatório", se por acaso)
Carrer de Can Cavalleria, 15 b
Tel.: +34 971 21 38 10 (a esplanada é pequeníssima e convém reservar).

"A toque de queda"

A história é longa (pelo menos no seu aspecto cronológico, vem de há muito) e o restaurante chama-se A Toque de Queda.

É um restaurante pequeno, escondido numa destas vielas da cidade velha de Palma, à frente do qual passo quando me perco, voluntária ou involuntariamente. Tenho vontade de entrar, a cada vez; e a cada vez resisto, sem razão visível ou compreensível.

Hoje, instado pela A. vim cá e percebi porque até agora borreguei: é bom de mais para se vir sozinho.

PS - Exceptuando as Hierbas, que se não são Túnel são aparentadas e incompreensíveis num restaurante destes.

PPS - Recentemente no meu bar favorito (o Bar Rita) perguntaram-me se eu era ou vivia no campo. Disse que não e perguntei porquê. "Porque tu gostas das coisas de que os campesinos gostam: Palos con sífon, vermut de grifo..." Sou um campesino perdido no mar.