- Até onde se pode ir de barco à vela?
- Até à felicidade.
23.1.05
Pareceres
Li recentemente um editorial do Público no qual se falava da enorme quantidade de pareceres que o Estado consome em Portugal, e do desperdício que eles representam.
Passei hoje o dia metido num congresso, e percebi o porquê de tantos pareceres: somos muito bons a fazer diagnósticos e muito maus a tomar as medidas geralmente correctoras e dolorosas que eles exigem; é portanto natural que façamos muito do que fazemos bem, e pouco do que fazemos mal.
Passei hoje o dia metido num congresso, e percebi o porquê de tantos pareceres: somos muito bons a fazer diagnósticos e muito maus a tomar as medidas geralmente correctoras e dolorosas que eles exigem; é portanto natural que façamos muito do que fazemos bem, e pouco do que fazemos mal.
22.1.05
Comparaison n'est pas raison
Os políticos portugueses, quando acusados de incompetência, ou incapacidade, defendem-se dizendo que não são muito piores do que os seus congéneres europeus. É verdade. Mas que outro país, europeu ou não, agracia os seus cidadãos - simultaneamente - com Albertos Joões Jardins, Luises Filipes Menezes, Narcisos Mirandas (et j'en passe) - e, gigantesca cereja no minúsculo bolo, ainda os obriga a escolher entre Santana Lopes e José Sócrates?
Diálogos possíveis
- O teu Don Vivo está cada vez pior!
- Isso é indubitavelmente verdade. Mas devias ver a prodigiosa subida do meu score no FreeCell...
- Isso é indubitavelmente verdade. Mas devias ver a prodigiosa subida do meu score no FreeCell...
Vingança
Pode não se gostar da vingança, mas forçoso é reconhecer que sem ela o mundo seria muito pior.
21.1.05
Sugestão
Um título no DN de hoje (ou se calhar sub-título, não o encontrei no site do jornal) indica "a casa e o carro" como os grandes objectos do desejo de compras dos portugueses. Se comprassem um mobile home satisfaziam as duas necessidades ao mesmo tempo, e ainda poupavam dinheiro.
20.1.05
Leituras diferentes
Dizer que não sou grande fan da Microsoft é um understatement dos grandes; mas da leitura deste post faço uma dedução completamente diferente da de Nuno Guerreiro: dos comentários não se pode, parece-me, deduzir que o autor "[foi] impiedosamente mastigado pelas rodas dentadas de uma burocracia “deslocalizada”".
Antes pelo contrário: a atenção dada pela empresa ao post é surpreendente. (E o adjectivo "deslocalizado" está a mais, mas isso é outra história). A importância que mega-empresas como a Microsoft, a Vodafone e muitas outras dão a estes fait divers é a confirmação da mudança do centro de poder nas empresas do accionista para o cliente que, apesar de já estar estabelecida não deixa de ser recente, e agradável. E que alguns sectores da economia portuguesa bem podiam adaptar, claro (e não me refiro só á Banca).
Antes pelo contrário: a atenção dada pela empresa ao post é surpreendente. (E o adjectivo "deslocalizado" está a mais, mas isso é outra história). A importância que mega-empresas como a Microsoft, a Vodafone e muitas outras dão a estes fait divers é a confirmação da mudança do centro de poder nas empresas do accionista para o cliente que, apesar de já estar estabelecida não deixa de ser recente, e agradável. E que alguns sectores da economia portuguesa bem podiam adaptar, claro (e não me refiro só á Banca).
Finalmente
Os blogs entram definitivamente no mainstream. Tal como no resto da imprensa e da produção escrita, o nível geral era baixo, com algumas excepções (o Don Vivo não sendo, infelizmente, uma delas). Mas com coisas destas a indigência política junta-se a nós. E não tive acesso a este, provavelmente semelhante.
Até que enfim!
PS - Enviei um comentário (por mail) a este último blog. A ideia inicial era reproduzir mais ou menos o post acima, mas ao ser escrito foi evoluindo:
"Caro Sr. António José Seguro,
O problema dos blogs de políticos é que tornam a tão mal nomeada blogosfera igual (mais igual, se preferir) à “outra” esfera. Num país em que a escolha é entre Sócrates e Santana, há-de convir que se trata de uma “normalização” dispensável. Tendo vivido mais de metade da minha vida adulta no estrangeiro (principalmente Europa e África) sei que a tão badalada má qualidade dos políticos portugueses não é exclusiva, infelizmente. Mas enfim, é cá que votamos, é cá que sofremos os resultados das incompetências, compadrios, conservadorismos de esquerda e de direita...
Escrevo isto, e apercebo-me que não tenho razão: devemos saudar a entrada na blogosfera dos políticos - que outro meio me permitiria dirigir-me a si tão directa, tão imediatamente?
Melhores cumprimentos,"
(O texto foi ligeiramente editado)
Até que enfim!
PS - Enviei um comentário (por mail) a este último blog. A ideia inicial era reproduzir mais ou menos o post acima, mas ao ser escrito foi evoluindo:
"Caro Sr. António José Seguro,
O problema dos blogs de políticos é que tornam a tão mal nomeada blogosfera igual (mais igual, se preferir) à “outra” esfera. Num país em que a escolha é entre Sócrates e Santana, há-de convir que se trata de uma “normalização” dispensável. Tendo vivido mais de metade da minha vida adulta no estrangeiro (principalmente Europa e África) sei que a tão badalada má qualidade dos políticos portugueses não é exclusiva, infelizmente. Mas enfim, é cá que votamos, é cá que sofremos os resultados das incompetências, compadrios, conservadorismos de esquerda e de direita...
Escrevo isto, e apercebo-me que não tenho razão: devemos saudar a entrada na blogosfera dos políticos - que outro meio me permitiria dirigir-me a si tão directa, tão imediatamente?
Melhores cumprimentos,"
(O texto foi ligeiramente editado)
Tristeza, espanto?
É assim que aquilo que em França passa por um jornal de referência fala de Bush e de Condoleezza Rice. Meu Deus, se falam assim destes dois, que termos utilizarão para falar de Chirac, do inefável Arnaud de Montbourg, do indescrítivel Jack Lang, de Martine Aubry, autora dessa maravilha da economia voodoo que é a lei das 35 horas?
19.1.05
Má consciência
Incluindo António Mexia no seu Governo, José Sócrates aliviaria muita da má consciência que vou ter se votar nele.
18.1.05
Vida: uma receita
A receita é simples: põem-se num caldeirão meia dúzia de estrelas, uma desenfreada capacidade de sonhar, umas cervejas, uma garrafa de vinho tinto Haut Marbuzet (1996 de preferência, se faz favor, obrigado), uma furiosa vontade de trabalhar e outra de amar ou ser amado, algumas mulheres bonitas (e outras feias), a ideia básica e irrefutável que amanhã será melhor do que hoje e pior do que depois de amanhã; cobre-se com água do mar. Deixa-se apurar durante uma boa parte do tempo. No momento de servir, chamam-se bancos, burocratas, administradores diversos e os chatos, todos. A coisa esturrica. Antes que queime completamente avisam-se os amigos, abre-se uma garrafa de champagne, faz-se um filho ou dois e serve-se, no Lago Tanganika, em Cape Town, num bistrot parisiense, num pub londrino, em plena Gulf Stream, numa paisagem gelada do Extremo Oriente russo, num dia de calma podre no Oceano Atlântico, numa tasca de Lisboa, na praia do Guincho, na serra de Sintra, num daqueles sítios do Zaire nos quais somos obrigados a reconhecer a profunda e fundamental incoerência de Deus, nos teus olhos, no Canal de Panamá, ao largo de Istambul, em Al Iskandiriah, numa estrada da Patagónia, nas Tobago Kays.
Deixa-se arrefecer lentamente - se necessário, soprar com os alíseos, com a nortada, com o meltem, com um sudoeste na Gasconha, com a tramontana, com as tuas mãos nas minhas costas, com um passeio ao longo do Rift, com um whisky ao pôr do sol, com o choro de uma criança que nasce ou o riso de outra que cresce, com uma evacuação de urgência debaixo de fogo, com uma festa à vida num planalto do Burundi, com uma cena de pancadaria num porto do Mar Negro, com os cânticos de Hildegarde von Bingen, a 2ª sinfonia de Mahler, o trompete de Miles Davis, os madrigais de Gesualdo, com os poemas de Pedro Támen ou um romance do Thomas Pynchon, uma lagosta grelhada numa praia das Grenadines.
Nunca chega, por mais que se faça.
Deixa-se arrefecer lentamente - se necessário, soprar com os alíseos, com a nortada, com o meltem, com um sudoeste na Gasconha, com a tramontana, com as tuas mãos nas minhas costas, com um passeio ao longo do Rift, com um whisky ao pôr do sol, com o choro de uma criança que nasce ou o riso de outra que cresce, com uma evacuação de urgência debaixo de fogo, com uma festa à vida num planalto do Burundi, com uma cena de pancadaria num porto do Mar Negro, com os cânticos de Hildegarde von Bingen, a 2ª sinfonia de Mahler, o trompete de Miles Davis, os madrigais de Gesualdo, com os poemas de Pedro Támen ou um romance do Thomas Pynchon, uma lagosta grelhada numa praia das Grenadines.
Nunca chega, por mais que se faça.
Um post nombrilista (ou "umbiguista"?)

You are a Random cat! Also known as an alley cat
or a mutt. You aren't given to high-falutin'
ways, but you're accessible and popular.
People love you for who you are, not what you
are.
What breed of cat are you?
brought to you by Quizilla. Última escala: Rititi.
PS - não é o post que é nombrilista (ou "umbiguista"? Ou "estúpido", só?); sou eu que estou cansado. Boa razão para elevar o nível médio do Don Vivo.
15.1.05
Serviço Público / Restaurantes
Évora
Taberna Típica Quarta-Feira, rua do Inverno 16-18, Tel. 266 707 530.
Fecha ao domingo. Infelizmente.
Taberna Típica Quarta-Feira, rua do Inverno 16-18, Tel. 266 707 530.
Fecha ao domingo. Infelizmente.
Labels:
Restaurantes Évora
Diálogos possíveis
- A verdade é que estou apaixonado - disse ele.
- Claro, - respondeu ela. - Resta saber por quem, e por quanto tempo.
- Claro, - respondeu ela. - Resta saber por quem, e por quanto tempo.
14.1.05
13.1.05
12.1.05
Similitudes
A psicanálise parece-se com a burocracia: para justificar a sua própria existência procura sempre a maneira mais complicada de explicar qualquer coisa.
Pedagogia
Muito melhor do que dar dinheiro a um filho para corrigir os seus erros, é dar-lho para que ele não os cometa.
Um conselho
Não exportes a tua dor, ninguém a quer. Nem a alegria, de resto: ambas interessam muito pouco a muitos poucos.
Serviço Público / Livros
(Não tenho os livros comigo, não posso portanto dar todos os pormenores):
- "Everything is Illuminated", Jonathan Safran Foer;
- "Atonement", Ian McEwan;
- "The Human Stain", Philip Roth;
- "Disgrace" e "Elizabeth Costello", J. M. Coetzee;
- "Le Chercheur d'Or", "Terra Amata", "Onitsha", J. M. G. Le Clézio
- "Ivresse de la Métamorphose", "Le Joueur d'Échecs", "Amok", Stefan Zweig
- "Everything is Illuminated", Jonathan Safran Foer;
- "Atonement", Ian McEwan;
- "The Human Stain", Philip Roth;
- "Disgrace" e "Elizabeth Costello", J. M. Coetzee;
- "Le Chercheur d'Or", "Terra Amata", "Onitsha", J. M. G. Le Clézio
- "Ivresse de la Métamorphose", "Le Joueur d'Échecs", "Amok", Stefan Zweig
11.1.05
Reciprocidade
A vontade de votar PS é grande, muito grande, sobretudo para barrar o caminho ao populismo e à mediocridade em Portugal - mas será que daqui a quatro anos os socialistas votarão no PSD só para afastar o Sócrates?
Função Pública
Ontem ouvi a Sra. Helena Roseta falar na televisão. A experiência é confrangedora; eles de facto não aprendem. Para a Sra. Arquitecta, a prioridade é o crescimento, não é "a Função Pública". Claro que saber como se pode crescer sem cortar (entre muitas outras coisas) na "Função Pública", papão uno e indivísivel, que tanto jeito dá a todos, ela não explicou.
E tão pouco disse uma coisa que deve estar podre de saber: é que o peso excessivo dos funcionários não se manifesta só directamente através, por exemplo, dos custos salariais. Há um outro efeito, muito mais pernicioso se bem que indirecto: é que a única forma de um funcionário inútil justificar o seu posto de trabalho é dizer que não. Dizendo que sim, não só ninguém dá por ele como ainda por cima reforça, pensa correctamente, a ideia mais do que justa que ele não está ali a fazer nada.
E tão pouco disse uma coisa que deve estar podre de saber: é que o peso excessivo dos funcionários não se manifesta só directamente através, por exemplo, dos custos salariais. Há um outro efeito, muito mais pernicioso se bem que indirecto: é que a única forma de um funcionário inútil justificar o seu posto de trabalho é dizer que não. Dizendo que sim, não só ninguém dá por ele como ainda por cima reforça, pensa correctamente, a ideia mais do que justa que ele não está ali a fazer nada.
10.1.05
Viagens
À partida a ideia é gira, mas depois aparece um pouco enganadora: dos Estados Unidos, por exemplo, só conheço duas cidades, tal como da Rússia.

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(Via Fora do Mundo)
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9.1.05
Um vida
Se um dia eu escrevesse a minha autobiografia, o título seria "À espera". Que azar, eu que tanto detesto esperar.
"Vem, vamos embora,
que esperar não é saber.
Quem sabe faz a hora,
não espera acontecer"
dizia uma das raras canções "de intervenção" de que jamais gostei (é de um brasileiro chamado Geraldo Vandré).
"Vem, vamos embora,
que esperar não é saber.
Quem sabe faz a hora,
não espera acontecer"
dizia uma das raras canções "de intervenção" de que jamais gostei (é de um brasileiro chamado Geraldo Vandré).
Serviço público / CDs
"Travellin' in Soul Time", Mal Waldron (piano), Jeanne Lee(voz), Toru Tenda(flauta), BVHaast CD9701.
Jeanne Lee é uma das melhores cantoras de Jazz de sempre. Qualquer disco dela ou com ela é recomendável.
Jeanne Lee é uma das melhores cantoras de Jazz de sempre. Qualquer disco dela ou com ela é recomendável.
7.1.05
Natureza Humana
O que é que os nossos reis apreciaram mais - a Conquista ou a Reconquista? Esta última, suponho.
Serviço Público / Restaurantes
Lisboa
Pescaria - um excelente restaurante para peixe.
Cais da Ribeira Nova, Armazém B, Porta 18/19 (Cais do Sodré, do lado do rio, na zona onde era antigamente o mercado do peixe).
213 463 588
Nariz de Vinho Tinto - um dos melhores restaurantes de comida tradicional portuguesa que conheço em Lisboa.
Rua do Conde 75 (Lapa) 213 953 035. Fecha às segundas.
Genève
La Bourlingue - O nome diz tudo.
9, ruelle du Couchant (Rive). 022 735 1100
Chez Marius - um pequeno e excelente Bar à Vins que também serve refeições, com uma lista pequena mas excelente.
9, place des Augustins - 022 320 6239
Le Thé - mais um restaurante que o é sem o ser: é uma casa de chá onde ao meio dia se pode petiscar chinês. Minúscula, também, e excelente, também - tanto a casa de chá, com uma variedade de chás de fazer empalidecer o mais chinês dos clientes, como a cozinha. E ainda vendem acessórios: chaleiras, chávenas, etc.
65 rue des Bains - 022 329 0616
La Gazelle d'Or - Já lá não vou há muito tempo. Na altura, um dos melhores etíopes da cidade.
55, rue de Lyon - 022 340 3350
Café-Restaurant du Lac, Nernier (em França, perto de Genève). Nernier é uma aldeiazinha à beira do lago, muito bonita, que vale a pena ir visitar.
+33 4 50 72 80 52 (telefonando da Suiça)
Paris (XVème)
Chez Papa - especialidades do Sudoeste, aberto até tarde.
101, rue de la Croix Nivert. 01 48 28 31 88
Café du Commerce - uma bonita e clássica brasserie parisiense, que conheci graças a uma amiga querida, a quem aqui deixo a minha mais eterna gratidão, e não só.
51, rue du Commerce. 01 45 75 03 27
Cascais / Estoril
Enoteca - boa comida, boa música, bons vinhos e bom serviço. Que pedir mais?
Rua Nova da Alfarrobeira, 14, Cascais. 214 822 328
Refúgio - um excelente chinês, caseiro, barato e não muito longe de outro excelente chinês (o Mandarim, no Casino) menos caseiro e mais caro.
Rua Maestro Lacerda, 16, Estoril. 214 663 966
Visconde da Luz - cozinha tradicional portuguesa com um serviço tradicional português e a simpatia e o brio tradicionais portugueses.
Jardim Visconde da Luz. 214 847 410
Uma lista subjectiva, forçosamente subjectiva; a continuar, dada a vocação de serviço público que de repente acometeu o Don Vivo, coitado.
Pescaria - um excelente restaurante para peixe.
Cais da Ribeira Nova, Armazém B, Porta 18/19 (Cais do Sodré, do lado do rio, na zona onde era antigamente o mercado do peixe).
213 463 588
Nariz de Vinho Tinto - um dos melhores restaurantes de comida tradicional portuguesa que conheço em Lisboa.
Rua do Conde 75 (Lapa) 213 953 035. Fecha às segundas.
Genève
La Bourlingue - O nome diz tudo.
9, ruelle du Couchant (Rive). 022 735 1100
Chez Marius - um pequeno e excelente Bar à Vins que também serve refeições, com uma lista pequena mas excelente.
9, place des Augustins - 022 320 6239
Le Thé - mais um restaurante que o é sem o ser: é uma casa de chá onde ao meio dia se pode petiscar chinês. Minúscula, também, e excelente, também - tanto a casa de chá, com uma variedade de chás de fazer empalidecer o mais chinês dos clientes, como a cozinha. E ainda vendem acessórios: chaleiras, chávenas, etc.
65 rue des Bains - 022 329 0616
La Gazelle d'Or - Já lá não vou há muito tempo. Na altura, um dos melhores etíopes da cidade.
55, rue de Lyon - 022 340 3350
Café-Restaurant du Lac, Nernier (em França, perto de Genève). Nernier é uma aldeiazinha à beira do lago, muito bonita, que vale a pena ir visitar.
+33 4 50 72 80 52 (telefonando da Suiça)
Paris (XVème)
Chez Papa - especialidades do Sudoeste, aberto até tarde.
101, rue de la Croix Nivert. 01 48 28 31 88
Café du Commerce - uma bonita e clássica brasserie parisiense, que conheci graças a uma amiga querida, a quem aqui deixo a minha mais eterna gratidão, e não só.
51, rue du Commerce. 01 45 75 03 27
Cascais / Estoril
Enoteca - boa comida, boa música, bons vinhos e bom serviço. Que pedir mais?
Rua Nova da Alfarrobeira, 14, Cascais. 214 822 328
Refúgio - um excelente chinês, caseiro, barato e não muito longe de outro excelente chinês (o Mandarim, no Casino) menos caseiro e mais caro.
Rua Maestro Lacerda, 16, Estoril. 214 663 966
Visconde da Luz - cozinha tradicional portuguesa com um serviço tradicional português e a simpatia e o brio tradicionais portugueses.
Jardim Visconde da Luz. 214 847 410
Uma lista subjectiva, forçosamente subjectiva; a continuar, dada a vocação de serviço público que de repente acometeu o Don Vivo, coitado.
Labels:
Restaurantes
Uma pergunta
A grande objecção que tenho contra os blogs, já aqui o disse uma vez, é a falta de pudor - sobretudo, claro, os que como o Don Vivo têm uma irremediável e congénita tendência para se debruçar sobre o mundo interior (passe o manifesto exagero, no que me respeita) dos seus autores. Não seria possível fazer um blog póstumo?
5.1.05
Serviço Público / Livros
François Ansermet e Pierre Magistretti, " A Chacun son Cerveau - Plasticité neuronal et inconscient", ed. Odile Jacob, Paris, 2004.
O título deixa pressupôr que todos nós, eu incluido, temos um cérebro; apesar desse pequeno lapso, recomendo o livro a todos os que se interessam - mas só a quem se interessa - por neurobiologia e psicanálise. Trata-se de uma tentativa (mais uma?), de validação das teses psicanalíticas pela neurobiologia. De passagem, inclui também alguns lacanismos - tant qu'à faire....
Nao sou especialista de nenhuma das disciplinas e antes de formar opinião sobre a tese do livro - a saber, que graças à "plasticidade neuronal" as representações se inscrevem nos circuitos neuronais com tanta intensidade como se de percepções se tratassem - gostaria de ler uma ou outra refutação.
Mas é inegável que o livro está bem escrito, claro, perceptível, as hipóteses bem sustentadas. Estou a perceber tudo.
O título deixa pressupôr que todos nós, eu incluido, temos um cérebro; apesar desse pequeno lapso, recomendo o livro a todos os que se interessam - mas só a quem se interessa - por neurobiologia e psicanálise. Trata-se de uma tentativa (mais uma?), de validação das teses psicanalíticas pela neurobiologia. De passagem, inclui também alguns lacanismos - tant qu'à faire....
Nao sou especialista de nenhuma das disciplinas e antes de formar opinião sobre a tese do livro - a saber, que graças à "plasticidade neuronal" as representações se inscrevem nos circuitos neuronais com tanta intensidade como se de percepções se tratassem - gostaria de ler uma ou outra refutação.
Mas é inegável que o livro está bem escrito, claro, perceptível, as hipóteses bem sustentadas. Estou a perceber tudo.
A BA do dia
A boa acção de hoje foi ter ido almoçar ao restaurante "O Aldeão" (Largo de S. Pedro, 54 - 57, Faro, Tel. 289 823 339).
É verdade que fui eu o beneficiário, o único beneficiário - mas quem se vai importar com um pormenor desses?
Uma recomendação especial para as Migas de Bacalhau com Couve. Fizeram-me pensar numa peça de jazz: distinguem-se cada um dos componentes, e o conjunto é melhor do que a soma deles.
O serviço foi impecável, e o preço também. Estou grato, e lamento não poder fazer BAs destas todos os dias.
É verdade que fui eu o beneficiário, o único beneficiário - mas quem se vai importar com um pormenor desses?
Uma recomendação especial para as Migas de Bacalhau com Couve. Fizeram-me pensar numa peça de jazz: distinguem-se cada um dos componentes, e o conjunto é melhor do que a soma deles.
O serviço foi impecável, e o preço também. Estou grato, e lamento não poder fazer BAs destas todos os dias.
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Restaurantes Faro
3.1.05
Serviço público / Vinho
Château Haut-Marbuzet 1995, 1996, 1997 (foram as colheitas bebidas até agora).
"Um bom vinho é aquele que me faz dar um salto na cadeira" , dizia, clarividente e rigoroso (sem ironia), um crítico de vinhos inglês, claro. O Château Haut-Marbuzet foi o que me fez dar os maiores saltos, a cada prova repetidos.
("Prova" é um manifesto eufemismo, ou exagero, conforme preferir).
"Um bom vinho é aquele que me faz dar um salto na cadeira" , dizia, clarividente e rigoroso (sem ironia), um crítico de vinhos inglês, claro. O Château Haut-Marbuzet foi o que me fez dar os maiores saltos, a cada prova repetidos.
("Prova" é um manifesto eufemismo, ou exagero, conforme preferir).
A excepção e a lógica
a) Aqueles que me conhecem sabem que sou um homem frugal, austero, um verdadeiro estóico dos tempos modernos, pouco dado aos prazeres, sejam eles quais forem - excepto, claro, os da mortificação, do sofrimento, da auto-flagelação;
b) Quem segue o Don Vivo sabe que sou pouco dado a links.
Hoje, por motivos incompreensíveis e totalmente subjectivos, abro uma excepção a estas duas normas, e aqui deixo um caminho.
Ou serão duas excepções?
b) Quem segue o Don Vivo sabe que sou pouco dado a links.
Hoje, por motivos incompreensíveis e totalmente subjectivos, abro uma excepção a estas duas normas, e aqui deixo um caminho.
Ou serão duas excepções?
Se ao menos
Da televisão francesa: "Jacques Chirac observou hoje um minuto de silêncio em memória das vítimas do maremoto".
Não poderia ser um ano?
Não poderia ser um ano?
Sina
No Público de hoje: "Sociedades estáveis tendem a desenvolver grupos de interesse especial focalizados na acção redistributiva para si próprios, cujo efeito é o de entravarem a inovação tecnológica e o crescimento económico.
É decerto sina minha, ter que andar sempre à cabeçada com esses (enfim, alguns desses) grupos.
E continua: "Na realidade, há os grupos que se conseguem organizar de forma eficaz e que beneficiam de rendas e benesses especiais, enquanto há outros que permanecem latentes ou por não terem voz ou por não terem instrumentos eficazes de pressão política." Eu confirmo, se bem que grupo só o seja informal, ou assincrónico...
É decerto sina minha, ter que andar sempre à cabeçada com esses (enfim, alguns desses) grupos.
E continua: "Na realidade, há os grupos que se conseguem organizar de forma eficaz e que beneficiam de rendas e benesses especiais, enquanto há outros que permanecem latentes ou por não terem voz ou por não terem instrumentos eficazes de pressão política." Eu confirmo, se bem que grupo só o seja informal, ou assincrónico...
No Economist,
esse arauto do capitalismo desenfreado, do neo-que horror!-liberalismo (se fosse só do "velho" liberalismo, seria melhor?), um magnífico artigo de opinião de Tony Blair, que nos ajuda a confirmar a ideia que é um grande homem de estado, quase ao nível de Margaret Thatcher.
Espera-se com bastante interesse, claro, a resposta construtiva dos anti-mundialistas, anti-G 8, anti-capitalistas, anti-racistas, pró-Mugabe e pró-Eduardo dos Santos.
Espera-se com bastante interesse, claro, a resposta construtiva dos anti-mundialistas, anti-G 8, anti-capitalistas, anti-racistas, pró-Mugabe e pró-Eduardo dos Santos.
2.1.05
Almoço improvisado - Batatas com queijo fundido
O ponto de partida foi um refogado, de echalotas em manteiga - não é pior que o azeite, e sempre muda um bocadinho. Quando as ditas estavam douradas, juntei-lhes o tomate cortado aos bocadinhos, uma quantidade boa de rosmaninho fresco, pimenta e sal. Como o tomate não era muito, não esperei muito até tudo estar seco outra vez; juntei então as batatas cozidas e cortadas aos bocados. Subi o lume, até aí fraquinho. Antes de o apagar (ou seja, quando as batatas estavam, elas também, douradas) um bocado de Tilsit seco e rapado foi servir de elemento unificador, três ou quatro minutos até fundir.
Se não tiver Tilsit, o Queijo da Ilha substitui-lo-á eficazmente.
Bom apetite.
Se não tiver Tilsit, o Queijo da Ilha substitui-lo-á eficazmente.
Bom apetite.
Labels:
Receitas
1.1.05
31.12.04
Serviço público / CDs
Pietra Montecorvino "Napoli Mediterranea", l'empreinte digitale, ED 13172
Charles Lloyd / Billy Higgins "Which way is East", ECM 1878 / 79, 981 1796
Telefon Tel Aviv "Map of What is Effortless", Hefty Records, Hefty042
Charles Lloyd / Billy Higgins "Which way is East", ECM 1878 / 79, 981 1796
Telefon Tel Aviv "Map of What is Effortless", Hefty Records, Hefty042
Diálogos possíveis
- Olá, viva. Sou fotógrafo amador, e queria fazer uma série de nus. Quer posar para mim?
- Sim, mas só com preservativo.
- Sim, mas só com preservativo.
29.12.04
Primeiro aniversário
Agora sim, cá está - um ano de Don Vivo. Algumas resoluções foram tomadas, nada de fundo, claro - já está suficientemente mau assim: um pouco mais de umbiguismo, um pouco menos de private jokes ou messagens, um pouco mais de fotografias. De resto, steady as she goes.
A quem me tem acompanhado ao longo deste ano, um obrigado sincero.
A quem me tem acompanhado ao longo deste ano, um obrigado sincero.
28.12.04
Miseria, ad nauseam
60,000 mortos (provavelmente mais), a imensa maioria dos quais evitáveis, merecem evidentemente muitos comentários na televisão e nos jornais. Porém, a cobertura televisiva é abominável, repugnante: os jornalistas televisivos tomam-se decididamente por dramaturgos, e maus, qui plus est: devia ser-lhes recomendado não usar mais de um adjectivo em cada duas proposições, evitar o abuso de imagens cujo único objectivo é mostrar o horror, evitar repetir interminávelmente as mesmas imagens, os mesmos comentários indigentes, redundantes, ao nível da revista "Maria". Qual é a missão dos jornalistas da TV? Informar não é com certeza.
Vozes
Steady as she goes era a sua voz de comando favorita (em português diz-se "assim como vai", que é notoriamente menos bonito).
Também gostava muito de "faz fixe!" (em inglês, make fast - mas nesta, inversamente, prefiria a versão portuguesa) e daquela que se lhe seguia, sem falta: "dá volta", ou, para os mais preciosistas, "dá volta à manobra". Era o fim da manobra: o navio estava atracado, e significava que entravam num outro mundo, o da terra, e num outro país (quase sempre).
"Faz fixe": aqui está uma voz que gostaria de dar a muitas outras áreas da sua vida.
Também gostava muito de "faz fixe!" (em inglês, make fast - mas nesta, inversamente, prefiria a versão portuguesa) e daquela que se lhe seguia, sem falta: "dá volta", ou, para os mais preciosistas, "dá volta à manobra". Era o fim da manobra: o navio estava atracado, e significava que entravam num outro mundo, o da terra, e num outro país (quase sempre).
"Faz fixe": aqui está uma voz que gostaria de dar a muitas outras áreas da sua vida.
27.12.04
O Princípio
Foi este o título do primeiro post aqui no Don Vivo, vai fazer quarta-feira um ano. A verdade é que o blog tem mudado, muito, e inúmeros posts mereceriam esse título.
Está pior, mas isso é irrelevante - dado que eu sou a sua única influência exterior, está assim porque eu estou assim também. O ponto de partida era baixo, já, há que reconhecer; é possível que melhore. A ver vamos, daqui a um ano.
Um ano: quantas caras, sonhos, corpos, desencontros?
Quantos ontens fez?
Será o próximo ano um hoje que dure? Acho que sim
Está pior, mas isso é irrelevante - dado que eu sou a sua única influência exterior, está assim porque eu estou assim também. O ponto de partida era baixo, já, há que reconhecer; é possível que melhore. A ver vamos, daqui a um ano.
Um ano: quantas caras, sonhos, corpos, desencontros?
Quantos ontens fez?
Será o próximo ano um hoje que dure? Acho que sim
Jantar Improvisado - Galinha de Outono
Tudo começou com um refogado, e uma panela daquelas de fundo espesso: cebola, muito alho (hoje é dia de comer alho, não querem lá ver?) - alho que nem descascado fora, repare-se - umas quantas folhas de louro, presunto cortado aos cubos grandes e o respectivo courato, que azeite e manteiga foram em reduzida quantidade, um pimento encarnado, uns bocaditos de aipo (céléri-pomme, agradeço ajuda na tradução).
Em breve as coxas de galinha (foi o que o frigorífico dispensou, na sua grande generosidade) se juntaram ao preparado, já um pouco transpirado, de resto. Acabaram todos a alourar juntos, em alegre fraternização.
Para arrefecer os ardores, duas latas de tomate e uma boa porção dele concentrado, três cubos de caldo de galinha - teria preferido de legumes, mas, qué vaya, não estou numa mercearia - um pouco de vinho branco, água; o lume baixa de intensidade, a tampa da panela cobre-a quase por completo. Não com suficiente rapidez, contudo, para impedir a paprika, os grãos de pimenta preta, a noz moscada, um ramo de rosmaninho fresco e - Allah u Aqbar - um bom punhado de sálvia de ir alegrar o doce cozer de tudo o resto.
E lá cozer cozeu - uma boa hora, ou mais, a lume calmo. No fim, quase mesmo antes do fim, um pequeno ramo de coentros, frescos eles também, forçou o caminho ao encontro dos amigos. Dei-lhes dez minutos, penso, para trocarem impressões e os últimos gossips do frigorífico e dos armários de onde vinham.
Numa panela separada um arroz branco aconteceu; e no wok deram dois ou três pulos o resto do aipo, o resto da beterraba (que, não sendo parte de mais nada, se sentia excluída), o resto do pimento encarnado, já passado pelo forno e pelado, ele.
Acompanhados por um tinto suiço - sim, existe e alguns são tão bons como o sistema político do país. Neste caso, Humagne Rouge 2003, Celliers de Sion, Bibacchus (os rótulos não são muito claros, ao contrário do vinho lui-même, que tem pinta de clarete e é bom, equilibrado como tudo na Suiça, leve, saboroso) os conteúdos dos diferentes recipientes fizeram um jantar delicioso, a repetir, menos improvisado (e provavelmente menos bom).
Em breve as coxas de galinha (foi o que o frigorífico dispensou, na sua grande generosidade) se juntaram ao preparado, já um pouco transpirado, de resto. Acabaram todos a alourar juntos, em alegre fraternização.
Para arrefecer os ardores, duas latas de tomate e uma boa porção dele concentrado, três cubos de caldo de galinha - teria preferido de legumes, mas, qué vaya, não estou numa mercearia - um pouco de vinho branco, água; o lume baixa de intensidade, a tampa da panela cobre-a quase por completo. Não com suficiente rapidez, contudo, para impedir a paprika, os grãos de pimenta preta, a noz moscada, um ramo de rosmaninho fresco e - Allah u Aqbar - um bom punhado de sálvia de ir alegrar o doce cozer de tudo o resto.
E lá cozer cozeu - uma boa hora, ou mais, a lume calmo. No fim, quase mesmo antes do fim, um pequeno ramo de coentros, frescos eles também, forçou o caminho ao encontro dos amigos. Dei-lhes dez minutos, penso, para trocarem impressões e os últimos gossips do frigorífico e dos armários de onde vinham.
Numa panela separada um arroz branco aconteceu; e no wok deram dois ou três pulos o resto do aipo, o resto da beterraba (que, não sendo parte de mais nada, se sentia excluída), o resto do pimento encarnado, já passado pelo forno e pelado, ele.
Acompanhados por um tinto suiço - sim, existe e alguns são tão bons como o sistema político do país. Neste caso, Humagne Rouge 2003, Celliers de Sion, Bibacchus (os rótulos não são muito claros, ao contrário do vinho lui-même, que tem pinta de clarete e é bom, equilibrado como tudo na Suiça, leve, saboroso) os conteúdos dos diferentes recipientes fizeram um jantar delicioso, a repetir, menos improvisado (e provavelmente menos bom).
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Receitas
23.12.04
Um mundo
- Quantos leitores tem o teu blog? - pergunta a mãe.
- Não sei. Já teve trinta, quarenta. Agora tem menos, penso eu - respondo.
- Isso é um mundo - comenta o miúdo.
- Não sei. Já teve trinta, quarenta. Agora tem menos, penso eu - respondo.
- Isso é um mundo - comenta o miúdo.
22.12.04
Descrição - III
"Son regard était planté au-delà de vous, et il parlait toujours de l'avenir, comme si le présent et le passé n'existaient pas."
in "Histoire d'Une Vie", Aharon Appelfeld, Éditions de l'Olivier, Paris 2004
in "Histoire d'Une Vie", Aharon Appelfeld, Éditions de l'Olivier, Paris 2004
As duas faces da moeda
- Vamos apostar que você não consegue perder dez quilos num ano - diz o médico.
- Um ano? Doutor, está no saco - responde uma;
- Dez quilos? Isso é impossível - retorque a outra.
- Um ano? Doutor, está no saco - responde uma;
- Dez quilos? Isso é impossível - retorque a outra.
Don´t you always fight
- Não lutes sempre, sê mais como a água, que corre fluida e contorna os obstáculos.
- A água só desce, não sobe.
- A água só desce, não sobe.
Diálogo; ou "Resignação"
- Não gosto nada de Genève e ando por lá há vinte anos.
- E eu não gosto da minha vida nem um bocadinho e ando nela há mais tempo ainda.
- E eu não gosto da minha vida nem um bocadinho e ando nela há mais tempo ainda.
19.12.04
Descrição - II
Mas não passava de um anjo que, um dia, veio à porta do paraíso ver como era o mundo cá em baixo; debruçou-se demais, ou tropeçou, vá saber-se, e desde aí não pára de cair.
De nuvem em nuvem, cada vez menos nuvem, cada vez mais baixo. O olhar inicial, que era de espanto, transformou-se. O optmismo despreocupado deu lugar a um optimismo desesperado - ela não conhecia outra atitude perante a vida, o pessimismo, ou o realismo.
Uma queda é sempre espantosa, surpreendente. Uma sucessão de quedas não.
De nuvem em nuvem, cada vez menos nuvem, cada vez mais baixo. O olhar inicial, que era de espanto, transformou-se. O optmismo despreocupado deu lugar a um optimismo desesperado - ela não conhecia outra atitude perante a vida, o pessimismo, ou o realismo.
Uma queda é sempre espantosa, surpreendente. Uma sucessão de quedas não.
História das relações afectivas e amorosas:
Uma sucessão de erros bem intencionados, mentiras que se revelaram verdades, verdades que azedaram, assimetrias irremediáveis, falsas simetrias, encontros que acabaram mal e desencontros que resultaram bem...
15.12.04
Blogosfera
Um interessantíssimo artigo na Foreign Policy. E agora as coisas já não demoram dez anos a passar dos Estados Unidos para a Europa.
Acredito que a influência dos blogs não se vai ficar pela política: o pessoal, social, profissional vão, eles também, mudar devido aos blogs.
Com um obrigado à Alice R. (blog confidencial, secreto, ao que parece).
Acredito que a influência dos blogs não se vai ficar pela política: o pessoal, social, profissional vão, eles também, mudar devido aos blogs.
Com um obrigado à Alice R. (blog confidencial, secreto, ao que parece).
12.12.04
11.12.04
Os inimigos do blog
Pensava eu que os inimigos do Don Vivo seriam a lassidão, o excesso de felicidade - ou, pelo contrário, infelicidade a mais - o, mais terrível, facto singelo de nada ter para dizer que mereça ser dito, o trabalho. Agora que o blog se aproxima do primeiro aniversário, verifico que não: o inimigo do Don Vivo é, prosaicamente, a falta de um pequeno caderno para tomar notas e de uma caneta; e a ausência do Paredão, claro.
Mau tempo
Face ao mau tempo, um navio tem duas opções: ou pôr-se "à capa", ou "correr com o tempo".
"À capa" significa aproar ao vento, manter as máquinas (ou o andamento, no caso de uma embarcação de vela) no mínimo indispensável para manter o navio nessa posição, e esperar que passe.
"Correr com o tempo" designa a manobra contrária: pôr o vento na popa (ou na alheta se estivermos a navegar à vela) e manter esse rumo até o mau tempo passar e nos permitir voltar ao caminho.
A capa é incomparavelmnte mais dura, tanto para a tripulação como para o navio, mas tem a vantagem de não nos fazer perder muito caminho; correr com o tempo é mais confortável, mas só é possível se não houver terra a sotavento - nem mesmo o destino: pode ser que seja um porto no qual não se pode entrar com mau tempo, ou uma costa perigosa, por exemplo, e a última coisa que um marinheiro prudente quer é encontrar-se a barlavento de uma costa com mau tempo.
Claro que é possível correr com o tempo na boa direcção - mas é raro, tão raro...
"À capa" significa aproar ao vento, manter as máquinas (ou o andamento, no caso de uma embarcação de vela) no mínimo indispensável para manter o navio nessa posição, e esperar que passe.
"Correr com o tempo" designa a manobra contrária: pôr o vento na popa (ou na alheta se estivermos a navegar à vela) e manter esse rumo até o mau tempo passar e nos permitir voltar ao caminho.
A capa é incomparavelmnte mais dura, tanto para a tripulação como para o navio, mas tem a vantagem de não nos fazer perder muito caminho; correr com o tempo é mais confortável, mas só é possível se não houver terra a sotavento - nem mesmo o destino: pode ser que seja um porto no qual não se pode entrar com mau tempo, ou uma costa perigosa, por exemplo, e a última coisa que um marinheiro prudente quer é encontrar-se a barlavento de uma costa com mau tempo.
Claro que é possível correr com o tempo na boa direcção - mas é raro, tão raro...
Dúvida
Ele não sabia bem se era a cabeça de um casal que não tinha corpo, ou o corpo de um casal que não tinha cabeça.
9.12.04
Precisão
"Ela é o meu último amor", disse aos amigos. "Em todos os sentidos do termo", acrescentou.
"És o meu último amor. Quão mais valioso que o primeiro..."
"És o meu último amor. Quão mais valioso que o primeiro..."
5.12.04
Conspirações, estratégias e wishful thinking
Já por várias vezes ouvi a tese que Durão entegou o poder a Santana Lopes para o queimar de vez. Não se poderia fazer a mesma coisa ao Alberto João Jardim? Mais primeiro-sinistro do que Primeiro-Ministro, é certo, mas enfim, dava um prémio a quem arrumasse o homem de vez.
2.12.04
Cavaco Silva
Nunca fui grande fã de Cavaco Silva: acho que as reformas dele consistiram mais - se bem que não só - em pintar uma casa em ruínas do que em refazer-lhe as fundações.
Mas hoje partilho absolutamente a posição de Abrupto (que tem uma série recente de posts lapidares), do Blasfémias, e de muitos outros, decerto.
Não é uma questão de homem providencial, é uma questão de homem só. A menos que se lhe juntasse o Vitorino, claro - aí seriam dois homens sós.
Mas hoje partilho absolutamente a posição de Abrupto (que tem uma série recente de posts lapidares), do Blasfémias, e de muitos outros, decerto.
Não é uma questão de homem providencial, é uma questão de homem só. A menos que se lhe juntasse o Vitorino, claro - aí seriam dois homens sós.
Arbres et Lumières
Todos os anos se realiza em Genève o Festival Arbres et Lumières. É um magnífico evento de arte em meio urbano, que tem vindo a melhorar de ano para ano. Não sei se o site vai expôr mais fotografias - a inauguração é hoje, dia 2 de Dezembro - mas é mais uma razão para ir a Genève (além do Chez Marius). Aproveitem o leilão da TAP, se houver vôos, Genève é um bom short break (sobretudo se fôr short).
(Mais) dissimetrias; ou: Mercado
Ao fim de tanto trabalho não remunerado, ele acreditava que a hora chegara de ser recompensado. Infelizmente, essa opinião não era partilhada pelo mercado.
1.12.04
Fatalidade
Fatalidade é aquele palerma ir-se embora, e sermos, provavelmente, gratificados com outro igual.
Trivialia
Porque raio de carga de água é que os portugueses chegam ao Brasil e em três semanas começam a falar brasileiro, e os brasileiros vêm para Portugal e vinte anos depois ainda têm o sotaque da origem? Pior: os portugueses voltam para Portugal e mantêm o sotaque adquirido.
Anteontem o que vi bateu todos os recordes: a dona do restaurante fala no seu sotaque português natal com os clientes, e num impecável brasileiro com a empregada...
Anteontem o que vi bateu todos os recordes: a dona do restaurante fala no seu sotaque português natal com os clientes, e num impecável brasileiro com a empregada...
30.11.04
Dissimetrias (outras)
- Não avalizamos o evento porque essa classe não existe em Portugal.
- É exactamente porque ela não existe em Portugal que é preciso realizar o evento - para que passe a haver.
- É exactamente porque ela não existe em Portugal que é preciso realizar o evento - para que passe a haver.
Dissimetrias
Ela estava com ele porque não encontrara mais ninguém; ele estava com ela porque não encontrara mais ninguém como ela.
28.11.04
Conversas de salão
Conversa ao jantar: o tema é a vela, e a incompreensão total da minha interlocutora para o gosto que algumas pessoas (entre elas o seu marido) têm por "isso" - ("a vela não é um desporto", afirma, "porque não fazemos nada"; "a vela não é um desporto", respondo, "porque é um modo de ser").
Ao fim de uma agradável conversa de surdos polidos, digo-lhe que no fundo concordo com ela: há 35 anos que navego e ainda estou para saber porque gosto tanto, porque nunca me canso, porque tanto me falta. Talvez haja uma explicação: numa travessia à vela, em cada dez dias 9 são "maus" - mas o outro, o bom, vale por vinte ou trinta. O saldo é sempre muito, muito, positivo.
Claro que resta saber porque são maus os dias: por causa do mau tempo? Porque ou não há vento ou ele vem exactamente da direcção para onde pretendemos ir? Porque se avariou qualquer coisa - há sempre qualquer coisa que se avaria num barco, geralmente nos piores momentos (em terra também, de resto: o gás só acaba quando estamos a cozinhar)? Porque o colega que em terra era uma pessoa impecável se revela um sacripanta do piorio no mar? Porque (ao contrário do que geralmente se pensa), há sempre qualquer coisa para fazer? Talvez. Mas há uma satisfação possível e compreensível em vencer essas dificuldades, que não tem nada a ver com o masoquismo: eu não sei qual é, ou não sei defini-la - sei que me falta, só, e muito.
Apenas num ponto o meu desacordo com a senhora foi manifesto e total: quando ela mencionou a falta de espaço como um dos defeitos da vela. Falta de espaço? Um barco pode ser pequeno, mas como sofrer de falta de espaço quando se está no mar alto? Não há lugar nenhum na terra - nem em África - onde a noção de espaço seja tão forte, tão presente, tão inexorável, tão englobante como quando se está sentado no poço de uma embarcação, ou na ponte, ou na proa, ou seja onde fôr, e se olha para o mar.
Talvez seja isso que faz da navegação esta necessidade (para além das coisas mais facilmente definíveis): estar diariamente confrontado com o infinito.
Ao fim de uma agradável conversa de surdos polidos, digo-lhe que no fundo concordo com ela: há 35 anos que navego e ainda estou para saber porque gosto tanto, porque nunca me canso, porque tanto me falta. Talvez haja uma explicação: numa travessia à vela, em cada dez dias 9 são "maus" - mas o outro, o bom, vale por vinte ou trinta. O saldo é sempre muito, muito, positivo.
Claro que resta saber porque são maus os dias: por causa do mau tempo? Porque ou não há vento ou ele vem exactamente da direcção para onde pretendemos ir? Porque se avariou qualquer coisa - há sempre qualquer coisa que se avaria num barco, geralmente nos piores momentos (em terra também, de resto: o gás só acaba quando estamos a cozinhar)? Porque o colega que em terra era uma pessoa impecável se revela um sacripanta do piorio no mar? Porque (ao contrário do que geralmente se pensa), há sempre qualquer coisa para fazer? Talvez. Mas há uma satisfação possível e compreensível em vencer essas dificuldades, que não tem nada a ver com o masoquismo: eu não sei qual é, ou não sei defini-la - sei que me falta, só, e muito.
Apenas num ponto o meu desacordo com a senhora foi manifesto e total: quando ela mencionou a falta de espaço como um dos defeitos da vela. Falta de espaço? Um barco pode ser pequeno, mas como sofrer de falta de espaço quando se está no mar alto? Não há lugar nenhum na terra - nem em África - onde a noção de espaço seja tão forte, tão presente, tão inexorável, tão englobante como quando se está sentado no poço de uma embarcação, ou na ponte, ou na proa, ou seja onde fôr, e se olha para o mar.
Talvez seja isso que faz da navegação esta necessidade (para além das coisas mais facilmente definíveis): estar diariamente confrontado com o infinito.
Palermices
Do Jaquinzinhos: "O mano do Ricardo é por isso, desde já, um forte candidato ao próximo troféu "O Palerma do Mês".
Contesto: não é "do mês", é do ano. E agora o túnel vai ficar pronto mesmo em cima das eleições e outro palerma não vai deixar de beneficiar com isso. E quem é que se f...? O mexilhão - enfim, os mexilhões - como de costume.
Contesto: não é "do mês", é do ano. E agora o túnel vai ficar pronto mesmo em cima das eleições e outro palerma não vai deixar de beneficiar com isso. E quem é que se f...? O mexilhão - enfim, os mexilhões - como de costume.
26.11.04
Desumanidade do capitalismo
Há cinco anos que a Shell e o Economist, esses bastiões da opressão capitalista, ambiental e social, estabeleceram um prémio para um ensaio sobre um dado tema.
Este ano, a vitória foi para uma senhora chamada Claudia O'Keefe. Acho que o seu texto devia ser lido, aqui, ou aqui.
Há uma questão pouco relevante, que é a de saber porque é que duas empresas conotadas (ou denotadas) como estas dão o prémio a este texto em particular; e - mais, muito mais importante, - o texto em si. É magnífico, para quem o receba como ele merece. Como ele foi escrito.
Este ano, a vitória foi para uma senhora chamada Claudia O'Keefe. Acho que o seu texto devia ser lido, aqui, ou aqui.
Há uma questão pouco relevante, que é a de saber porque é que duas empresas conotadas (ou denotadas) como estas dão o prémio a este texto em particular; e - mais, muito mais importante, - o texto em si. É magnífico, para quem o receba como ele merece. Como ele foi escrito.
Pourquoi je t'aime
Je t'aime car il n'y a pas d'apparences entre nous. L'amour n'est pas fait de transparences: il est fait de verités, de densités, même si elles ne sont pas visibles. Le vrai amour est opaque (pour autant qu'il y aie un amour vrai, ce qui est une autre ligne d'eau).
Il y a un amour vrai, évidemment: il est évident, même s'il n'est point visible, point apparent.
Il y a un amour vrai, évidemment: il est évident, même s'il n'est point visible, point apparent.
25.11.04
Cartas
Por vezes penso em fazer um blog epistolar. Cartas fictícias falando de sentimentos verdadeiros, falsos sentimentos (ou verdadeiros) dirigidos a destinatários inexistentes, cartas reais escondidas sob o manto da ficção, - as possibilidades são infinitas, e palpitantes.
Altruísmo desinteressado
"Supremo autoriza recomeço das obras no túnel do Marquês", titula o Público de hoje. "Sá Fernandes "lastima" decisão judicial", continua. O humano e altruísta advogado preferiria decerto que as coisas se mantivessem assim por mais uns anitos - ou menos, o tempo só de levar à falência os comerciantes da zona, de lançar para a atmosfera mais umas quantas toneladas (poderia grafar "tuneladas"?) de gazes poluentes, etc. Ou talvez "lastime" que o túnel fique pronto a horas para as eleições?
22.11.04
Broken Heart
Quantas vezes será preciso partir-se um coração para que ele se torne inquebrável? Suponho que depende das pessoas, talvez.
21.11.04
Sedução
Um dos prazeres da sedução é que só há vencedores, ou vencidos. O seduzido manda, e obedece o sedutor; quem ganha perde e quem perde ganha - ou perdem os dois, ou ganham os dois. É o melhor, o mais igualitário, o mais nivelador jogo do mundo.
Saber viver
Das rosas colher a fragrância e evitar os espinhos. É a isto que se chama saber viver, provavelmente.
Gato sapato
No jogo do Gato Sapato todos somos gato, por vezes, e sapato, noutras. É infinitamente melhor ser gato do que sapato.
16.11.04
Tempo e distância
Quem navega sabe que, numa travessia, a uma distânca mais curta não corresponde necessariamente menos tempo: menos distância pode significar ventos ou correntes contra (andam muitas vezes juntos); ou latitudes demasiado altas, com os correspondentes maus tempos (ir de Lisboa a New Iork pela ortodromia, a rota mais curta, implica uma passagem perto da Groenlândia); ou mais singelamente, baixios, recifes, zonas perigosas. Por vezes, para uma navegação segura, é necessário percorrer uma distância maior do que a aquela que, directamente, nos aparece na carta.
Já o inverso não é verdade: aumentar o tempo de navegação não diminui necessariamente a distância. Quando muito, aumenta o prazer.
Já o inverso não é verdade: aumentar o tempo de navegação não diminui necessariamente a distância. Quando muito, aumenta o prazer.
11.11.04
Empreendedores, empresas e motivações
O objectivo das empresas é ganhar dinheiro; mas a motivação daqueles que as criam, os empresários, ou - termo que prefiro, empreendedores - não é a ganância: se fosse, as empresas não dariam lucro, porque o caminho entre a criação da empresa e o sucesso é incerto (duas em cada três empresas morrem antes do seu terceiro ano de vida), árduo, cheio de desilusões e sacrifícios. Na verdade, por trás de cada empreendedor há uma visão, um sonho - mesmo se eles, os empreendedores, traduzem isso por vezes doutra forma. Numa pesquisa sobre o que leva as pessoas a criar empresas, o dinheiro surge em terceiro lugar, após o desejo de reconhecimento e a vontade de independência (não sei por que ordem).
Penso que esse reconhecimento, e essa independência, são os nomes que os empreendedores dão à sua verdadeira motivação porque não querem, ou não sabem, falar da sua visão (uso este termo num sentido diferente dessa abominável “visão” que agora faz inevitavelmente parte da comunicação de qualquer empresa). E essa visão, esse desejo profundo de deixar uma marca, de dar forma a um sonho, de trabalhar por aquilo que é, sempre, uma quimera - só deixará de o ser se o projecto (palavra horrível, de tão mal usada) tiver sucesso - é que é o verdadeiro motor dos criadores de empresas. Não o lucro - este vem depois, por acréscimo, um pouco como a caça: não se caça para matar, mata-se porque se caça.
Penso que esse reconhecimento, e essa independência, são os nomes que os empreendedores dão à sua verdadeira motivação porque não querem, ou não sabem, falar da sua visão (uso este termo num sentido diferente dessa abominável “visão” que agora faz inevitavelmente parte da comunicação de qualquer empresa). E essa visão, esse desejo profundo de deixar uma marca, de dar forma a um sonho, de trabalhar por aquilo que é, sempre, uma quimera - só deixará de o ser se o projecto (palavra horrível, de tão mal usada) tiver sucesso - é que é o verdadeiro motor dos criadores de empresas. Não o lucro - este vem depois, por acréscimo, um pouco como a caça: não se caça para matar, mata-se porque se caça.
5.11.04
Zeitgeist
A propósito da intolerância do politicamente correcto, e de muita gente de esquerda a discursos com os quais não está de acordo, ocorreu-me recentemente que talvez seja devido ao facto de a esquerda (ou pelo menos o pensamento da esquerda actual) ter nascido como ruptura, inovação, progresso, oposição. Agora, que faz parte do zeitgeist, que tem de conservar mais do que criar, ainda não encontrou o registo adaptado a este novo estatuto.
4.11.04
Eleições americanas
Prometi a mim mesmo que não falaria das eleições, e cumpro. Este post não é portanto sobre as eleições, mas sobre os comentários que a imprensa - sobretudo a TV - francesa faz delas. A má-fé, o bias, a falta de distância são tantas que quase me regozijo com a vitória do Bush. Isto não é jornalismo - é as cruzadas, pelos paladinos do pensar correcto. É isto, a pensée unique: não há uma voz discordante, uma reportagem cujo autor não esteja claramente enraivecido com a derrota do "seu" candidato, um comentário que não se refira (em termos trocistas e pejorativos) à igreja, à América profunda, às convicções religiosas dos americanos.
Seria interessante, um exercício semelhante feito sobre a França - pelos mesmos jornalistas, claro. Que diriam eles, da France profonde? Que diriam, da xenofobia, do chauvinismo, do anti-semitismo?
E depois - como é que um povo que elege uma pessoa como Chirac se permite dar lições ao mundo?
Seria interessante, um exercício semelhante feito sobre a França - pelos mesmos jornalistas, claro. Que diriam eles, da France profonde? Que diriam, da xenofobia, do chauvinismo, do anti-semitismo?
E depois - como é que um povo que elege uma pessoa como Chirac se permite dar lições ao mundo?
3.11.04
Hiper-sensibilidade
A hiper-sensibilidade deve ser isto: sentir-te ao meu lado, agora. Saber-te ao meu lado, agora.
Pedido
Faz-me sonhar, querida, sofrer, divagar, e sorrir, lembrar-me do que foi e do que será, do que fomos e do que seremos, faz-me ler, faz-me ver o que és, o que queres ser, ou queres que sejamos, lembra-me as paisagens que juntos nunca vimos e aquelas que juntos veremos, ajuda-me a carregar os amanhãs todos que um ao lado do outro passaremos, ou passaríamos, ou nunca serão, faz-me ver os dias sem ti e os dias contigo, faz-me imaginar as cores da alegria e o cheiro da tristeza, faz-me rir e chorar, faz-me ver a tua pele e o teu olhar quando pedias por mais, e mais e menos e menos e mais, faz-me ouvir-te quando muda pedias prazer, ou mo davas, faz-me ver os teus cabelos quando me caíam pela face ou me tocavam o ventre, faz-me sentir as tuas mãos em mim todo, e na memória, faz-me ver que és tu a única e única serás sempre, porque só há um amor, um, e esse és tu.
La Grenacha 2003
Côtes du Rhône Villages, SCA Les Vignerons d'Estezargues, 14,5º
Ce vin va être imbuvable dans un an ou deux - il se sera amélioré. Superbe attaque, bonne fin de bouche (très peu au milieu: un peu citronné?), taniné, râpeux, magnifique.
Gosto dos vinhos (e das mulheres), que deixam um rasto.
Ce vin va être imbuvable dans un an ou deux - il se sera amélioré. Superbe attaque, bonne fin de bouche (très peu au milieu: un peu citronné?), taniné, râpeux, magnifique.
Gosto dos vinhos (e das mulheres), que deixam um rasto.
Delícias do francês
- Je viens boire un bon coup - diz a senhora, cinquentas loiros e bem tratados, roupas justas, pequena e dinâmica.
- Un bon coup? c'est comme ça que tu me traites? - responde o senhor, fim dos cinquenta ou princípio dos sessenta, bela cabeleira branca bem penteada para trás, magro e bem conservado.
- J'ai dit boire un bon coup.
- Ah, j'ai compris voire un bon coup.
A cena passa-se num pequeno bar à vins, de resto escala obrigatória em Genève, o Chez Marius. Aproveitem os leilões da TAP e venham a Genève para ir ao Marius, vale a pena.
- Un bon coup? c'est comme ça que tu me traites? - responde o senhor, fim dos cinquenta ou princípio dos sessenta, bela cabeleira branca bem penteada para trás, magro e bem conservado.
- J'ai dit boire un bon coup.
- Ah, j'ai compris voire un bon coup.
A cena passa-se num pequeno bar à vins, de resto escala obrigatória em Genève, o Chez Marius. Aproveitem os leilões da TAP e venham a Genève para ir ao Marius, vale a pena.
1.11.04
L. Cohen, again & again
"There is a crack in everything,
That's how the light gets in"
in "Anthem" (não me lembro do álbum, fica para depois).
That's how the light gets in"
in "Anthem" (não me lembro do álbum, fica para depois).
Trapos velhos - III
(Desculpem, andei a vasculhar nos mails)
“In a last attempt to obtain relief he moved from where they had been so long together to a single room on the far bank. (…) Relief he had hoped would flow from unfamiliarity”. [Ohio Impromptu]
Ou então: “Birth was the death of him” [A Piece of Monologue].
“I suppose I mean those things worth having when all the dust has – when all my dust has settled. I close my eyes and try and imagine them”. [Krapp’s Last Tape]
O nosso mundo é melhor que o deles – nós somos tolerantes, não somos relativistas. Eles são relativistas, mas não são tolerantes.
“In a last attempt to obtain relief he moved from where they had been so long together to a single room on the far bank. (…) Relief he had hoped would flow from unfamiliarity”. [Ohio Impromptu]
Ou então: “Birth was the death of him” [A Piece of Monologue].
“I suppose I mean those things worth having when all the dust has – when all my dust has settled. I close my eyes and try and imagine them”. [Krapp’s Last Tape]
O nosso mundo é melhor que o deles – nós somos tolerantes, não somos relativistas. Eles são relativistas, mas não são tolerantes.
Trapos velhos - II (Aforismos da Casa do Largo)
Não gosto de políticos: mas prefiro ser governado por eles a sê-lo por militares, ou por benfeitores.
Os meus neuro-transmissores começam, finalmente, a ser substituídos por whisky: God bless.
Qualquer vida sexual aliciante deveria incluir pelo menos 50% de masturbação: é tão mais variado...
Há duas bebidas nobres (o vinho e o whisky) e uma mágica (o mezcal). Todas as outras são manufacturas, como o Sumol de Ananás.
A este ritmo nunca escreverei um livro: quando muito, um contra-rótulo...
18/03/2003
Os meus neuro-transmissores começam, finalmente, a ser substituídos por whisky: God bless.
Qualquer vida sexual aliciante deveria incluir pelo menos 50% de masturbação: é tão mais variado...
Há duas bebidas nobres (o vinho e o whisky) e uma mágica (o mezcal). Todas as outras são manufacturas, como o Sumol de Ananás.
A este ritmo nunca escreverei um livro: quando muito, um contra-rótulo...
18/03/2003
Trapos velhos
Correspondência com um blog entretanto, lamentavelmente, desaparecido (Coluna Infame):
Um excelente artigo no Economist sobre o Rwanda: pesadelos garantidos. Corro buscar os Haikus e encontro um antologia do Celan - cela n'arrange pas les choses:
"Nous sommes proches, Seigneur,
Proches et saisissables.
Déjà saisis, Seigneur,
Engriffés l'un et l'autre, comme
Si la chair d'un chacun de nous était
Ta chair, Seigneur.
Prie, Seigneur,
invoque nous,
nous sommes proches.
Nous allions déviés par le vent,
noua allions nous coucher
aux mares creuses du marais.
Nous allions à l'abreuvoir, Seigneur.
C'était du sang, c'était
ce que tu as répandu, Seigneur.
Ça brillait.
Ça nous jetait ton image aux yeux, Seigneur.
Yeux et bouches sont si ouverts, sont si vides, Seigneur.
Nous avons bu, Seigneur,
le sang et l'image qui était dans le sang, Seigneur.
Prie, Seigneur, nous sommes proches."
("Tenebrae", numa tradução de Gabrielle Wittkomp-Menardeau). Na net há uma tradução inglesa muito boa. Mas não se deve ler Celan sem uma boa garrafa de whisky ao lado, ou sem a Casa do Largo perto.
Não gosto do Rwanda. No Burundi víamos passar os corpos no rio. Os que conseguiam escapar aos crocodilos, claro. Os crocodilos, que eram muitos, cresceram um metro num ano: o tamanho deles passou de seis metros em média para sete. Tornaram-se os maiores do mundo. Uma vez fui buscar uma criança que tinha sobrevivido três, ou cinco, dias debaixo de uma pilha de cadáveres numa igreja. Ninguém sabe quantos dias: a criança não falava. Tinha sido uma tia, apresentadora de um programa erótico na televisão suiça-francesa, que a veio buscar a Bujumbura. Não vejo televisão, quem me disse o trabalho da senhora foi um colega. Pergunto-me se ela continuou o programa, depois daquilo. Ou se a criança já fala. E se lê Celan (a aliteração é feia).
"Tout le monde dort.
Rien entre
La lune et moi."
Seifujo
Tenho sempre uma grande dose de má consciência quando vos escrevo: recomendo o botão delete. Por mim, vou ao canto da casa do canto.
Um excelente artigo no Economist sobre o Rwanda: pesadelos garantidos. Corro buscar os Haikus e encontro um antologia do Celan - cela n'arrange pas les choses:
"Nous sommes proches, Seigneur,
Proches et saisissables.
Déjà saisis, Seigneur,
Engriffés l'un et l'autre, comme
Si la chair d'un chacun de nous était
Ta chair, Seigneur.
Prie, Seigneur,
invoque nous,
nous sommes proches.
Nous allions déviés par le vent,
noua allions nous coucher
aux mares creuses du marais.
Nous allions à l'abreuvoir, Seigneur.
C'était du sang, c'était
ce que tu as répandu, Seigneur.
Ça brillait.
Ça nous jetait ton image aux yeux, Seigneur.
Yeux et bouches sont si ouverts, sont si vides, Seigneur.
Nous avons bu, Seigneur,
le sang et l'image qui était dans le sang, Seigneur.
Prie, Seigneur, nous sommes proches."
("Tenebrae", numa tradução de Gabrielle Wittkomp-Menardeau). Na net há uma tradução inglesa muito boa. Mas não se deve ler Celan sem uma boa garrafa de whisky ao lado, ou sem a Casa do Largo perto.
Não gosto do Rwanda. No Burundi víamos passar os corpos no rio. Os que conseguiam escapar aos crocodilos, claro. Os crocodilos, que eram muitos, cresceram um metro num ano: o tamanho deles passou de seis metros em média para sete. Tornaram-se os maiores do mundo. Uma vez fui buscar uma criança que tinha sobrevivido três, ou cinco, dias debaixo de uma pilha de cadáveres numa igreja. Ninguém sabe quantos dias: a criança não falava. Tinha sido uma tia, apresentadora de um programa erótico na televisão suiça-francesa, que a veio buscar a Bujumbura. Não vejo televisão, quem me disse o trabalho da senhora foi um colega. Pergunto-me se ela continuou o programa, depois daquilo. Ou se a criança já fala. E se lê Celan (a aliteração é feia).
"Tout le monde dort.
Rien entre
La lune et moi."
Seifujo
Tenho sempre uma grande dose de má consciência quando vos escrevo: recomendo o botão delete. Por mim, vou ao canto da casa do canto.
Darwin e os mecanismos amorosos, ou O amor e os mecanismos darwinianos
"És um amor", dizem-me muitas vezes. "Mas..." continuam, geralmente, quando se trata de recusar uma solicitação ou sugestão minhas. "E tu és uma peste", quero, invariavelmente, responder; "mas amo-te/gosto de ti/tenho saudades tuas" (depende da interlocutora).
A verdade é que é mais fácil amar uma peste do que um amor. Mais fácil, mais estimulante, mais rewarding. Deve ser um mecanismo darwiniano, mais um.
A verdade é que é mais fácil amar uma peste do que um amor. Mais fácil, mais estimulante, mais rewarding. Deve ser um mecanismo darwiniano, mais um.
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